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ITIA pune tenista argentino por apostas esportivas 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

A Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) anunciou a suspensão e aplicação de multa ao tenista argentino Hernán Casanova por violações relacionadas a apostas esportivas. O caso, embora não envolva manipulação direta de resultados, é um aviso de que a tolerância é zero quando o assunto é a ligação entre atletas e mercados de apostas. 

Segundo a ITIA, Casanova admitiu ter apostado em partidas de tênis e também falhou ao não reportar uma abordagem suspeita relacionada à possível manipulação de resultados, duas infrações previstas no Programa Anticorrupção do Tênis (TACP). Como consequência, o argentino recebeu uma suspensão de dois meses e uma multa de US$ 2 mil, sendo parte do valor suspensa mediante cumprimento das condições impostas pela entidade. 

A punição entrou em vigor em 4 de fevereiro de 2026 e segue até 3 de abril de 2026. Durante esse período, o jogador está proibido de competir, treinar ou comparecer a qualquer evento oficial organizado por entidades vinculadas ao sistema profissional do tênis, incluindo ATP, ITF e Grand Slams. O próprio atleta reconheceu o erro e afirmou que as apostas foram feitas de forma recreativa, sem envolvimento em partidas nas quais estivesse competindo. Ainda assim, a justificativa não altera a gravidade da infração dentro das regras do esporte. 

Por que jogadores não podem apostar em tênis? 

Jogadores, treinadores e qualquer pessoa credenciada não podem apostar em partidas da modalidade em nenhuma circunstância. Mesmo apostas em jogos sem participação direta podem gerar conflitos de interesse, acesso privilegiado a informações ou suspeitas que afetem a credibilidade das competições. Além disso, o regulamento exige que atletas denunciem imediatamente qualquer tentativa de contato suspeito envolvendo manipulação de resultados. A omissão, mesmo sem que a fraude aconteça, já configura violação disciplinar. 

Especialistas apontam que essa rigidez se tornou necessária diante do crescimento das apostas ao vivo, especialmente em torneios menores, onde oscilações de odds podem ocorrer rapidamente e com menor volume de apostas, facilitando manipulações. 

O caso de Casanova também chama atenção para uma realidade conhecida dentro do tênis profissional: a diferença financeira entre jogadores do topo do ranking e atletas que disputam circuitos intermediários. Atualmente fora da elite mundial, o argentino construiu grande parte da carreira em torneios Challenger e ITF, competições fundamentais para a progressão no ranking, mas que oferecem premiações mais modestas. 

Esse cenário é frequentemente citado pela própria ITIA como um fator de risco. Custos com viagens, treinadores e hospedagem muitas vezes superam os ganhos em premiações, aumentando a vulnerabilidade de atletas a propostas irregulares ou aproximações de apostadores. As autoridades do esporte vêm ampliando programas educativos justamente nesses tópicos, reforçando regras e consequências para evitar novos casos. 

O tênis e a luta constante contra manipulação 

Nos últimos anos, o tênis tem sofrido alguns episódios de apostas ilegais. Em 2025, por exemplo, o francês Quentin Folliot recebeu uma suspensão de 20 anos após ser considerado integrante principal em um esquema internacional de manipulação de partidas, além de multa e devolução dos valores obtidos ilegalmente. Outros casos semelhantes também envolveram atletas de diferentes países, incluindo punições longas e até banimentos vitalícios. 

Segundo analistas do setor esportivo, o aumento das investigações não significa necessariamente crescimento da corrupção, mas sim melhoria nos sistemas de monitoramento e cooperação entre federações e operadores de apostas. 

O tênis ocupa uma posição interessante dentro do universo das apostas esportivas. Por ser um esporte individual, qualquer mudança de desempenho pode gerar suspeitas imediatas, principalmente em mercados ao vivo. Isso torna o controle ainda mais rigoroso do que em esportes coletivos. A integridade competitiva depende diretamente da confiança do público, patrocinadores e operadores licenciados. 

Nos últimos anos, plataformas de apostas passaram a colaborar ativamente com as entidades esportivas, compartilhando dados sobre padrões suspeitos de apostas, uma parceria considerada essencial para identificar irregularidades de forma mais rápida. 

Apesar de não haver evidências de manipulação direta de resultados no caso do argentino, a ITIA deixou claro que pequenas infrações também serão punidas. A estratégia da entidade é preventiva. Para jogadores em início ou meio de carreira, o caso serve como alerta. As regras são amplamente divulgadas e fazem parte do treinamento obrigatório de integridade aplicado aos profissionais. 

Impactos para a carreira do jogador 

Embora a suspensão seja curta comparada a outros casos, ela pode afetar significativamente o calendário competitivo de Casanova. Em circuitos menores, perder algumas semanas de competição significa perder pontos no ranking, oportunidades financeiras e ritmo de jogo. Especialistas destacam que, para atletas fora do top 100, interrupções desse tipo podem atrasar meses ou até anos de evolução esportiva. 

Ainda assim, a punição também é vista como uma oportunidade de recomeço, já que não houve acusação de manipulação direta. 

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