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iGaming África: fornecedores globais ampliam presença em mercados regulados

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

A África continua desenvolvendo seu mercado de apostas e despertando o interesse financeiro de empresas internacionais. Um dos exemplos mais recentes desse interesse envolve a desenvolvedora da Aviator, SPRIBE, que passou a integrar a African iGaming Alliance (AiA), associação que representa operadores licenciados em 20 jurisdições do continente. O movimento ocorre em um momento de expansão das apostas online em diversos países africanos, com um grande crescimento das apostas online em países africanos, impulsionado pela popularização dos smartphones, pela ampliação do acesso à internet e pelo avanço das regulamentações do setor.

Embora os termos financeiros da parceria não tenham sido divulgados, a adesão da SPRIBE como membro Platinum Supplier da AiA indica um interesse crescente de fornecedores internacionais em acompanhar a evolução regulatória dos mercados africanos. A colaboração prevê iniciativas relacionadas a pesquisas setoriais, diálogo com reguladores, programas de jogo responsável e discussões sobre políticas públicas voltadas à indústria de apostas.

O interesse internacional pelo continente acompanha a expansão da economia digital africana. Segundo a GSMA, as tecnologias e serviços móveis contribuíram com $240 bilhões para a economia africana Subsaariana em 2025, o equivalente a 7,8 por cento do PIB do continente, valor que deve alcançar $290 bilhões até 2030.

A disseminação do dinheiro móvel também favorece a expansão das apostas online. A região concentra mais de 1,1 bilhão de contas registradas de mobile money, representando mais de dois terços do total global. Serviços como o M-Pesa, amplamente utilizado no Quênia, permitem que apostadores depositem e retirem valores diretamente pelo celular, sem a necessidade de contas bancárias tradicionais.

Segundo a African iGaming Alliance, o objetivo é contribuir para a construção de mercados sustentáveis e comercialmente viáveis, além de incentivar medidas capazes de reduzir a atuação de operadores ilegais e aumentar a participação de empresas devidamente licenciadas.

Mercado africano ganha relevância no cenário global

Nos últimos anos, diversos países africanos passaram a revisar suas regras para apostas esportivas e jogos online. A África do Sul permanece como um dos mercados mais desenvolvidos da região, enquanto países como Quênia, Nigéria e Gana também apresentam elevada atividade no segmento. Em algumas dessas jurisdições, o crescimento do setor levou governos a discutir formas de ampliar a arrecadação tributária e reforçar mecanismos de proteção ao consumidor.

A GSMA estima que a África Subsaariana deverá alcançar cerca de 751 milhões de assinantes móveis até 2030. O crescimento da conectividade tem sido apontado como um dos principais fatores para a expansão das apostas digitais no continente. O futebol desempenha um papel importante nesse processo. Competições europeias, como a Premier League e a Liga dos Campeões, possuem grande audiência em vários países africanos e ajudam a impulsionar o volume de apostas esportivas.

Ao mesmo tempo, as categorias mais recentes de jogos online também vêm ampliando sua presença no continente. Entre elas estão os jogos crash, caracterizados por partidas rápidas e mecânicas simplificadas.

O continente tornou-se particularmente importante para a SPRIBE devido à popularidade do Aviator. Diferentemente dos jogos de cassino tradicionais, os títulos da categoria crash exigem apostas de baixo valor e oferecem rodadas curtas, características que se adaptam ao perfil de consumidores que acessam plataformas por smartphones e utilizam meios de pagamento digitais. O formato ganhou popularidade em diversos mercados africanos, especialmente em países onde as apostas por dispositivos móveis predominam, onde o uso de celulares para atividades financeiras já faz parte do cotidiano de milhões de pessoas.

O crescimento do setor coincide com um momento em que os operadores buscam diversificar suas receitas para além dos mercados maduros da Europa e da América do Norte. Dados da H2 Gambling Capital indicam que a receita bruta de jogos (GGR) proveniente de mercados regulados africanos deverá registrar uma taxa média de crescimento anual superior a 16 por cento entre 2019 e 2030, superando o desempenho esperado para operações offshore.

A África do Sul continua sendo a principal jurisdição do continente em termos de receitas, mas países como Quênia, Uganda e Gana devem ganhar participação ao longo da década.

Os desafios permanecem

Mesmo com as perspectivas positivas, o avanço das apostas online no continente também levanta preocupações relacionadas ao jogo excessivo, especialmente entre a população jovem. As autoridades do Quênia e de Uganda, por exemplo, já anunciaram medidas para reforçar controles sobre publicidade e ampliar campanhas de conscientização sobre os riscos associados ao jogo problemático. Regulamentações bem estruturadas podem ajudar a direcionar os consumidores para operadores autorizados, oferecendo ambientes mais seguros e mecanismos adequados de proteção ao usuário.

Apesar das oportunidades, a regulamentação continua fragmentada. Em muitos países africanos, as regras para apostas esportivas, jogos online e publicidade ainda diferem significativamente entre jurisdições.

Há ainda desafios relacionados à proteção do consumidor. A GSMA estima que cerca de 63 por cento da população da África Subsaariana coberta por redes móveis ainda não utiliza a internet regularmente, devido a barreiras como custo dos dispositivos, alfabetização digital limitada e preocupações com segurança online.

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