Mercado de previsões Kalshi atinge avaliação de US$ 2 bilhões em rodada liderada pela Paradigm
A Kalshi, plataforma que permite operar com base em eventos do mundo real, garantiu US$ 185 milhões em uma rodada de financiamento Série C, elevando sua avaliação para US$ 2 bilhões. A captação foi liderada pela Paradigm, investidora com foco em criptoativos, com a participação de nomes como Sequoia Capital, Multicoin, Neo, Bond Capital e o CEO da Citadel Securities, Peng Zhao.
Aposta alta nos mercados de previsões
Fundada em 2018 pelos formados do MIT Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, a Kalshi permite que usuários negociem contratos com base em eventos reais — que vão desde esportes e entretenimento até política e indicadores econômicos. A empresa é aprovada pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), sendo o primeiro mercado de previsões com regulamentação federal no país.
Com os novos recursos, a Kalshi pretende ampliar suas operações e levar sua plataforma de negociação baseada em eventos a um público mais amplo. O CEO Tarek Mansour anunciou o marco no X (antigo Twitter), afirmando que a empresa está empenhada em construir “o mercado financeiro mais importante do planeta”.
Interesse dos usuários dispara após as eleições
Os mercados de previsões têm ganhado força desde as últimas eleições presidenciais nos EUA. Na Kalshi, é possível comprar contratos sobre eventos como a nota de um filme no Rotten Tomatoes ou se um atleta se aposentará até determinada data. O modelo com dinheiro real atrai traders que acreditam ter uma boa capacidade de prever resultados do mundo real.
Os defensores desse tipo de mercado argumentam que ele oferece dados mais confiáveis do que as pesquisas tradicionais, já que os participantes têm incentivo financeiro para acertar as previsões. Por outro lado, há quem critique o modelo, classificando-o como uma forma disfarçada de aposta. A Kalshi refuta essa visão, destacando sua conformidade total com a regulamentação financeira dos EUA.
Vitória judicial e expansão de mercado
A Kalshi ganhou força após vencer, no ano passado, uma disputa judicial contra a própria CFTC, o que lhe permitiu listar contratos ligados à eleição presidencial dos EUA. A decisão abriu caminho para outros operadores do setor e reforçou a legalidade das operações da Kalshi no país.
A empresa ganhou visibilidade inicial ao participar do programa Y Combinator, em 2019, e desde então atraiu investidores de peso como SV Angel e Global Founders Capital.
Concorrência em alta
O novo aporte ocorre em meio à movimentação da rival Polymarket, que também busca levantar US$ 200 milhões, com valuation estimado acima de US$ 1 bilhão, segundo a Reuters. Diferente da Kalshi, a Polymarket não possui registro na CFTC e, portanto, não pode operar para usuários nos Estados Unidos.
A disputa entre as duas plataformas ganhou um novo capítulo recentemente, quando a rede social X, de Elon Musk, nomeou a Polymarket como sua parceira oficial de previsões. Antes disso, a Kalshi havia anunciado um acordo semelhante com a plataforma, mas acabou voltando atrás, alegando que “os detalhes ainda não estavam formalmente acertados”.

