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Macau registra alta de 63% em crimes ligados a jogos de azar em 2025

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Macau registrou um aumento significativo nos crimes relacionados a jogos de azar em 2025, com 2.373 casos ao longo do ano — alta de 63% em comparação com os 1.456 registrados em 2024. Autoridades afirmam que boa parte desse crescimento está ligada a mudanças recentes na legislação, que passaram a classificar a troca ilegal de dinheiro como crime, ampliando a identificação e a repressão dessas práticas.

No centro desse aumento estão as chamadas “quadrilhas de câmbio ilegal”, envolvidas em operações não autorizadas de troca de moeda voltadas ao jogo. Os casos nessa categoria saltaram de 89 para 471 — um crescimento expressivo de 429%. Em muitos casos, esses grupos operam de forma estruturada e estão associados a outros tipos de crimes financeiros.

As fraudes também apresentaram forte alta, com o número de ocorrências praticamente dobrando, de 333 para 667. Segundo as autoridades, muitas dessas infrações estão ligadas a esquemas clandestinos de câmbio, reforçando preocupações sobre um ecossistema mais amplo de fluxos financeiros ilícitos dentro da indústria de cassinos em Macau.

Também houve aumento nos episódios de violência. Os roubos relacionados a jogos passaram de quatro para 14 casos, enquanto crimes como agressão e intimidação cresceram cerca de 60%. Embora os números absolutos ainda sejam relativamente baixos, eles indicam maior instabilidade em determinados segmentos do setor.

Queda em crimes tradicionais ligados ao jogo

Apesar da alta geral, alguns crimes tradicionalmente associados ao setor apresentaram queda. Os casos de cárcere privado diminuíram 40%, o que pode indicar menor uso de práticas coercitivas na cobrança de dívidas. A agiotagem também recuou cerca de 23%, com os registros caindo de 252 para 194. As autoridades destacaram ainda que crimes envolvendo grupos organizados e apostas ilegais realizadas “por fora” caíram mais da metade, sugerindo que ações de fiscalização direcionadas estão conseguindo desarticular redes já estabelecidas.

Grande parte do aumento recente está relacionada a uma mudança legal que entrou em vigor em 17 de outubro de 2024. Com a Lei 20/2024, atividades que antes eram tratadas como infrações administrativas passaram a ser enquadradas como crime. A troca de moeda não autorizada ligada a jogos pode resultar em penas de até cinco anos de prisão, além de proibições de acesso a cassinos que variam de dois a dez anos. As regras também foram endurecidas dentro dos próprios cassinos, onde qualquer atividade de câmbio tende a ser considerada relacionada ao jogo, salvo prova em contrário.

Essa mudança representa uma ruptura com o modelo anterior. Sob a Lei 13/2023, esses casos eram tratados majoritariamente como infrações administrativas, com multas que variavam de 500 mil patacas (cerca de US$ 62 mil) a 5 milhões de patacas (US$ 620 mil), podendo chegar a 10 milhões de patacas (US$ 1,24 milhão) em situações mais graves. A adoção de sanções criminais evidencia o quanto as autoridades passaram a tratar o tema com maior rigor, diante da dimensão e dos riscos envolvidos.

Câmbio ilegal no centro das atenções

Macau é a única região da China onde o jogo em cassinos é permitido, o que naturalmente atrai um volume significativo de movimentações financeiras informais. Muitos jogadores recorrem a redes paralelas de câmbio para contornar os controles cambiais do continente, trocando yuan por dólares de Hong Kong fora do sistema oficial. Essas redes frequentemente estão associadas à lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fraudes.

Segundo as autoridades, a repressão já começa a surtir efeito. O número de quadrilhas ativas caiu de forma acentuada, passando de 1.292 no início de 2024 para 350 no final do ano. Órgãos como a Autoridade Monetária de Macau afirmam que continuarão intensificando as ações contra canais não licenciados, com o objetivo de proteger a integridade do sistema financeiro.

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