Adeleye Awakan, CEO e fundador da AA Advisory e do FindMoreAfrica.com, moderou um painel sobre o mercado africano de apostas esportivas durante a conferência SiGMA África 2026, realizada em 4 de março de 2026 na The Grand Arena, no complexo GrandWest Casino and Entertainment World.
O painel abordou uma ampla variedade de temas relacionados ao desenvolvimento de produtos, criação de odds e adequação aos mercados locais, com foco em como as operadoras podem estruturar suas ofertas para obter sucesso no continente africano. Além de Awakan, participaram da discussão especialistas da SOFTSWISS, da Genius Sports e da Sportingbet. Entre os nomes presentes estavam Miranda Guliashvili (Diretora de Crescimento Regional da SOFTSWISS), Matt Barker (Diretor Regional para a África da Genius Sports) e Brenton Chelin (Diretor de Produto da Sportingbet/África do Sul).
Reconhecendo a diversidade da África
Os especialistas iniciaram o debate destacando a importância da diversidade do continente africano. Guliashvili apontou uma das principais armadilhas cometidas por novos entrantes: tratar a África como um mercado único e homogêneo, o que leva a estratégias que não se conectam com as realidades locais. “Você não pode simplesmente copiar e colar metodologias da África do Sul na Nigéria ou no Quênia”, afirmou, reforçando a necessidade de desenvolver estratégias específicas para cada país, incorporando métodos de pagamento locais e particularidades culturais relacionadas à forma como as pessoas apostam.
Chelin complementou essa visão ao afirmar que operadoras bem-sucedidas precisam antecipar as idiossincrasias próprias de cada mercado. Embora o futebol seja o esporte número um na maior parte da África, outras modalidades como críquete, rúgbi, tênis e basquete também podem formar uma base secundária de fãs. Caso as operadoras não ofereçam um portfólio suficientemente amplo de eventos esportivos, correm o risco de perder clientes para concorrentes que atendam a essas outras preferências.
Maximizando a aquisição durante grandes torneios
Grande parte da conversa girou em torno da Copa do Mundo e das formas de as operadoras aproveitarem esse tipo de evento para otimizar aquisição e retenção de clientes. Barker destacou que, embora bônus e promoções sejam eficazes para atrair jogadores durante grandes torneios, estratégias mais sofisticadas são necessárias para garantir a fidelização no longo prazo. Entre essas estratégias estão preços competitivos, bet builders, apostas em desempenho de jogadores (player props) e mercados rápidos, que ajudam a manter o engajamento mesmo após o fim do entusiasmo dos grandes eventos. Chelin explicou que o engajamento inicial é fundamental para que as operadoras consigam reter jogadores durante o período de pico dos torneios.
O crescimento dos bet builders
A discussão também abordou a evolução dos bet builders na África. Segundo Barker e Chelin, há um grande potencial de crescimento para esse tipo de produto, que permite ao jogador combinar vários resultados de uma mesma partida em uma única aposta. No entanto, existem diferenças relevantes entre os países. A África do Sul, por exemplo, possui um ambiente fortemente orientado ao online, o que favorece a adoção dos bet builders. Já mercados mais dependentes do varejo físico tendem a apresentar menor probabilidade de sucesso para esse tipo de sistema.
As operadoras podem aumentar as chances de êxito dos bet builders ao incorporar recursos como cash-out e outros produtos complementares, além de aprimorar continuamente suas funcionalidades para fortalecer a fidelização e o engajamento dos usuários.
Guliashvili comparou os bet builders a jogos de ritmo acelerado, observando que os jogadores africanos parecem se interessar por produtos de baixo custo de entrada e alto potencial de retorno. Segundo ela, existem oportunidades para promover outros produtos de cassino por meio dos bet builders, além de utilizá-los como ferramenta estratégica para retenção de longo prazo.
Diversificação entre modalidades esportivas
Um dos temas recorrentes entre os participantes foi a necessidade de ampliar as opções de apostas. As operadoras precisam ir além do futebol e dos esportes profissionais mais populares para manter o interesse dos jogadores ao longo do ano. Por exemplo, oferecer oportunidades aprofundadas de apostas em modalidades como corridas de cavalos, rúgbi e críquete incentiva os usuários a continuarem apostando durante a entressafra esportiva. Além disso, é importante disponibilizar flexibilidade nos mercados de apostas ao vivo, bem como diferentes tipos de handicaps e opções de risco e recompensa, capazes de atender a perfis variados de jogadores.
Estratégias personalizadas para retenção de longo prazo
A sessão foi concluída com o consenso de que o sucesso das apostas esportivas na África depende de produtos personalizados, de um portfólio diversificado e de um compromisso contínuo com o engajamento dos jogadores tanto em grandes eventos quanto em esportes secundários. Ao combinar ferramentas inovadoras com um entendimento profundo dos comportamentos locais, as operadoras conseguem impulsionar tanto a aquisição quanto a retenção em um mercado que cresce rapidamente.
Para mais análises e informações sobre a indústria de jogos e apostas na África, visite o site do Grupo SiGMA.


