Durante uma conversa no formato fireside chat no primeiro dia da conferência da SiGMA Sul da Ásia, realizada no City of Dreams, no Sri Lanka, o empreendedor e investidor de tecnologia Evan Luthra apresentou argumentos contundentes sobre por que a educação, a adoção de IA e a inovação em blockchain vão redefinir a economia global — especialmente no Sul Global. Ao longo da discussão, Luthra reforçou que a educação continua sendo o principal motor do setor. Seja ao lidar com tecnologias emergentes como IA ou cripto, segundo ele, o medo e a desinformação desaparecem no momento em que as pessoas decidem aprender.
“Em vez de passar o fim de semana vendo um filme, dedique três horas para explorar a IA”, afirmou. “Se você aprender a usá-la de forma eficiente, vai superar grande parte do mundo.” Luthra destacou que tanto a IA quanto o blockchain dão às pessoas a capacidade de criar negócios rapidamente, sem depender de sistemas tradicionais lentos. No entanto, alertou que muitos usuários de cripto ainda evitam se educar e acabam confiando em terceiros para tomar decisões de investimento. “Se você não consegue explicar como o blockchain funciona, não deveria estar investindo nele.”
Uma parte central da sua visão focou no avanço da tokenização de ativos do mundo real (RWA) — desde terras e ouro até participações empresariais. Ao colocar classes de ativos que somam trilhões de dólares na blockchain, segundo ele, o mercado cripto deve se expandir de forma significativa. Luthra enxerga um futuro próximo em que identidade pessoal, registros de propriedade e documentos oficiais existirão completamente online, permitindo transações rápidas, seguras e sem fronteiras.
Luthra destacou ainda que a DeFi e a tokenização representam a maior oportunidade para o Sul Global, onde milhões de pessoas nunca tiveram acesso ao sistema bancário tradicional. Regiões do Sul da Ásia, da África e da América Latina já estão saltando etapas, deixando para trás estruturas antigas e avançando diretamente para o banco móvel e para as finanças descentralizadas. Com mais de 400 milhões de carteiras de cripto atualmente — e bilhões de pessoas ainda fora do sistema financeiro — Luthra acredita que esse público será o mais beneficiado.
Os desafios que estão travando a próxima onda de inovação
Ao ser questionado sobre ameaças à inovação, ele apontou primeiro para regulamentações mal informadas. Governos que tentam restringir o uso de cripto sem compreendê-lo, afirmou, acabam apenas empurrando as atividades para a informalidade. A experiência do usuário também segue como um obstáculo: “Você não pode esperar que uma pessoa de 50 anos memorize uma seed phrase de 12 palavras.”
Para operadores e criadores de tecnologia, Luthra recomendou priorizar velocidade de execução e distribuição, em vez de buscar perfeição. As empresas que vão se destacar serão as que já nascem com mentalidade “IA em primeiro lugar” e preparadas para interações automatizadas desde o início.
Olhando para o futuro, Luthra prevê que, dentro de um ano, veremos surgir uma empresa avaliada em um trilhão de dólares criada por uma única pessoa utilizando IA. Seu conselho final foi direto: comece a experimentar. “Não importa o que você faça, dedique tempo às ferramentas. Quando você começa a entender o potencial delas, tudo muda.”
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