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O futuro dos pagamentos no iGaming na Ásia pertence às stablecoins, afirma especialista

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

As stablecoins estão cada vez mais presentes nas discussões sobre o futuro dos pagamentos no setor de iGaming na Ásia, à medida que operadores buscam liquidações mais rápidas, custos menores e transações internacionais mais eficientes. Se antes as criptomoedas eram vistas principalmente como ativos especulativos, o setor agora passa a enxergar as stablecoins como uma infraestrutura de pagamentos prática, capaz de funcionar em conjunto com os sistemas financeiros tradicionais.

Em entrevista exclusiva à SiGMA News, Justin d’Anethan, chefe de parcerias da Arctic Digital, afirmou que a indústria asiática de iGaming passou anos procurando formas mais eficientes de processar pagamentos internacionais, o que torna as stablecoins uma solução natural para o setor. 

“A indústria de jogos online reclama dos sistemas de pagamentos transfronteiriços há tanto tempo quanto consigo me lembrar. Normalmente, eles são lentos, caros e fragmentados entre diferentes regiões e plataformas”, afirmou.

Segundo d’Anethan, stablecoins como Tether (USDT) e USD Coin (USDC) estão começando a solucionar muitos desses desafios históricos ao oferecer liquidações mais rápidas, ampla liquidez e conexões cada vez mais simples com serviços bancários tradicionais.

“As stablecoins — principalmente USDT e USDC — começaram a surgir como uma alternativa real: mais rápida, mais barata, com grande liquidez e, agora, com processos mais simples para entrada e saída de recursos por meio de contas bancárias, cartões de crédito e sistemas financeiros tradicionais. Elas oferecem o melhor dos dois mundos”, acrescentou.

Stablecoins ganham força

As declarações de d’Anethan surgem em um momento de aceleração da adoção de stablecoins no setor regulamentado de iGaming. De acordo com um relatório da consultoria de pagamentos PayTech Insights, os pagamentos em criptomoedas já representam 38% das transações realizadas em plataformas de jogos licenciadas, ante 24% registrados em 2024.

As stablecoins consolidaram-se como uma das principais opções de pagamento digital no segmento regulamentado de iGaming. USDT e USDC respondem por 71% de todos os depósitos em criptomoedas processados por operadores licenciados. A capacidade de proporcionar liquidações quase instantâneas, custos de transação reduzidos e menor atrito cambial tornou esses ativos especialmente atraentes para empresas que atendem clientes em diversas jurisdições.

Além das stablecoins atreladas ao dólar americano, a Ásia também vem registrando um crescimento no interesse por stablecoins vinculadas a moedas locais e a outros ativos. Entre os projetos voltados para facilitar pagamentos domésticos e internacionais estão a XSGD, de Singapura, a FDUSD, de Hong Kong, a JPYC, do Japão, e a PHPC, das Filipinas. A Coreia do Sul também observa um avanço nas discussões sobre stablecoins lastreadas no won, enquanto formuladores de políticas públicas trabalham na criação de uma estrutura regulatória mais clara para ativos digitais. Além dos tokens vinculados a moedas fiduciárias, stablecoins lastreadas em ouro, como Tether Gold (XAUT) e Pax Gold (PAXG), também vêm atraindo a atenção de investidores que buscam ativos baseados em blockchain com exposição ao ouro físico.

As liquidações praticamente instantâneas e a eliminação de grande parte dos custos relacionados à conversão cambial têm se mostrado especialmente atrativas para operadores que atuam em vários mercados internacionais. Em conjunto, esses avanços demonstram que as stablecoins estão evoluindo além de uma única categoria de produto, com governos, instituições financeiras e empresas explorando cada vez mais ativos digitais regulamentados capazes de aumentar a eficiência dos pagamentos, reduzir o tempo de liquidação e se alinhar melhor às exigências de conformidade.

O ecossistema também está se tornando mais acessível. Empresas de pagamentos sediadas em Singapura, como Triple-A, FOMO Pay e dtcpay, já expandiram suas infraestruturas de pagamentos com stablecoins, oferecendo às empresas acesso mais simples a redes regulamentadas de ativos digitais e facilitando a integração para operadores.

Conformidade regulatória: o maior desafio

Apesar do crescimento do interesse pelo segmento, a regulamentação continua influenciando a velocidade com que as stablecoins podem ser adotadas na Ásia. Ainda assim, d’Anethan acredita que o principal obstáculo costuma ser a conformidade regulatória, e não necessariamente a regulamentação em si.

“Em muitos casos, as regras locais para transações internacionais não são o problema. O desafio está nos processos de AML e KYC, que acabam sendo extremamente burocráticos tanto para os usuários quanto para as empresas”, explicou.

Ele destacou jurisdições que já avançaram significativamente na criação de estruturas regulatórias mais claras para ativos digitais. “Alguns lugares já resolveram essa questão, normalmente os mais voltados para tecnologia, como Singapura, Hong Kong e partes dos Emirados Árabes Unidos.”

Em toda a Ásia, os reguladores passaram a concentrar esforços menos no debate sobre a legitimidade dos ativos digitais e mais na construção de estruturas capazes de apoiar a inovação dentro de parâmetros regulatórios claros. Singapura desenvolveu um dos regimes de licenciamento mais maduros da região, Hong Kong continua ampliando seu arcabouço regulatório para ativos digitais, enquanto Japão e Coreia do Sul implementaram regras que permitem o desenvolvimento de stablecoins dentro de estruturas jurídicas bem definidas.

Esse avanço regulatório se reflete no crescimento mais amplo do mercado. Segundo uma publicação da Chainalysis, a região Ásia-Pacífico tornou-se a área de crescimento mais acelerado do mercado global de criptoativos. Os volumes mensais de transações on-chain passaram de aproximadamente US$ 81 bilhões em julho de 2022 para um pico de US$ 244 bilhões em dezembro de 2024, estabilizando-se em torno de US$ 185 bilhões em meados de 2025.

Da mesma forma, o Japão registrou um aumento anual de 120% na atividade relacionada a criptomoedas após a aprovação da legislação para stablecoins lastreadas em ienes. Já o mercado sul-coreano de stablecoins denominadas em won alcançou aproximadamente US$ 59 bilhões após a entrada em vigor da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais.

Bancos começam a adotar ativos digitais

Historicamente, as instituições financeiras tradicionais demonstraram cautela em relação às criptomoedas. No entanto, d’Anethan acredita que essa postura está começando a mudar. “Os bancos parecem sinalizar uma mudança nessa direção. Isso acontece tanto pela demanda dos clientes quanto, talvez de forma ainda mais importante, pela necessidade de permanecer relevantes ao longo do tempo e competitivos diante de novas plataformas e concorrentes já estabelecidos.”

Em vez de abraçar as finanças descentralizadas de forma imediata, os bancos vêm testando gradualmente fundos de mercado monetário tokenizados, negociação de ativos do mundo real (RWA), stablecoins e outros produtos financeiros baseados em blockchain.

“Acho que tudo está avançando de forma lenta o suficiente para que poucas pessoas percebam. Mas, no fim das contas, os resultados aparecem e essa transformação parecerá uma mudança óbvia que muita gente deixou passar.” Olhando para o futuro, especialistas acreditam que a concorrência entre jurisdições será um dos principais motores da adoção, à medida que governos buscam atrair investimentos oferecendo maior clareza regulatória para ativos digitais.

“No final, acredito que a arbitragem regulatória entre jurisdições e a própria concorrência acabarão levando muitos países e regiões a acomodar e esclarecer os processos necessários para ampliar a adoção de ativos digitais, independentemente do formato. Quando e como isso acontecerá exatamente ainda está por ser definido”, concluiu d’Anethan.

Com a evolução da infraestrutura de pagamentos, o amadurecimento dos marcos regulatórios e o crescente interesse das instituições financeiras pelos ativos digitais, as stablecoins estão gradualmente deixando de ser uma opção de nicho para se tornar uma ferramenta cada vez mais relevante no setor regulamentado de iGaming.

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