No último jogo do Grêmio que aconteceu nesta semana contra o Fluminense, o clube se apresentou em campo com um novo uniforme, estreando sua nova patrocinadora máster, a Energia Bet. A aparição com o novo uniforme também é um anúncio do fim da parceria entre o Grêmio e a Alfa Bet, que foi sua patrocinadora máster durante menos de um ano.
A Alfa Bet havia assinado com o Grêmio, no início de 2025, um contrato de três anos, com valor estimado em cerca de R$ 50 milhões por ano, o maior patrocínio máster da história recente do clube. A promessa era atrativa e ambiciosa, a parceria iria garantir estabilidade financeira e colocar o clube em um patamar competitivo, com recursos maiores para o marketing. Porém, a relação se deteriorou rapidamente. A partir de setembro, a Alfa Bet deixou de repassar as mensalidades previstas, segundo o clube, foram três parcelas consecutivas em atraso, totalizando cerca de R$ 12 milhões. A justificativa apresentada foi de um processo de reorganização societária na empresa. A promessa de quitação só viria em janeiro de 2026.
Com os atrasos no pagamento, o Grêmio precisou recorrer a empréstimos e até à ajuda de investidores para garantir o pagamento de salários de jogadores e demais despesas operacionais. Cansado de esperar, o clube formalizou em 1º de dezembro um pedido de rescisão do contrato com a Alfa Bet. A multa contratual exigida, que inclui os valores devidos mais um adicional proporcional ao restante do acordo, pode elevar a dívida declarada pelo clube para cerca de R$ 42 milhões.
Energia Bet entra como “resgate de emergência”
Diante da crise e da iminência dos dois últimos jogos da temporada, o Grêmio agiu rapidamente e fechou com a Energia Bet para ocupar o espaço no peito da camisa já na partida contra o Fluminense, na Arena. A parceria, provisória, vale apenas para as partidas finais do Campeonato Brasileiro: 2 e 7 de dezembro contra Fluminense e Sport, respectivamente.
Segundo comunicado do clube, a nova parceira vem para “construir uma trajetória vencedora” com o apoio da torcida, comentário feito por Estevão Siqueira, CEO do grupo responsável pela operação da Energia Bet. A empresa afirma estar regularizada no Brasil, com autorização para operar nacionalmente, o que dá respaldo à parceria do ponto de vista legal. Caso não haja renovação do contrato em 2026, a marca ficará estampada apenas nestes dois jogos finais. A diretoria que assumirá no dia 8 de dezembro já terá a missão de renegociar patrocínios e reequilibrar as finanças.
O impacto das casas de apostas no futebol brasileiro
Nos últimos anos, todos os clubes brasileiros têm firmado parcerias com casas de apostas esportivas, e isso fala muito sobre o crescimento do setor no país. Esse tipo de patrocínio, muitas vezes, representa uma injeção de recursos imediatos, superando patrocínios tradicionais de bancos ou empresas de outros setores. Por outro lado, a instabilidade financeira e os riscos associados a operações desse tipo, principalmente quando há atrasos ou problemas de liquidez nas plataformas de aposta, ficam evidentes com casos como o do Grêmio. Isso levanta questões sobre a sustentabilidade a longo prazo desse modelo de patrocínio, principalmente diante de oscilações no mercado regulatório de apostas no Brasil e da volatilidade financeira dessas empresas.
Também pode ser um problema para os clubes se eles passam a depender de recursos externos voláteis para pagar salários, planejamento esportivo, contratações e até a própria saúde financeira da instituição.
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