O argentino Leonardo Aboian, de 27 anos, foi banido das quadras por seis anos e nove meses após admitir sua participação em um esquema de manipulação de resultados e apostas esportivas ao longo de quase sete anos. A punição foi anunciada pela Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) e publicada oficialmente no final de fevereiro de 2026.
Aboian, atleta que participava principalmente dos torneios menores dos circuitos da ITF World Tennis Tour e ATP Challenger, confessou ter violado as regras anticorrupção em 30 ocasiões, alterando o desempenho em partidas sob sua responsabilidade entre 2018 e 2025. De acordo com os documentos da ITIA, Aboian admitiu que manipulou o ritmo de jogos em oito partidas oficiais, combinando resultados em benefício de terceiros que se beneficiavam com apostas no mercado paralelo. O argentino teria sido influenciado por “aliciadores”, pessoas ou grupos que oferecem dinheiro em troca de resultados previamente combinados.
Segundo as investigações, o jogador recebia pagamentos e agia abaixo de seu nível técnico, dificultando o progresso natural de seus jogos para favorecer apostas feitas por terceiros. Além disso, Aboian não denunciou quaisquer abordagens indevidas às autoridades esportivas, o que também constitui uma violação grave das regras impostas pela ITIA.
Além da suspensão de quase sete anos, ele foi multado em US$ 40 mil (equivalente a cerca de R$ 205 mil), pena que também faz parte das diretrizes disciplinares da agência para casos de manipulação de resultados e apostas.
Punições e suas implicações
A suspensão, além de afastar o atleta dos torneios profissionais, impede que ele participe de qualquer atividade oficial de tênis, incluindo treinos, torneios e até presença como espectador em eventos oferecidos pela ITIA ao redor do mundo. Ele não poderá voltar às quadras enquanto a punição estiver em vigor, nem retomar rankings ou competir em torneios de qualquer nível.
Antes da proibição, Aboian alcançou algumas vitórias no circuito. Ele foi campeão do torneio M15 de Santiago, no Chile, e chegou à semifinal de um Challenger no Brasil em 2025.
A International Tennis Integrity Agency (ITIA) é o órgão responsável por zelar pela integridade nas competições de tênis profissional em nível global. Entre outras funções, a entidade administra o Tennis Anti-Corruption Program (TACP), um conjunto de regras que determina quais práticas são proibidas, incluindo manipulação de resultados e apostas por pessoas diretamente envolvidas nas partidas.
A ITIA tem se tornado cada vez mais ativa em detectar e punir infrações. Nos últimos anos, vários tenistas, inclusive de alto nível, sofreram penalidades por envolvimento em esquemas de apostas ou manipulação de resultados. Um exemplo mais famoso é o caso do tenista Nicolás Kicker, banido por pelo menos três anos por manipular partidas, e outros jogadores que receberam suspensões que variam de meses a pena vitalícia por práticas semelhantes.
Por que isso importa?
A manipulação de resultados no tênis não é um problema novo, mas ganhou mais visibilidade nos últimos anos com o avanço das plataformas de apostas esportivas e a exposição de circuitos menores à influência econômica de esquemas ilegais. Jogadores em torneios menos remunerados podem ser especialmente vulneráveis, pois a diferença entre ganhar e perder um jogo pode representar uma fonte de renda significativa.
Esses eventos levantam questões sobre a integridade do esporte e a necessidade de sistemas eficazes de prevenção e educação para jogadores, agentes e treinadores. A ITIA, por meio de programas educativos e monitoramento de padrões de apostas, tenta minimizar o impacto desses esquemas para preservar a credibilidade do tênis.
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