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Argentina bloqueia 251 sites ilegais de jogos de azar

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Ente Nacional de Comunicaciones (ENACOM) determinou o bloqueio de 251 plataformas de jogos online não autorizadas na província de Buenos Aires, em uma das maiores operações já realizadas contra operadores digitais sem licença. Trata-se de uma das ações de fiscalização mais robustas do país até o momento, evidenciando uma escalada significativa em relação a iniciativas anteriores, nas quais centenas de sites eram identificados, mas não necessariamente desativados de imediato. A medida também sinaliza um esforço coordenado entre autoridades judiciais e regulatórias para desmantelar operações ilegais e proteger a arrecadação tributária.

Riscos para os usuários

De acordo com promotores da divisão de crimes cibernéticos de San Isidro, os sites bloqueados ofereciam jogos no estilo cassino e apostas esportivas, muitas vezes prometendo saques rápidos como forma de atrair depósitos. Embora aparentassem legitimidade em um primeiro momento, usuários relatavam dificuldades para retirar seus ganhos, com suspeitas de que os valores eram desviados para sistemas offshore.

Autoridades também destacaram que algumas dessas plataformas permitiam o acesso de menores de idade sem qualquer verificação de identidade. Investigações apontaram ainda casos em que jovens eram recrutados para transferir dinheiro para essas redes em troca de pequenas quantias. Além disso, diversos sites imitavam operadores licenciados para induzir consumidores ao erro, conforme reportado pela imprensa.

Desafio crescente para a fiscalização

O jogo ilegal não é um fenômeno recente na Argentina, mas a expansão do ambiente digital tem tornado o controle mais complexo. Operadores online conseguem alcançar usuários com maior facilidade, ao mesmo tempo em que driblam mecanismos tradicionais de fiscalização.

Outro fator que dificulta a aplicação das regras é o modelo regulatório descentralizado: o jogo é regulamentado em nível provincial, e não nacional. Isso significa que, mesmo quando Buenos Aires bloqueia determinadas plataformas, operadores podem redirecionar suas atividades para regiões com respostas regulatórias mais lentas ou menos rigorosas.

Necessidade de coordenação

A operação ocorreu após meses de pressão por parte de entidades do setor e diante do crescimento sistemático de operadores ilegais. Autoridades de Buenos Aires destacaram que uma atuação mais integrada entre diferentes órgãos e províncias é essencial para combater o jogo não licenciado e proteger os consumidores.

A ENACOM reconheceu ainda que o mercado ilegal é altamente adaptável. Frequentemente, novos domínios surgem logo após o bloqueio de sites. Embora seja possível restringir o acesso e monitorar fluxos financeiros — envolvendo bancos, processadores de pagamento e exchanges de criptomoedas — essas frentes dependem de diferentes reguladores. Sem coordenação efetiva, os recursos continuam fluindo para operadores ilícitos.

Penalidades legais

De acordo com o Código Penal argentino (artigo 301 bis), operadores de jogos ilegais estão sujeitos a multas e penas de prisão. Além disso, províncias como Buenos Aires aplicam sanções adicionais, incluindo bloqueio de domínios, revogação de licenças e imposição de elevadas obrigações fiscais.

O Congresso argentino também aplica normas de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) e ao financiamento do terrorismo (CFT), o que pode levar operadores ilegais a investigações por crimes financeiros com penalidades severas. Buenos Aires, em particular, adota um dos regimes mais rigorosos do país, com tributos que podem chegar a 25% da receita bruta de jogos (GGR) para operadores licenciados.

Ferramentas de fiscalização

Com base em legislação federal, passou a ser obrigatória a verificação de identidade biométrica por meio do RENAPER para todas as plataformas de jogos online. Operadores que não cumprirem essa exigência podem ser imediatamente bloqueados e processados. Além disso, um projeto de lei em discussão propõe proibir o jogo online, bem como publicidade, patrocínios e endossos por celebridades, além de endurecer as penalidades para infratores e reduzir a exposição de grupos vulneráveis.

Desde o início do ano, o setor de jogos online na América Latina vem passando por uma transformação regulatória significativa. Países como Brasil, México, Peru, Colômbia, Chile e Argentina têm reforçado seus mecanismos de controle, elevando tributos e bloqueando operadores não licenciados.

Segundo análises do setor, a região está deixando para trás um cenário de baixa regulação e caminhando para um ambiente mais estruturado e rigoroso em termos de compliance.

O mercado de iGaming na América Latina deve atingir US$ 41 bilhões em 2026, consolidando-se como um dos que mais crescem no mundo. Esse avanço é impulsionado por alta penetração de internet (acima de 75% em muitos países), ampla adoção de smartphones e forte cultura ligada às apostas esportivas, especialmente em modalidades como futebol, NBA e UFC.

Além disso, a adoção de soluções FinTech — como o PIX no Brasil e carteiras digitais no México — está transformando os sistemas de pagamento, permitindo transações mais rápidas, seguras e eficientes.

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