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Como se preparar para a Copa do Mundo como operador de apostas esportivas

Isaac Saliba
Escrito por Isaac Saliba
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Grandes torneios, como a Copa do Mundo FIFA de 2026, atualmente em andamento, representam muito mais do que apenas uma oportunidade de marketing. Segundo Alexander Kamenetskyi, Diretor de Apostas Esportivas da SOFTSWISS, esses eventos impulsionam de forma concreta o engajamento dos apostadores e servem como um verdadeiro teste para a capacidade operacional das casas de apostas. Em entrevista à SiGMA News, Kamenetskyi explicou como o mercado costuma se comportar durante competições de grande porte e de que forma as operadoras se preparam para lidar com o aumento expressivo da demanda.

Grandes eventos amplificam os padrões já existentes no mercado

Questionado sobre se a audiência do mercado apresenta um comportamento significativamente diferente durante eventos dessa magnitude ou se o cenário apenas reflete o comportamento habitual em uma escala maior, Kamenetskyi afirmou que a dinâmica permanece essencialmente a mesma, porém com padrões muito mais intensos.

Segundo ele, ao comparar os dados do período entre 1º e 10 de junho, imediatamente antes do início do torneio, com os primeiros dias após o pontapé inicial da competição, observa-se que o número de jogadores ativos mais do que dobrou. O volume de apostas acompanhou esse crescimento.

Apesar desse aumento expressivo na atividade, Kamenetskyi destacou um dado relevante: o valor médio das apostas permaneceu estável. “Esse é um comportamento que nem sempre acontece quando a base de usuários cresce tão rapidamente”, explicou.

Por se tratar de um evento da dimensão da Copa do Mundo, com alcance global e enorme atenção do público, o produto não atrai apenas apostadores frequentes. Também passa a engajar um público mais amplo, composto por torcedores acompanhando suas seleções nacionais, partidas de destaque, jogadores renomados e toda a cobertura midiática em torno da competição.

De acordo com Kamenetskyi, esses usuários tendem a concentrar suas apostas em mercados mais familiares, como resultados de partidas, totais, handicaps, apostas ao vivo, mercados relacionados a jogadores e apostas combinadas personalizadas (bet builders). “No entanto, tanto a frequência de participação quanto o envolvimento emocional aumentam consideravelmente”, acrescentou.

Para as operadoras, isso significa que a Copa do Mundo funciona, na prática, como um teste completo da estrutura operacional, e não apenas como um período de tráfego elevado. 

Segundo o executivo, fatores como estabilidade da plataforma, gestão de risco, definição de limites, suporte ao cliente, operações de apostas ao vivo, mecânicas promocionais, comunicação com os jogadores e ferramentas de controle para usuários precisam estar totalmente preparados antes mesmo do início do torneio. “Torneios como este são um indicador perfeito para avaliar se um produto e um modelo operacional foram realmente construídos para sustentar o crescimento”, afirmou.

Reguladores intensificam a atenção durante grandes eventos esportivos

Diversos reguladores europeus, incluindo a Autoridade de Jogos de Malta (MGA), divulgaram orientações antes da Copa do Mundo recomendando que operadores licenciados reforçassem seus mecanismos de monitoramento e conformidade.

Ao ser questionado sobre um possível aumento da supervisão regulatória em função de um evento tão relevante no calendário esportivo, Kamenetskyi afirmou que a SOFTSWISS não identificou nenhum aumento extraordinário na intervenção dos reguladores especificamente por causa da Copa do Mundo.

Segundo ele, as autoridades continuam adotando a mesma abordagem normalmente aplicada a grandes eventos esportivos. Ainda assim, ressaltou que uma supervisão considerada “padrão” não significa uma fiscalização menos rigorosa.

Aspectos como publicidade, ofertas promocionais, proteção ao jogador, jogo responsável e a forma como as operadoras se comunicam com novos usuários ou apostadores ocasionais recebem atenção especial durante competições desse porte.

“Esse é um ambiente de trabalho normal para um grande evento. Operadores que possuem um planejamento sólido de conformidade regulatória não terão dificuldades. Isso simplesmente faz parte da operação do negócio”, comentou.

Ao resumir sua análise, o Diretor de Apostas Esportivas da SOFTSWISS destacou que a Copa do Mundo não deve ser encarada apenas como um período de tráfego elevado ou uma oportunidade promocional. Para ele, o torneio funciona como um verdadeiro teste da maturidade operacional de uma casa de apostas.

“O aumento da atividade não se traduz automaticamente em resultados. Atrair jogadores é apenas uma parte da equação. As operadoras também precisam conduzir esses usuários pela experiência do produto, mantê-los engajados após o término do torneio e preservar o equilíbrio entre gestão de risco e experiência do cliente durante toda a competição”, afirmou.

Kamenetskyi concluiu dizendo que é justamente por esses motivos que operadores mais estruturados se preparam para eventos de grande escala, como a Copa do Mundo, por meio de um trabalho coordenado entre diferentes áreas da empresa, incluindo produto, conformidade regulatória, operações, marketing e gestão de risco.

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