A Malta Gaming Authority (MGA) deve abrir em breve uma consulta pública sobre o uso de inteligência artificial na indústria de jogos e apostas, enquanto os reguladores buscam estabelecer novas diretrizes para tecnologias de IA que avançam rapidamente no setor.
A proposta de framework, desenvolvida em parceria com a Malta Digital Innovation Authority, tem como objetivo orientar operadores de jogos e apostas sobre o uso responsável e transparente de sistemas de inteligência artificial em suas operações.
Uso crescente da IA no setor de jogos e apostas
A inteligência artificial se tornou cada vez mais presente nas operações de gambling nos últimos anos. Atualmente, operadores utilizam sistemas automatizados para atendimento ao cliente, prevenção a fraudes, análise de dados, marketing e monitoramento de práticas de jogo responsável. Reguladores afirmam que a tecnologia pode aumentar a eficiência operacional e ajudar empresas a identificar comportamentos suspeitos com mais rapidez, mas ainda existem preocupações relacionadas à transparência, responsabilidade e proteção do consumidor.
O CEO da MGA, Charles Mizzi, já havia declarado anteriormente que ferramentas de IA já são amplamente utilizadas por operadores licenciados em Malta e em outros mercados regulados. Segundo ele, é necessário estabelecer orientações mais claras para garantir que a tecnologia evolua de maneira responsável, sem comprometer as medidas de proteção aos jogadores.
O regulador explicou que a proposta da nova carta de princípios busca incentivar decisões éticas sem criar barreiras desnecessárias para a inovação. As autoridades reconheceram abertamente que a IA pode melhorar significativamente a rotina operacional das empresas, especialmente na detecção de fraudes e no fortalecimento de iniciativas de jogo responsável.
Ao mesmo tempo, a consulta deixa claro que a tomada de decisões automatizadas vem se tornando um ponto crescente de preocupação. A MGA destacou que os operadores devem ser capazes de explicar como os sistemas de IA influenciam decisões importantes, principalmente em questões relacionadas ao tratamento dado aos clientes e ao cumprimento das regulamentações.
Supervisão humana continua sendo prioridade
A supervisão humana também deve continuar sendo um dos pilares centrais das futuras diretrizes. Embora a inteligência artificial possa auxiliar empresas em decisões operacionais, os reguladores reforçaram que a responsabilidade final deve permanecer nas mãos de profissionais humanos, e não de sistemas totalmente automatizados.
A proteção de dados aparece como outro tema central da consulta pública. As autoridades alertaram que muitos sistemas de IA dependem de grandes volumes de informações dos usuários e, por isso, exigem mecanismos robustos de privacidade e tratamento de dados pessoais. Os operadores estão sendo incentivados a garantir que seus sistemas estejam em conformidade com as leis atuais de proteção de dados.
O regulador também está orientando as empresas a testar e monitorar regularmente seus sistemas de IA para identificar erros, resultados inesperados ou possíveis padrões discriminatórios. As companhias deverão manter processos contínuos de revisão do desempenho dos algoritmos e de correção de falhas sempre que necessário.
Outro ponto de atenção envolve fornecedores terceirizados de tecnologia. Muitas empresas do setor de apostas dependem de softwares e serviços baseados em IA fornecidos por parceiros externos, e a MGA destacou que os operadores devem realizar processos rigorosos de due diligence para garantir que esses sistemas atendam aos padrões regulatórios e éticos exigidos.
Alinhamento com a Lei de IA da União Europeia
O framework proposto também deverá estar alinhado ao AI Act da União Europeia, uma das primeiras legislações de grande porte criadas especificamente para regulamentar a inteligência artificial. A lei adota uma abordagem baseada em riscos para tornar os sistemas de IA mais transparentes, responsáveis e seguros para os cidadãos em todo o bloco europeu.
A MGA convidou operadores de jogos e apostas, profissionais de compliance, fornecedores de tecnologia e demais stakeholders da indústria a enviarem contribuições antes da versão final das diretrizes ser concluída.
Especialistas do setor afirmam que a consulta pública pode servir como um importante indicativo de como reguladores de jogos e apostas em toda a Europa deverão tratar a supervisão da inteligência artificial nos próximos anos, à medida que a tecnologia se torna cada vez mais integrada às operações diárias da indústria.
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