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Espanha soa o alarme sobre jogos de azar entre menores: relatório do Ministério levanta preocupação

Tony Colapinto
Escrito por Tony Colapinto
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O Ministério dos Direitos Sociais, do Consumo e da Agenda 2030 da Espanha divulgou os resultados de um estudo que evidencia os riscos do jogo entre adolescentes. A análise, baseada na pesquisa ESTUDES, conduzida pelo Observatório Espanhol sobre Drogas e Adições, foca em estudantes de 14 a 18 anos, oferecendo um panorama detalhado de seus hábitos e dos desafios associados ao contato precoce com apostas e jogos de azar.

A avaliação dos dados foi conduzida pela Direção-Geral de Regulamentação do Jogo, que identificou sinais preocupantes: ainda há falta de programas específicos de prevenção e de formação adequada para lidar com os riscos relacionados ao jogo.

Prevenção ainda insuficiente nas escolas

Os números mostram que a conscientização em ambiente escolar está longe de ser satisfatória. Apenas 48,4% dos estudantes afirmaram ter recebido informações sobre os perigos e consequências do jogo e das apostas. Esse índice é especialmente baixo quando comparado a outras áreas consideradas de risco: 74% relataram ter recebido orientação sobre uso problemático de novas tecnologias e 72,3% sobre consumo de drogas legais.

Essa disparidade revela uma lacuna estrutural nos currículos escolares e reforça a necessidade urgente de iniciativas educativas específicas para conscientizar adolescentes sobre os riscos do jogo.

A propagação do jogo entre adolescentes

Outro aspecto crítico diz respeito à prática efetiva de jogos com dinheiro. Quase um em cada cinco entrevistados (19,8%) admitiu já ter apostado ao menos uma vez. A maioria dessas experiências ocorreu presencialmente (16,6%), contra 9% que jogaram online.

Os dados mostram ainda um crescimento progressivo com a idade: 13% dos jovens de 14 anos disseram já ter apostado presencialmente, percentual que sobe para 19,5% aos 17 anos. As diferenças entre gêneros também chamam atenção: 26,8% dos meninos já haviam jogado, mais que o dobro dos 12,6% das meninas. A idade média de início de 13,9 anos evidencia uma exposição precoce, interpretada pelo Ministério como sinal de grande vulnerabilidade.

Frequência e gastos: um quadro apenas parcialmente positivo

Por um lado, 62,5% dos jovens que afirmaram jogar disseram fazê-lo apenas uma vez por ano, e a maioria (63,2%) gastou até seis euros em um único dia. Por outro lado, o número de estudantes que apresentam indicadores de comportamento problemático segue significativo.

De acordo com a pesquisa, 3,7% dos entrevistados exibem sinais de risco. Entre meninos, a taxa é três vezes maior (5,5%) em comparação com as meninas (1,9%). Essa diferença de gênero reforça a importância de medidas de prevenção e acompanhamento que considerem tanto a idade quanto o sexo dos jovens.

Jogos mais arriscados e categorias de maior envolvimento

Nem todas as formas de jogo apresentam o mesmo nível de risco. O estudo classifica em três categorias: tipo I – loterias e bolões de futebol; tipo II – raspadinhas e bingo; tipo III – apostas esportivas, caça-níqueis e jogos de cartas.

O tipo III desponta como o mais problemático, com risco de 26%, superior aos 19% do tipo I e 18% do tipo II. Dentro do tipo III, as atividades mais arriscadas incluem apostas em corridas de cavalos, apostas em eSports e caça-níqueis. O estudo ressalta que o risco aumenta conforme a frequência das apostas e os valores gastos, tornando essas modalidades altamente atrativas, mas também propensas ao desenvolvimento de dependência.

A posição do Ministério e próximos passos

Diante dos resultados, o Ministério do Consumo destacou que a pesquisa é uma ferramenta essencial para a formulação de estratégias eficazes de prevenção. O objetivo é adiar o contato precoce com o jogo e agir rapidamente em casos em que surgem indicadores de risco.

O panorama revelado pela pesquisa ESTUDES não é apenas um retrato dos hábitos dos jovens espanhóis, mas também um alerta às instituições, escolas e famílias. A necessidade de políticas públicas integradas e campanhas de conscientização direcionadas é evidente. Só por meio de uma abordagem sistemática será possível enfrentar as vulnerabilidades de uma faixa etária que, devido à sua fragilidade, corre o risco de desenvolver comportamentos nocivos que podem se estender à vida adulta.

Um alerta para a Europa

O caso espanhol insere-se em um contexto mais amplo, no qual a proteção de menores contra os riscos do jogo ocupa cada vez mais espaço no debate político e regulatório europeu. A análise conduzida pelo Ministério do Consumo não é apenas um exercício estatístico, mas um alicerce para futuras políticas públicas.

Com a expansão das oportunidades de jogo, tanto no ambiente físico quanto online, os resultados funcionam como um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Para a Espanha — e, de forma mais ampla, para a Europa — o desafio será transformar as evidências em ações concretas, protegendo os jovens e evitando que a dependência se instale desde a adolescência.

Este artigo foi publicado originalmente em italiano em 16 de setembro de 2025.

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