A inteligência artificial se tornou rapidamente uma das forças mais poderosas e transformadoras dos setores globais — do financeiro e de entretenimento à saúde e ao universo dos jogos. Para Brando Benifei, deputado europeu em seu terceiro mandato e principal negociador da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia (AI Act), o desafio não é apenas acompanhar o ritmo, mas construir confiança, transparência e salvaguardas éticas que protejam as pessoas sem sufocar o progresso.
“Fui o relator e principal negociador da Lei de IA”, explica Benifei. “Agora ela faz parte da legislação da UE e está entrando em sua fase de implementação. Nosso foco é garantir que essa regulamentação se torne um modelo de como a inovação em IA pode se alinhar aos valores democráticos.”
Benifei, que também preside a Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com os Estados Unidos, desempenha um papel fundamental no diálogo global da Europa sobre governança da IA — uma discussão cada vez mais crucial para os negócios internacionais e a transformação digital.
Uma abordagem regulatória baseada em risco
No centro da Lei de IA está um sistema que classifica os riscos, projetado para distinguir aplicações de IA de baixo e alto impacto.
“Soluções de IA de baixo risco — por exemplo, aquelas que não afetam dados, cibersegurança ou saúde — podem ser regulamentadas de forma mais leve”, diz Benifei. “Mas, quando a IA é usada em áreas sensíveis, como ambientes de trabalho, sistemas de justiça ou processos democráticos, precisamos de regras específicas para mitigar esses riscos.”
Essa abordagem permite flexibilidade sem comprometer a segurança, criando o que Benifei descreve como “uma linguagem universal” para a inovação responsável. A transparência — especialmente em relação à IA generativa e aos deepfakes — também é um tema central. “A transparência é essencial para evitar manipulação e desinformação.”
Ética além da lei
Embora a legislação forneça estrutura, Benifei defende que a ética deve orientar a evolução da IA. “A lei só pode ir até certo ponto”, ele adverte. “É preciso uma abordagem ética que respeite a dignidade humana e mantenha as pessoas no centro do desenvolvimento.”
A IA deve aumentar a produtividade e o aprendizado, mas também precisa de mecanismos de segurança que gerem confiança, e não medo. Casos como sistemas de recrutamento enviesados ou vigilância biométrica invasiva mostram por que a supervisão é essencial. “Já vimos sistemas que discriminam mulheres ou minorias por causa dos dados usados em seu treinamento. Precisamos garantir que a governança de dados e a transparência sejam fortes o suficiente para evitar isso,” explica.
Regulamentando a IA nos jogos e no entretenimento digital
O setor de iGaming é um dos muitos que estão sendo transformados pela IA. Da personalização e jogabilidade adaptativa às ferramentas de proteção ao jogador, a tecnologia oferece um potencial enorme — mas deve ser usada de forma responsável.
“A IA pode fortalecer os videogames, tornando-os mais envolventes e interativos, mas também precisa de regulação para impedir manipulações subliminares ou práticas exploratórias, que são proibidas na Europa”, observa Benifei.
Para ele, o objetivo não é restringir a criatividade, mas alinhar a tecnologia aos valores humanos. “Não devemos ser contra a inovação, e sim regulá-la com base em nossos princípios.”
A abordagem europeia à IA, segundo Benifei, também precisa ser estrategicamente competitiva. Enquanto Estados Unidos e China lideram em avanços tecnológicos, a União Europeia busca alcançar esse ritmo, concentrando-se em soberania, investimento e colaboração. “Recuperar terreno na inovação é essencial para manter a competitividade e defender um modelo de IA baseado em valores democráticos. Para que esse modelo seja forte no debate global, precisamos investir mais e agir com unidade.” Ele destaca iniciativas como o EU Chips Act e os esforços para garantir cadeias de suprimentos sustentáveis de semicondutores e matérias-primas.
Com a inovação acelerando, Benifei acredita que eventos que reúnem governos, empresas e sociedade civil são fundamentais para o progresso. “É muito importante que empresas, consumidores e especialistas possam se reunir, trocar ideias e construir coesão,” afirma. “Qualquer iniciativa desse tipo fortalece a cooperação e o entendimento mútuo.”
O diálogo continua
À medida que o cenário europeu de IA evolui, as discussões sobre inovação, regulação e ética moldam o próximo capítulo do crescimento digital. Na SiGMA Europa Central 2025, em Roma, essas conversas terão destaque, conectando formuladores de políticas como Brando Benifei a líderes dos setores de iGaming, fintech e tecnologia emergente.
Participe da conversa em Roma, de 3 a 6 de novembro de 2025, onde inovação e governança se encontram — e o futuro da regulação inteligente é escrito.




