O céu pode ter escurecido sobre Las Vegas, mas o cenário geral segue em alta para o setor de jogos nos Estados Unidos. Em maio de 2025, o país bateu um novo recorde histórico: segundo o relatório Commercial Gaming Tracker (ou Indicador de Jogos Comerciais, em português) da Associação Americana de Jogos (American Gaming Association – AGA), o mercado de jogos comerciais movimentou US$ 6,73 bilhões em receita — o maior valor já registrado no mês, com crescimento de 10,9% em relação a maio do ano passado.
Por trás desses números, no entanto, há mais do que uma economia aquecida. Tendências estruturais vêm remodelando as bases da indústria americana de jogos — com impacto crescente em outros mercados ao redor do mundo.
Cassinos físicos seguem relevantes e sustentam o crescimento
O segmento tradicional — composto por caça-níqueis e jogos de mesa — continua sendo a espinha dorsal do setor, gerando US$ 4,45 bilhões em maio. As slots, soberanas no salão dos cassinos, cresceram 4,4% no comparativo anual, somando US$ 3,24 bilhões. Já os jogos de mesa registraram US$ 894 milhões, avanço de 3,3%.
Esses resultados reforçam a resiliência dos cassinos físicos e o valor da experiência presencial, que ainda oferece um apelo social e sensorial difícil de replicar no digital. É sobre essa base sólida que o ecossistema mais amplo de jogos continua a evoluir.
Explosão digital: iGaming e apostas online ganham protagonismo
O motor do crescimento, no entanto, está no ambiente digital. O setor de iGaming — plataformas online de cassino regulamentadas — alcançou US$ 899,8 milhões em receita, salto expressivo de 33% em relação a maio de 2024. As apostas esportivas online também avançaram, com aumento de 21,4%.
Somadas, as modalidades digitais geraram US$ 2,19 bilhões, o que representa quase um terço de toda a receita mensal do setor.
Esse movimento confirma uma mudança que a SiGMA News acompanha de perto: a digitalização do setor de jogos não é mais tendência tecnológica — é uma transformação estrutural que altera o comportamento do usuário, redesenha mercados e exige novos modelos regulatórios.
Nem todos acompanham o ritmo: três estados em queda
Apesar do desempenho positivo no cenário nacional, três estados apresentaram retração na receita:
- Nevada: – 3.4%
- Dakota do Sul: – 2.7%
- Delaware: – 1.0%
A queda em Nevada, capital mundial dos jogos, é particularmente simbólica. Ela sinaliza que o modelo exclusivamente presencial pode estar chegando ao seu limite e precisa se reinventar. Nem mesmo a icônica Las Vegas Strip tem conseguido competir com a conveniência e a agilidade das plataformas online.
Crescimento acelerado em mercados emergentes
Enquanto isso, diversos estados vêm apresentando taxas de crescimento impressionantes:
- Nebraska: + 149.8%
- Virgínia: + 36.1%
- Virgínia Ocidental: + 24.4%
- Illinois: + 22.7%
- Nova Jersey: + 10.9%
Esses estados têm conseguido integrar com sucesso as operações presenciais e digitais, combinando inovação com regulamentação eficaz. Nova Jersey, em especial, continua sendo referência global em implementação responsável e sustentável do iGaming.
Desempenho acumulado (jan-mai/2025)
Entre janeiro e maio de 2025, a receita total dos jogos comerciais nos EUA chegou a US$ 31,89 bilhões, representando um crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado sustenta a tendência positiva do setor no médio prazo.
A nova cara dos jogos nos EUA
Os números de maio não são apenas marcos econômicos — são sinais claros de uma transformação profunda: da experiência puramente presencial para um modelo omnicanal, da centralização nos cassinos físicos para um jogador mais conectado, móvel e exigente.
Hoje, o setor de jogos americano deixou de ser apenas entretenimento. Tornou-se um ecossistema sofisticado, com potencial para influenciar reguladores e operadores não só na Europa, mas também em mercados emergentes do Golfo, da Ásia e da América Latina. Quem souber se adaptar agora, estará liderando amanhã.
Este artigo foi publicado originalmente em italiano em 28 de julho de 2025.



