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Apostas em basquete no Brasil buscam ganhar escala

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O basquete vem surgindo como um potencial vetor de crescimento no mercado de apostas esportivas em expansão no Brasil, embora ainda esteja bem atrás do futebol em termos de volume. Apesar de figurar entre os três esportes mais apostados no país, especialistas apontam que limitações estruturais relacionadas à visibilidade, infraestrutura de dados e maturidade do mercado ainda impedem uma expansão mais consistente da liquidez.

Em entrevista exclusiva à SiGMA News, Sergio Floris, Diretor-Geral para o Brasil da Sportradar, destaca que a trajetória de crescimento do basquete no país está diretamente ligada à evolução da exposição na mídia, à consistência operacional e ao acesso a dados oficiais em tempo real. Embora competições nacionais, como as organizadas pela Liga Nacional de Basquete (LNB), tenham avançado com estratégias de distribuição multiplataforma, os níveis de engajamento ainda ficam aquém da dominância consolidada do futebol e de sua presença constante na mídia.

Parceria com liga nacional fortalece capacidade de dados

No início deste mês, a Liga Nacional de Basquete (LNB) anunciou uma parceria de vários anos com a Sportradar para reduzir essas lacunas, fortalecendo as capacidades de dados da liga e seus frameworks de integridade.

O acordo chega em um momento em que o marco regulatório das apostas esportivas no Brasil segue em evolução, influenciando a forma como os operadores direcionam seus investimentos entre diferentes modalidades. À medida que o mercado amadurece e se torna mais previsível, cresce a expectativa de que o basquete passe a atrair mais atenção — especialmente com suporte de dados confiáveis, mecanismos mais robustos de integridade e maior visibilidade. Nesta entrevista, diferentes perspectivas do setor exploram as barreiras, oportunidades e o potencial de longo prazo das apostas em basquete no Brasil.

Panorama das apostas esportivas no Brasil

SiGMA News: As apostas em basquete no Brasil ainda são pequenas em comparação ao futebol. Quais são as principais barreiras estruturais que impedem o crescimento da liquidez nas competições?

Sergio Floris, Diretor-geral para o Brasil, Sportradar: Existem alguns fatores estruturais que explicam por que as apostas em basquete no Brasil ainda ficam atrás do futebol em termos de liquidez. Embora o basquete esteja consistentemente entre os esportes mais apostados no país — figurando entre os três primeiros em diferentes bases de dados — ele ainda está distante do futebol. O futebol é mais profundamente enraizado na cultura brasileira, possui uma base massiva de fãs e recebe exposição constante na mídia. Já o basquete, embora opere em uma escala menor e com volumes de apostas mais limitados, vem crescendo.

A visibilidade é outro ponto-chave. As competições de basquete ainda não contam com o mesmo nível de cobertura televisiva ou atenção da mídia, o que limita a capacidade dos fãs de interagir com os mercados de apostas. Vale destacar, no entanto, que o NBB (Novo Basquete Brasil), principal competição organizada pela LNB, se beneficiou enormemente da estratégia de mídia multiplataforma da liga ao longo dos anos.

Também existem desafios operacionais. O calendário das competições pode ser menos consistente ou mais fragmentado, o que representa uma dificuldade — embora isso não seja exclusivo do basquete. Além disso, até recentemente, o acesso a dados oficiais de alta qualidade e em tempo real era mais limitado, o que restringia o desenvolvimento de mercados ao vivo (in-play).

Por fim, o marco regulatório das apostas esportivas no Brasil ainda está em evolução. À medida que ele amadurece e se torna mais previsível, esperamos que os operadores invistam com mais confiança em uma gama mais ampla de esportes, incluindo o basquete.

SiGMA News: A demanda por apostas em basquete no Brasil é mais impulsionada por ligas nacionais ou por competições internacionais como a NBA?

Floris: Hoje, a demanda por apostas em basquete no Brasil ainda é majoritariamente impulsionada por competições internacionais, especialmente a NBA. A liga combina apelo global, estrelato, alta qualidade de produção e forte presença na mídia, o que naturalmente se traduz em maior engajamento e liquidez.

No cenário doméstico, o NBB já conta com uma base de fãs leal e em crescimento, e ainda tem espaço para avançar. Essa dinâmica está mudando, e queremos contribuir para dar ao basquete nacional a distribuição e a visibilidade que ele merece.

Parcerias como o acordo da Sportradar com a liga brasileira de basquete são fundamentais para acelerar essa transformação. Isso não apenas melhora a experiência de fãs e operadores, como também pode ser decisivo para o desenvolvimento do basquete no Brasil.

Importância dos dados

SiGMA News: Quão crítico é o acesso a dados oficiais de baixa latência para viabilizar mercados de apostas ao vivo e micro-apostas no basquete brasileiro?

Floris: É fundamental. Sem dados oficiais de baixa latência, os mercados ao vivo — e especialmente as micro-apostas — simplesmente não funcionam de forma confiável.

As apostas in-play dependem de atualizações em tempo real para oferecer odds dinâmicas conforme o jogo acontece. Qualquer atraso gera fricção e compromete a confiança. Quando entramos no universo das micro-apostas, com apostas em eventos muito específicos dentro do jogo, a exigência por velocidade e precisão se torna ainda maior.

Além disso, os dados oficiais desempenham um papel central na integridade e na gestão de risco pelos operadores. Eles permitem reação imediata aos acontecimentos em quadra, ajuste de odds em tempo real e manutenção de um ambiente justo e controlado.

É aqui que provedores como a Sportradar desempenham um papel essencial, fornecendo a infraestrutura e os dados em tempo real necessários para viabilizar essas experiências em escala. Não é apenas uma vantagem competitiva — é um pré-requisito para desbloquear formatos mais avançados de apostas no basquete brasileiro.

SiGMA News: Em que medida o crescimento das apostas em basquete depende dos provedores de dados versus a demanda orgânica dos fãs?

Floris: Não se trata de uma escolha entre um ou outro — os dois são profundamente interdependentes.

A demanda orgânica dos fãs é a base. Sem uma audiência apaixonada pelo esporte, não há mercado sustentável de apostas. Essa demanda é impulsionada por relevância cultural, narrativa e engajamento geral com a competição.

O papel dos provedores de dados é justamente ampliar e escalar essa demanda. Ao transformar eventos ao vivo em dados estruturados, confiáveis e de baixa latência, eles permitem que os operadores ofereçam um produto de apostas mais rico e dinâmico, especialmente no formato ao vivo.

Nesse sentido, os dados funcionam como um acelerador de crescimento. Eles aprimoram a experiência, fortalecem a gestão de risco e reforçam a integridade. Ou seja, enquanto a demanda cria a oportunidade, os dados permitem que o mercado se desenvolva plenamente.

Managing risks  

SiGMA News: Como os operadores equilibram gestão de risco com a oferta de mercados de basquete mais profundos e competitivos?

Floris: É um equilíbrio constante que depende fortemente de tecnologia, dados e decisões em tempo real.

Os operadores utilizam modelos avançados e equipes de trading para definir e ajustar odds continuamente com base no andamento do jogo e nos padrões de apostas. Dados de alta qualidade e baixa latência são essenciais, pois permitem reação imediata e redução da exposição.

Ao mesmo tempo, são aplicados mecanismos de proteção como limites de apostas, tetos de pagamento e suspensões temporárias de mercado em momentos-chave. Esses controles ajudam a manter a justiça do jogo e a reduzir riscos financeiros.

A diversificação também é importante, distribuindo a exposição entre diferentes esportes e mercados para evitar dependência excessiva de uma única competição. Além disso, o monitoramento de integridade vem ganhando ainda mais relevância, permitindo identificar padrões atípicos de forma precoce.

SiGMA News: Os riscos de integridade são estruturalmente maiores no basquete brasileiro devido a salários mais baixos e menor visibilidade? Como isso impacta a confiança no mercado?

Floris: Estruturalmente, os riscos de integridade tendem a ser maiores em competições com salários mais baixos e menor visibilidade — mesmo em esportes de grande porte. Isso não é exclusivo do basquete ou do Brasil; vemos dinâmicas semelhantes em divisões inferiores de esportes populares como o futebol.

Uma menor remuneração pode aumentar a vulnerabilidade à manipulação, enquanto a menor exposição da mídia dificulta a detecção natural de irregularidades. Juntos, esses fatores podem impactar a percepção de risco por parte de apostadores e operadores, afetando diretamente a confiança no mercado e, em alguns casos, limitando a liquidez e a oferta de mercados.

Por isso, frameworks robustos de integridade são essenciais. Na Sportradar, por exemplo, utilizamos o UFDS (Universal Fraud Detection System), alimentado por inteligência artificial, para monitorar padrões de apostas e detectar atividades suspeitas em tempo real. Como parte da parceria recentemente assinada com a LNB, vamos cobrir mais de 620 jogos por temporada com o UFDS, ajudando a proteger o ecossistema do basquete nacional.

A educação também é um pilar importante. No último ano, realizamos mais de 30 workshops de integridade no Brasil, trabalhando diretamente com atletas, equipes e stakeholders para aumentar a conscientização e prevenir manipulação de resultados.

No longo prazo, fortalecer a integridade não é apenas mitigar riscos — é construir confiança, que é fundamental para o crescimento sustentável de qualquer mercado de apostas.

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