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Um em cada 11 adultos foi afetado por danos relacionados ao jogo em 2024, aponta relatório do Reino Unido

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Quase uma em cada 11 pessoas adultas na Grã-Bretanha sofreu algum tipo de dano relacionado ao jogo de terceiros em 2024, segundo novos dados divulgados pela UK Gambling Commission (UKGC). O levantamento Gambling Survey for Great Britain (GSGB) 2024 entrevistou cerca de 20 mil adultos com 18 anos ou mais.

Os dados oferecem uma visão mais ampla sobre os comportamentos de jogo e seus impactos sobre indivíduos e comunidades. Os danos associados ao jogo no Reino Unido vêm apresentando crescimento constante ao longo da última década, com pesquisas recentes indicando aumento tanto na prevalência quanto na gravidade dos problemas, especialmente entre adultos mais jovens e jogadores online.

Principais conclusões

Cerca de 9% dos adultos — aproximadamente 1,6 milhão de pessoas — relataram ter sofrido pelo menos uma consequência negativa causada pelo jogo de outra pessoa nos últimos 12 meses. Já 5,3% afirmaram ter enfrentado danos severos, enquanto 19% disseram ter vivenciado ao menos um impacto negativo relacionado ao tema.

Outro dado relevante aponta que 63% das pessoas afetadas também haviam apostado ou participado de atividades de jogo no último ano, índice ligeiramente superior aos 60% registrados na população geral.

Entre os afetados, 55% são mulheres, e a faixa etária mais impactada está entre 25 e 44 anos, representando 46% dos casos. O estudo também mostrou que esse grupo tende a participar mais frequentemente de modalidades consideradas de maior risco, como apostas presenciais e jogos de cassino, com taxas de participação cerca de 3,7 vezes maiores do que as observadas entre outros jogadores.

No grupo classificado como “afetados por terceiros” que também apostavam, 21,5% registraram pontuação compatível com jogo problemático no Problem Gambling Severity Index (PGSI). O percentual é quase cinco vezes superior aos 4,5% observados entre todos os jogadores analisados.

Tipos de danos relatados

O GSGB também categorizou os diferentes tipos de impactos associados ao jogo. O estudo revelou que 73,7% dos danos relatados estão relacionados à saúde emocional e mental, incluindo estresse, ansiedade, vergonha e constrangimento.

Além disso, 65,3% dos casos envolveram danos nos relacionamentos, como conflitos familiares, rompimentos e desgaste interpessoal. Na categoria de impactos financeiros e materiais, 42,5% admitiram perdas significativas de dinheiro ou endividamento.

Entre os danos classificados como severos, 26,6% envolveram rompimento de relações, violência ou abuso, além de atividades criminosas. O relatório também aponta que as plataformas digitais vêm impulsionando níveis mais altos de participação e exposição ao risco. Paralelamente, cresce a pressão política por regulamentações mais rígidas, incluindo verificações de capacidade financeira dos jogadores e restrições à publicidade de apostas, segundo o governo britânico.

Busca por apoio ainda é limitada

Apesar da dimensão do problema, apenas 14,5% das pessoas afetadas procuraram algum tipo de ajuda ao longo do último ano. Aqueles que também apostavam apresentaram maior probabilidade de buscar suporte (18,3%) em comparação aos afetados que não participavam de atividades de jogo (7,7%). Os serviços acessados incluíram apoio psicológico, assistência social, aconselhamento familiar e programas específicos voltados para problemas relacionados ao jogo.

Contexto mais amplo

No início deste ano, a instituição beneficente britânica GamCare informou que quase 2 mil pessoas utilizaram seu serviço de orientação financeira em 2025 após perdas relacionadas ao jogo, mais que o dobro dos 923 casos registrados em 2024.

Em escala global, os danos associados ao jogo variam significativamente entre os países. Cerca de 1,2% da população adulta mundial atende aos critérios de transtorno do jogo, mas os impactos mais amplos atingem até 11,9% dos homens e 5,5% das mulheres. Países como a Suécia registram risco de suicídio até 15 vezes maior entre pessoas com transtornos relacionados ao jogo, enquanto Austrália e Canadá apresentam algumas das maiores taxas de prevalência, impulsionadas pelo amplo acesso às apostas online, conforme destacado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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