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Política, blockchain e democracia econômica: a visão de Marcello Coppo

Content Team
Escrito por Content Team
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Em conversa com o jornalista Giampiero Moncada, do PressGiochi, o deputado Marcello Coppo compartilhou sua visão sobre como a tecnologia blockchain e as criptomoedas podem transformar a economia e a sociedade. Além de parlamentar, Coppo é autor de um romance inspirado no universo do Bitcoin — “Tu, Satoshi, perché?” (“Você, Satoshi, por quê?”), obra com a qual busca tornar um tema complexo e muitas vezes distante mais acessível ao público, mostrando como a blockchain pode ter impacto direto na vida cotidiana das pessoas.

No centro de sua reflexão está a ideia de que a blockchain representa um novo modo de transferir valor — uma evolução que não diz respeito apenas a especialistas em finanças ou tecnologia, mas a todos, de cidadãos comuns a governos. Segundo Coppo, existem hoje três principais ferramentas de transferência de valor: Bitcoin, stablecoins e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Cada uma delas representa uma visão diferente sobre o futuro da economia global.

O debate aconteceu durante a SiGMA Europa Central, realizada nesta semana na Fiera Roma.

Novas formas de transferir valor

Por definição, o Bitcoin é descentralizado e acessível, um sistema que não pertence a ninguém, mas pode ser utilizado por todos. Já as CBDCs são centralizadas e geridas diretamente pelos bancos centrais, oferecendo estabilidade, mas levantando preocupações sobre privacidade e controle.

As stablecoins, de acordo com Coppo, funcionam como uma ponte entre as finanças tradicionais e o universo digital — instrumentos que preservam o valor das moedas fiduciárias, mas com a agilidade e a flexibilidade do ecossistema cripto.

Para Coppo, o verdadeiro desafio está em equilibrar inovação e regulamentação. Ele observa que a Itália já reconhece legalmente as criptomoedas, estabelecendo regras tributárias e um arcabouço jurídico específico. Ainda assim, a diretriz principal vem da União Europeia, que define as normas gerais para que os países as adaptem internamente. No entanto, o quadro regulatório europeu pode ser excessivamente rígido, como se percebe no caso do MiCA (Markets in Crypto-Assets).

O objetivo, segundo Coppo, não deve ser restringir as criptomoedas, mas criar um ambiente em que inovação e segurança possam coexistir. Ele vislumbra um futuro em que stablecoins lastreadas em euro possam fortalecer a moeda europeia e oferecer uma alternativa sólida à predominância do dólar e dos ativos digitais norte-americanos.

O euro digital pode ser a solução?

Ao falar sobre o Euro Digital, Coppo faz uma distinção clara entre esse projeto e as stablecoins. O primeiro, explica ele, é uma moeda digital de banco central, ou seja, um sistema totalmente centralizado. Embora útil, não representa uma inovação genuína, tampouco resolve as limitações estruturais do sistema financeiro europeu.

O Euro Digital pode funcionar como um instrumento de apoio, mas não como a solução definitiva. Para que haja verdadeira inovação, Coppo defende abertura, experimentação e uma abordagem mais flexível em relação às novas tecnologias.

Um dos principais desafios, segundo ele, é conciliar segurança e desenvolvimento. Questionado se regras mais permissivas poderiam abrir espaço para atividades ilegais, Coppo enfatiza a importância de uma regulamentação proporcional. O maior erro, diz ele, é aplicar o mesmo conjunto de regras a todos os tipos de projetos, independentemente do porte ou da natureza.

Um sistema desenhado apenas para grandes operadores inevitavelmente sufoca startups e inibe a inovação na base, justamente onde nascem novas ideias e soluções.

Por isso, Coppo defende uma abordagem diferenciada, em que as regulamentações sejam adaptadas ao tipo de atividade e ao nível de risco. Só assim as autoridades poderão manter o controle sem paralisar a criatividade e o crescimento. Ainda assim, ele reconhece que essa é uma questão em aberto: a política ainda não encontrou o equilíbrio ideal entre supervisão e progresso tecnológico.

O diálogo entre política e inovação tecnológica

O diálogo entre autoridades políticas e especialistas em tecnologia ainda é prejudicado pela falta de compreensão mútua. Muitos legisladores não entendem o que é blockchain nem como ela funciona — e isso não é uma questão ideológica, mas um vazio de conhecimento que limita a capacidade das instituições de se adaptarem às transformações em curso.

Por esse motivo, aproximar especialistas e formuladores de políticas públicas é essencial, garantindo que as regulamentações nasçam do entendimento compartilhado, e não do medo ou do preconceito.

A educação, portanto, torna-se uma parte fundamental do processo regulatório. É necessário tornar esses temas acessíveis a todos, porque a blockchain não é uma tendência passageira — é uma ferramenta para tornar o sistema econômico mais transparente e inclusivo.

Essa tecnologia devolve às pessoas o controle sobre seus dados, economias e transações. Na visão de Coppo, a democracia econômica só será possível quando o conhecimento também for democratizado — ou seja, quando todos, e não apenas especialistas, puderem compreender e participar.

Em resumo, a política precisa superar sua postura defensiva diante da inovação. Deve entendê-la, regulamentá-la com inteligência e, acima de tudo, aproveitá-la. Só assim a Europa poderá liderar a construção do novo ecossistema digital, em vez de simplesmente seguir regras definidas por outros.

Principais pontos:

  1. A blockchain introduz uma nova forma de transferir valor, acessível a todos, e não apenas a especialistas.
  2. Bitcoin, stablecoins e CBDCs representam três modelos distintos da economia digital.
  3. As stablecoins podem fortalecer o euro e integrar as finanças tradicionais ao sistema digital.
  4. A Itália reconhece legalmente as criptomoedas, mas segue o arcabouço definido pela União Europeia.
  5. O regulamento MiCA é visto como excessivamente rígido e pode frear a inovação econômica.
  6. O Euro Digital é útil, mas não a solução definitiva, por ainda ser centralizado.
  7. As regras devem ser proporcionais ao tamanho e ao risco dos projetos.
  8. A burocracia excessiva prejudica start-ups e limita a criatividade.
  9. Os legisladores precisam se aproximar dos especialistas para criar leis mais eficazes.
  10. Educar o público sobre blockchain significa democratizar o conhecimento econômico.

“Acredito que a blockchain pode tornar o investimento — e também a compreensão da economia e das finanças — mais democrática.”
— Marcello Coppo

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