A Socure, empresa especializada em serviços de verificação de identidade em tempo real para sites de apostas esportivas, informou que bloqueou mais de 50 mil menores de idade que tentaram abrir contas de apostas durante o Super Bowl 60, realizado em 8 de fevereiro. Os dados foram divulgados com exclusividade ao jornal USA TODAY. Os relatórios apontam que mais de 2,5 milhões de novas contas foram criadas em casas de apostas, mercados de previsão e plataformas de jogos online apenas no dia da final, número que ultrapassou 5,1 milhões ao longo da semana.
De acordo com a equipe de análise de fraudes da Socure, os cadastros aumentaram quase simultaneamente à exibição de seis anúncios publicitários de casas de apostas antes do início do jogo. A FanDuel veiculou o comercial “Last Call for Football” momentos antes do apito inicial, enquanto DraftKings e Fanatics exibiram suas campanhas durante a partida. O timing indica que a publicidade teve influência direta na onda de novos registros.
O que realmente aconteceu?
Durante o Super Bowl 60, as tentativas de acesso de menores de idade às plataformas de apostas cresceram de forma expressiva. O sistema de verificação etária da Socure impediu que mais de 50 mil menores criassem contas. Análises internas mostraram que as tentativas de burlar os controles de idade — como a manipulação da data de nascimento — aumentaram para mais de três vezes a média habitual.
Rivka Gewirtz Little, diretora de crescimento (Chief Growth Officer) da Socure, classificou o episódio como uma explosão inesperada de tentativas de fraude. Segundo ela: “Foi impressionante. Parecia que estavam escalando muros.”
Tipos de fraude detectados durante o Super Bowl 60
Ao longo do evento, diversos tipos de tentativas de fraude foram identificados nas plataformas de apostas. Uma das mais comuns foi a fraude sintética, em que dados reais, roubados e inventados são combinados para criar novas identidades. Também houve casos envolvendo o uso de informações pessoais furtadas, como nomes, endereços e números de telefone. Além disso, surgiram tentativas de falsificação de documentos oficiais emitidos pelo governo — embora esses golpes tenham sido detectados pelos sistemas modernos de verificação.
Outro padrão observado foi a reutilização da mesma foto de um documento oficial em múltiplas contas, evidenciando o uso de técnicas de clonagem digital para driblar os controles. Esses diferentes métodos demonstram a dimensão e a persistência das fraudes durante eventos de grande visibilidade.
Little acrescentou que auditorias internas mostraram que a empresa conseguiu barrar mais de 99% das tentativas fraudulentas ou ilegais de acesso a plataformas de apostas e serviços financeiros. Ainda assim, nas horas que antecederam e durante o Super Bowl 60, a atividade fraudulenta disparou. Em especial, houve três vezes mais tentativas do que o normal de manipulação de datas de nascimento.
Teste de estresse dos sistemas de verificação de identidade
A Socure informou que bloqueou a maioria das tentativas ilegais por meio de ferramentas que cruzam os dados dos usuários com registros públicos, como números de telefone, endereços e números de previdência social. Quando as informações não coincidem, o sistema sinaliza a conta e impede o acesso. Na prática, o processo funciona como montar um quebra-cabeça: se as peças não se encaixam, a conta é barrada antes mesmo de ser criada.
Mike Cook, diretor de inteligência antifraude da Socure, afirmou que os registros de novas contas aumentaram quase instantaneamente quando os anúncios de apostas do Super Bowl foram ao ar. Ele destacou que os cadastros “dispararam junto com os seis anúncios exibidos antes do jogo”, com picos ocorrendo praticamente no exato momento em que os comerciais eram transmitidos. Por exemplo, o anúncio “Last Call for Football”, da FanDuel, exibido pouco antes do início da partida, gerou imediatamente uma onda de novos usuários. Da mesma forma, DraftKings e Fanatics registraram aumentos nos cadastros quando seus anúncios foram veiculados durante o jogo entre Patriots e Seahawks.
Carta aberta à National Football League (NFL)
Antes do Super Bowl 60, os autores do estudo sobre apostas entre menores de idade, da organização Common Sense Media, divulgaram uma carta aberta ao comissário da NFL, Roger Goodell, expressando preocupação com o acesso de crianças e adolescentes às plataformas de apostas, conforme noticiado pelo USA TODAY. James Steyer, fundador da organização, argumentou que, se crianças de apenas 11 anos já estão sendo inseridas no universo das apostas, a liga não pode se manter neutra diante do problema.
Em sua declaração, Steyer escreveu: “Sua liga é uma das instituições culturais mais poderosas do país, e a NFL há muito se posiciona como uma organização voltada à família. Se meninos estão sendo empurrados para o circuito das apostas a partir dos 11 anos, vocês não são meros espectadores desse problema — estão ajudando a construir esse ambiente.”
O futuro da verificação de idade nas apostas esportivas
A verificação etária nas apostas esportivas caminha para uma nova fase, na qual legislação e tecnologia precisarão atuar em conjunto. Embora recursos como identificação de dispositivos, autenticação de documentos e reconhecimento facial estejam cada vez mais avançados, eles ainda não conseguem eliminar totalmente os riscos. Regras mais rígidas, limites mais claros para a publicidade e uma responsabilidade compartilhada entre ligas esportivas e operadoras de apostas serão fundamentais para enfrentar esse desafio.
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