A Better Collective fechou o primeiro trimestre de 2026 com receita de €86 milhões, crescimento orgânico de 5 por cento e alta de 9 por cento em moedas constantes na comparação anual. O EBITDA antes de itens especiais ficou em €25 milhões, avanço de 14 por cento, com margem de 29 por cento. A empresa também manteve sem mudanças sua projeção para 2026. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado por Paid Media, Talent-led Media, receita de revenue share na América do Norte e pela comunidade de esports HLTV.
O trimestre, porém, não teve crescimento constante. A empresa afirmou no relatório que a variação cambial reduziu cerca de €4 milhões da receita na comparação anual, principalmente por causa do dólar. Além disso, a margem de vitórias esportivas teve impacto negativo de €1,3 milhão na receita e no EBITDA em relação ao ano passado, além de impacto de €3,7 milhões frente à margem considerada normal. O Brasil também voltou a afetar os resultados, com impacto estimado em cerca de €1 milhão depois das mudanças regulatórias. Mesmo assim, a empresa disse que houve crescimento subjacente de €9 milhões, puxado principalmente por Paid Media, Talent-led Media e pelo aumento da receita de revenue share na América do Norte.

Receita recorrente avança e América do Norte ganha destaque
A receita recorrente subiu 2 por cento, chegando a €50 milhões, enquanto a receita de revenue share cresceu 7 por cento. Dentro desse cenário, a América do Norte foi um dos principais destaques: a receita de revenue share na região avançou 46 por cento e alcançou €6 milhões no trimestre. A empresa reforçou que, desde o terceiro trimestre de 2022, vem mudando seus contratos nos Estados Unidos para o modelo de revenue share. Segundo a companhia, isso reduziu temporariamente a receita reportada, mas criou uma base mais forte para receitas recorrentes nos próximos trimestres e anos. A Better Collective também informou que a receita de patrocínios cresceu 21 por cento, com forte participação de Playmaker HQ e HLTV.
Na estratégia, um dos principais movimentos foi a ampliação da parceria com o X. Segundo o relatório, o Playbook™ passou a ser o produto global oficial e exclusivo de apostas com inteligência artificial da plataforma, com novo acordo global, expansão do projeto e integração direta do Playbook™ nas mensagens privadas do X.
Na carta do CEO, Jesper Søgaard afirmou que o produto avançou em engajamento, desenvolvimento e monetização, e que a empresa vê o segmento de prediction markets crescendo acima do esperado, tanto em interesse do público quanto em resultados comerciais. Ele também disse que a Playmaker HQ continua muito forte, com um modelo de mídia liderado por talentos, forte presença em podcasts esportivos na América do Norte e procura crescente não só de sportsbooks, mas também de marcas de outros setores.
Brasil segue como ponto de atenção
No Brasil, o tom do relatório foi mais cauteloso. Søgaard afirmou que o mercado segue “muted”, afetado pela proibição de bônus de boas-vindas e por outras mudanças regulatórias. Ele também mencionou um projeto de lei que propõe uma possível proibição do setor, classificando esse cenário como improvável, embora o debate público esteja afetando a confiança no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a empresa reforçou apoio a uma regulamentação “sólida e responsável” e disse continuar otimista com o Brasil no longo prazo, por ser um mercado grande, apaixonado por esporte e com potencial de crescimento conforme amadurece.
O relatório também mostrou uma operação mais controlada em custos e caixa. Os custos totais cresceram apenas 1 por cento, com redução de gastos em Publishing e Esports, parcialmente compensada por um aumento de 9 por cento nos investimentos em Paid Media.
O caixa operacional antes de itens especiais ficou em €25 milhões, contra €21 milhões no mesmo trimestre de 2025, com conversão de caixa de 101 por cento. A empresa também recomprou €6,7 milhões em ações no período e encerrou março com €75 milhões em reservas de capital, sendo €20 milhões em caixa e €55 milhões em linhas bancárias não utilizadas. As linhas de crédito totais somavam €319 milhões. O índice de dívida líquida sobre EBITDA antes de itens especiais ficou em 2,45x.
Números consolidados do trimestre
Nos números consolidados, a companhia registrou receita de €86,323 milhões, contra €82,590 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita recorrente ficou em €50,141 milhões.
O EBITDA antes de itens especiais somou €25,086 milhões, enquanto a depreciação foi de €1,706 milhão. O EBITA antes de itens especiais ficou em €23,380 milhões. Já os itens especiais líquidos representaram despesa de €1,810 milhão. A amortização e impairment chegaram a €8,591 milhões, e o EBIT antes de itens especiais ficou em €14,789 milhões.
O resultado financeiro foi negativo em €2,538 milhões, enquanto o lucro após impostos somou €7,322 milhões. O lucro por ação ficou em €0,12, mesmo valor do lucro diluído por ação.
A estrutura de receita mostra como o grupo continua dividido entre diferentes áreas. No trimestre, o Revenue Share respondeu por €39,518 milhões, o CPA por €21,392 milhões, Subscription por €4,331 milhões, Sponsorships por €14,216 milhões, CPM por €6,291 milhões e Other por €575 mil.
Em participação percentual, a receita ficou distribuída em 47 por cento de revenue share, 25 por cento de CPA, 5 por cento de subscription, 16 por cento de sponsorships, 7 por cento de CPM e 0 por cento de other. Já a receita recorrente, definida pela empresa como revenue share, CPM/advertising e subscription, representou €50,141 milhões, equivalente a 58 por cento do total.
Por segmento, o Publishing entregou receita de €53,986 milhões, alta de 1 por cento. Dentro desse total, o revenue share representou €27,434 milhões, CPA ficou em €5,402 milhões, subscription em €4,331 milhões, sponsorships em €11,193 milhões, CPM em €5,051 milhões e other em €575 mil.
O EBITDA antes de itens especiais da divisão ficou em €15,392 milhões, com margem de 29 por cento, enquanto o lucro operacional antes da amortização chegou a €13,937 milhões. A empresa explicou que o segmento foi beneficiado pelo crescimento do revenue share, apesar da pressão cambial e dos impactos regulatórios no Brasil. Já a queda do CPA refletiu a combinação de mais contratos em revenue share com impacto positivo dos prediction markets.
Paid Media acelera crescimento
No Paid Media, a receita subiu 12 por cento e chegou a €27,610 milhões. O revenue share representou €11,627 milhões e o CPA ficou em €15,983 milhões.
O EBITDA antes de itens especiais avançou 25 por cento, chegando a €6,765 milhões, com margem de 25 por cento. Segundo a empresa, a divisão continuou em forte crescimento, com equilíbrio entre revenue share e CPA, bom desempenho no Reino Unido antes das mudanças regulatórias de 1º de abril e modelos próprios de inteligência artificial que aumentaram o valor dos depósitos e devem melhorar eficiência e retorno ao longo do tempo.
Já o Esports voltou a crescer, com receita de €4,727 milhões, alta de 8 por cento. O EBITDA antes de itens especiais ficou em €2,929 milhões, com margem de 62 por cento.
A receita de sponsorships da vertical cresceu 29 por cento, chegando a €3,023 milhões, impulsionada pela HLTV. Por outro lado, a receita de CPM caiu 31 por cento, para €1,240 milhão, afetada pelo desempenho mais fraco do novo EA FC e pela menor audiência da FUTBIN. A empresa afirmou que iniciativas como FanReach já foram lançadas para tentar compensar esse movimento e fortalecer a monetização no futuro.
Balanço mostra patrimônio maior e redução de ações
No balanço, a Better Collective terminou março com patrimônio líquido de €639,537 milhões, contra €631,004 milhões no fim de 2025. Os ativos totais chegaram a €1,092 bilhão. Os ativos circulantes somaram €112,404 milhões, enquanto os passivos circulantes ficaram em €64,400 milhões. A dívida líquida atingiu €257,696 milhões.
A empresa destacou que o patrimônio foi beneficiado por €7 milhões de lucro líquido, €6 milhões de conversão cambial positiva e €2 milhões de ajuste de hedge. Em contrapartida, houve impacto negativo de €7 milhões em recompra de ações e €1 milhão em pagamentos baseados em ações. A companhia também informou que concluiu o cancelamento de 3.204.020 ações em tesouraria, equivalentes a 5,2 por cento do capital social em circulação.
Mudanças societárias e parceria com a DraftKings
A Better Collective também detalhou acontecimentos societários do trimestre. Em 9 de janeiro, a assembleia extraordinária aprovou a redução de 5,17 por cento do capital social, e a companhia passou a deter menos de 5 por cento das próprias ações.
Em fevereiro, a empresa informou que a Lind Value II ApS, da Lind Invest, passou a controlar 6,53 por cento do capital e dos votos. Já em março, a Triton Administration adquiriu indiretamente 3.076.663 ações, equivalentes a aproximadamente 5,24 por cento do capital social e dos votos.
Também em março, a empresa anunciou a expansão de conteúdos e produtos voltados a prediction markets para o público americano. Na AGM realizada em 24 de março, o Annual Report 2025 foi aprovado e Thomas Plenborg foi eleito novo chairman do conselho no lugar de Jens Bager. Além disso, a controlada Mindway AI anunciou parceria com a DraftKings para ampliar as ferramentas de jogo responsável.
Para o restante do ano, a empresa manteve suas metas para 2026: crescimento orgânico de receita entre 7 por cento e 12 por cento, crescimento de EBITDA antes de itens especiais entre 8 por cento e 18 por cento, recompra anual de €40 milhões em ações e alavancagem abaixo de 3x.
Para 2027 e 2028, a direção também reforçou o foco em crescimento orgânico, margem de EBITDA entre 35 por cento e 40 por cento, forte geração de caixa e dívida líquida abaixo de 3x. A política de capital continua priorizando redução da dívida quando a alavancagem ultrapassar 3x, investimentos em crescimento orgânico e aquisições seletivas, além de retorno aos acionistas principalmente por meio de recompra de ações.
Estrutura acionária e riscos operacionais
A base societária e operacional também apareceu no relatório. Em 31 de março de 2026, a Better Collective tinha 58.754.850 ações emitidas, capital social de €587.548,50, apenas uma classe de ações e direito de um voto por ação. A empresa continua listada na Nasdaq Stockholm e na Nasdaq Copenhagen, sob os códigos BETCO e BETCO DKK.
O número de acionistas chegou a 5.237, enquanto a diluição máxima dos programas de incentivos de longo prazo foi estimada em 4,72 por cento. O programa de 2026 incluiu 461.012 opções para 56 funcionários-chave, com valor total de €3,5 milhões calculado pelo modelo Black-Scholes.
O relatório também destacou aumento do risco de compliance e financeiro com a expansão na América do Norte e América do Sul. Segundo a empresa, esses riscos estão sendo reduzidos por meio de relacionamento com reguladores, aquisições baseadas em performance e equipes locais de governança, finanças, RH e jurídico.
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