A exchange japonesa de criptomoedas Bitbank alertou seus usuários de que transações relacionadas a plataformas de mercados de previsão, como a Polymarket, poderão resultar em restrições de conta, citando normas previstas pela legislação japonesa sobre jogos de azar.
Em comunicado divulgado na segunda-feira, a corretora informou que poderá suspender ou limitar contas identificadas como remetentes ou destinatárias de recursos vinculados a serviços de mercados de previsão. Essas plataformas permitem que usuários negociem previsões sobre resultados de eventos futuros, incluindo eleições, competições esportivas e indicadores econômicos.
A Bitbank afirmou que clientes afetados por essas medidas poderão perder acesso a funções essenciais da conta, como depósitos e saques de criptomoedas, serviços de negociação e até mesmo o login na plataforma. A empresa também destacou que não se responsabilizará por eventuais prejuízos decorrentes dessas restrições.
A companhia não informou se o alerta foi motivado por alguma ação regulatória específica. Ainda assim, ressaltou que atividades em mercados de previsão que envolvam apostas financeiras sobre eventos futuros podem representar riscos legais à luz das regulamentações japonesas sobre jogos de azar.
Mercados ganham espaço na Ásia
O anúncio ocorre em um momento em que os mercados de previsão vêm atraindo cada vez mais atenção de reguladores ao redor do mundo. Antes considerados um segmento de nicho dentro da indústria cripto, plataformas como a Polymarket e a Kalshi expandiram rapidamente sua atuação ao oferecer mercados relacionados a eleições, resultados esportivos, acontecimentos globais e indicadores econômicos.
Enquanto defensores do modelo argumentam que essas plataformas oferecem uma nova forma de prever acontecimentos do mundo real, reguladores em diversas jurisdições ainda discutem se os mercados de previsão devem ser classificados como produtos financeiros ou serviços de apostas.
O Japão continua sendo um dos mercados mais rigorosos para atividades relacionadas ao jogo. A maior parte das modalidades de apostas é proibida pela legislação local. No entanto, loterias públicas e corridas de cavalos autorizadas pelo governo permanecem legais. O país também possui uma ampla indústria de pachinko, que opera sob uma estrutura específica que evita a realização direta de apostas em dinheiro.
Plataforma busca aprovação
Nesse contexto, a Polymarket atualmente bloqueia o acesso de usuários localizados no Japão e inclui o país entre suas jurisdições restritas. Ainda assim, relatos indicam que a empresa já estuda formas de estabelecer uma presença futura no mercado japonês. O alerta da Bitbank surge poucas semanas após informações apontarem que a Polymarket estaria avaliando uma expansão para o Japão, apesar das rígidas restrições do país em relação às apostas.
Segundo a Bloomberg, a empresa nomeou Mike Eidlin, atual responsável pelas operações da Jupiter no Japão, para liderar seus esforços no mercado local. Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que a Polymarket espera obter autorização para operar no Japão até 2030, enxergando o país como uma importante oportunidade de crescimento de longo prazo.
Apesar dessas ambições, o Japão continua figurando entre as 35 jurisdições restritas da plataforma. Atualmente, usuários locais não podem acessar o serviço devido a exigências regulatórias e de conformidade.
Os planos reportados surgem em meio à estratégia da Polymarket de ampliar sua atuação além de seus mercados tradicionais. Recentemente, a empresa lançou uma versão da plataforma em chinês e vem intensificando seu foco nos usuários asiáticos, acompanhando o crescimento global do interesse por mercados de previsão.
A companhia também fortaleceu sua posição nos Estados Unidos por meio da aquisição da QCEX, movimento que permitiu o lançamento de uma oferta regulamentada em âmbito federal para clientes norte-americanos. Ainda assim, a decisão da Bitbank evidencia a postura cautelosa adotada por parte do setor de criptomoedas no Japão.
Embora os mercados de previsão continuem avançando internacionalmente, sua situação jurídica permanece indefinida em muitas jurisdições, obrigando operadores e usuários a navegar por um ambiente regulatório complexo e em constante evolução.
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