O Star Entertainment Group reduziu em 70% seu prejuízo de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no quarto trimestre do ano fiscal de 2026. A operadora australiana de cassinos registrou um prejuízo de AUD 8 milhões (US$ 5,6 milhões) no EBITDA nos três meses encerrados em 30 de junho de 2026, impulsionado pela redução de custos e pelo aumento do volume de jogos no The Star Gold Coast.
O resultado representa uma melhora de 70% em relação ao prejuízo de AUD 27 milhões (US$ 18,9 milhões) registrado no mesmo período do ano anterior. No entanto, o desempenho foi inferior ao do trimestre anterior, quando a empresa havia reportado um prejuízo de apenas AUD 1 milhão (US$ 698,5 mil) no EBITDA.
A receita do trimestre totalizou AUD 265 milhões (US$ 185 milhões), praticamente estável em relação ao trimestre anterior e 2% menor na comparação anual. As despesas operacionais caíram 11%, para AUD 206 milhões (US$ 144 milhões), refletindo a continuidade das medidas de redução de custos implementadas em todo o grupo.
Gold Coast supera Sydney
A Star informou que as operações de seu cassino em Sydney “se estabilizaram”, embora o desempenho permaneça em níveis historicamente baixos após a implementação das reformas regulatórias. A receita do The Star Sydney cresceu 2% em relação ao trimestre anterior, alcançando AUD 150 milhões (US$ 105 milhões), mas recuou 7% na comparação com o mesmo período do ano passado. O EBITDA da propriedade caiu 35%, para AUD 10 milhões (US$ 7 milhões), enquanto o segmento de Sydney registrou um prejuízo de AUD 10 milhões em EBITDA após a alocação dos custos corporativos.
A receita proveniente dos jogos em Sydney diminuiu 4% na comparação anual, devido à redução do volume de apostas nos jogos de mesa. Segundo a empresa, a receita média diária caiu 20% desde a implementação obrigatória do sistema de carded play, que exige a identificação dos jogadores por meio de um cartão para participar das atividades de jogo.
Em contrapartida, o The Star Gold Coast apresentou o melhor desempenho entre todas as operações do grupo. A receita aumentou 12% em relação ao ano anterior, atingindo AUD 107 milhões (US$ 74,7 milhões), enquanto o EBITDA da propriedade cresceu 51%, para AUD 22 milhões (US$ 15,4 milhões).
A receita proveniente dos jogos aumentou 21%, impulsionada pelo maior movimento tanto nos jogos de mesa quanto nas máquinas eletrônicas de jogos. Após a alocação dos custos corporativos, o segmento Gold Coast registrou um EBITDA de AUD 13 milhões (US$ 9,1 milhões), ante AUD 2 milhões (US$ 1,4 milhão) no mesmo período do ano anterior.
Receitas com taxas de operação em Brisbane caem após saída do Queen’s Wharf
As receitas relacionadas ao The Star Brisbane recuaram significativamente após a empresa concluir, em abril, a primeira etapa de sua saída da joint venture Destination Brisbane Consortium (DBC).
As receitas provenientes das taxas de operação caíram de AUD 15 milhões (US$ 10,5 milhões) no trimestre anterior para AUD 5 milhões (US$ 3,5 milhões), após alterações no Casino Management Agreement, contrato que rege a administração do resort integrado. Pelo novo acordo, a Star receberá uma taxa fixa anual de administração de AUD 18 milhões (US$ 12,6 milhões), além de incentivos vinculados ao desempenho, sujeitos à aprovação regulatória.
O segmento de Brisbane registrou um prejuízo de AUD 12 milhões (US$ 8,4 milhões) em EBITDA após a alocação dos custos corporativos. Enquanto isso, o Treasury Brisbane apresentou um pequeno lucro de AUD 1 milhão (US$ 700,4 mil) em EBITDA.
Posição de caixa é reforçada com refinanciamento
O caixa e os equivalentes de caixa da Star aumentaram para AUD 267 milhões (US$ 187,01 milhões) em 30 de junho de 2026, ante AUD 120 milhões (US$ 84,05 milhões) registrados três meses antes. O aumento ocorreu principalmente após a conclusão de uma operação de refinanciamento garantido no valor de AUD 390 milhões, concedida pela WhiteHawk Capital Partners. Finalizada em maio, a operação elevou a liquidez disponível em aproximadamente AUD 130 milhões (US$ 91,05 milhões) e substituiu as linhas de crédito anteriormente existentes.
O fluxo de caixa operacional foi positivo em AUD 31,8 milhões (US$ 22,27 milhões) durante o trimestre, impulsionado pela liberação de taxas de operação de Brisbane que estavam anteriormente bloqueadas em conta de garantia (escrow) e por um reembolso tributário de AUD 18,1 milhões (US$ 12,68 milhões). Apesar dessa melhora, o fluxo de caixa operacional acumulado de todo o exercício fiscal permaneceu negativo em AUD 101,1 milhões (US$ 70,81 milhões).
Riscos para a continuidade das operações permanecem
Apesar dos avanços no refinanciamento e na reestruturação de ativos, a Star alertou que sua capacidade de continuar operando como empresa em funcionamento (going concern) ainda depende da resolução de um número limitado de incertezas relevantes, algumas das quais permanecem fora do controle da companhia.
A empresa afirmou que solucionou diversas questões importantes ao longo do ano, incluindo a conclusão da primeira etapa de sua saída do Queen’s Wharf e a obtenção do refinanciamento. Ainda assim, advertiu que não há garantias de que todas as incertezas remanescentes sejam resolvidas antes da apresentação de suas demonstrações financeiras auditadas referentes ao exercício de 2026.
Os resultados mais recentes foram divulgados enquanto a Star continua seu processo de recuperação após anos de intenso escrutínio regulatório, que resultaram em suspensões de licenças, multas financeiras e falhas de conformidade relacionadas aos controles de prevenção à lavagem de dinheiro e à governança corporativa. No início deste mês, a empresa também encerrou uma longa disputa tributária com o Australian Taxation Office (ATO) referente a pagamentos históricos realizados a operadores de junkets.
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