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Apostas geram R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre para o governo brasileiro 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

O mercado de apostas no Brasil começou 2026 mostrando, em números, o tamanho do seu potencial econômico. Os dados divulgados recentemente pela Receita Federal indicam que o governo arrecadou R$ 3,4 bilhões (US$ 680 milhões) em impostos sobre bets apenas no primeiro trimestre do ano, um número que chama atenção não só pelo valor, mas principalmente pelo ritmo acelerado de crescimento. 

Há mais de um ano, desde a regulamentação em 2025, as apostas deixaram de operar em uma zona cinzenta para se tornar uma fonte relevante de receita pública, com impacto direto nas contas do país e na organização do mercado. 

Crescimento acelerado e efeito da regulamentação 

O salto na arrecadação é expressivo. Em comparação com o mesmo período de 2025, quando o governo arrecadou cerca de R$ 1,5 bilhão (US$ 300 milhões), o crescimento foi de 123,7%. 

Esse avanço está diretamente ligado à consolidação da regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil. A legislação trouxe diversas regras para operação, tributação e fiscalização, criando um ambiente mais estruturado tanto para empresas quanto para o governo. 

Antes disso, grande parte das plataformas operava com licenças internacionais, o que dificultava a arrecadação e o controle. Com a regulamentação, apenas operadores autorizados podem atuar legalmente, e todos devem cumprir exigências fiscais e regulatórias rigorosas. Mesmo assim, o combate ao mercado ilegal ainda é um desafio para as autoridades brasileiras.

A criação da Secretaria de Prêmios e Apostas foi fundamental para organizar o setor, centralizando a autorização, supervisão e monitoramento das atividades. 

Como funciona a tributação das bets 

A estrutura tributária do setor ajuda a explicar os valores arrecadados. Atualmente, as empresas de apostas pagam uma alíquota sobre o GGR (Gross Gaming Revenue), que corresponde à receita bruta obtida com as apostas. Essa taxa começou em 12%, mas já há mudanças em andamento. O governo federal aprovou o aumento gradual da tributação, com projeções que chegam a 15% até 2028. 

Além disso, as operadoras também recolhem outros tributos comuns no Brasil, como PIS e Cofins (contribuições federais aplicadas sobre a receita das empresas, destinadas ao financiamento da seguridade social, que inclui áreas como previdência, saúde e assistência social), o que eleva significativamente a carga total. Em 2025, por exemplo, o governo arrecadou R$ 9,95 bilhões (US$ 1,99 bilhão) com o setor ao longo de todo o ano.

Esse modelo coloca o Brasil em linha com outros mercados regulados, onde a taxação das apostas é uma das principais formas de monetização estatal sobre o segmento. 

Para onde vai esse dinheiro 

Um ponto importante, e muitas vezes pouco discutido, é a destinação desses recursos. A legislação brasileira define que parte da arrecadação das apostas deve ser direcionada para áreas estratégicas. Entre os principais destinos estão setores como esporte, turismo, segurança pública, educação e seguridade social. 

Segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil, com base em dados obtidos junto ao Ministério da Fazenda, o esporte recebeu cerca de R$ 1,6 bilhão (US$ 320 milhões) em recursos provenientes das apostas, enquanto o turismo ficou com aproximadamente R$ 1,26 bilhão (US$ 252 milhões). Somados, esses dois setores concentraram quase dois terços de toda a arrecadação gerada pelas bets no período analisado. 

Um mercado em expansão 

O crescimento acelerado do setor também levanta desafios. Com mais dinheiro circulando, aumentam as preocupações com temas como jogo responsável, manipulação de resultados e prevenção à lavagem de dinheiro. A própria regulamentação brasileira já prevê mecanismos para lidar com esses riscos, incluindo monitoramento de apostas suspeitas, identificação obrigatória dos usuários e integração com órgãos de controle. 

Ainda assim, o debate continua. O país já teve iniciativas como a CPI das Bets, que investigou possíveis irregularidades no setor, mostrando que a expansão vem acompanhada de um olhar mais atento das autoridades. 

Mesmo com desafios, o fato é que o setor já ocupa um espaço relevante na economia. Além da arrecadação direta, o mercado também gera empregos, movimenta tecnologia e impulsiona áreas como marketing, mídia e patrocínios esportivos. Clubes de futebol, por exemplo, têm cada vez mais parcerias com casas de apostas, o que amplia ainda mais o impacto econômico do setor. 

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