A Copa do Mundo de 2026 tem mostrado um desempenho nunca visto antes no setor de apostas e dado protagonismo aos mercados de previsão. Conforme o campeonato mundial avança, as plataformas mais populares desse segmento, Kalshi e Polymarket, registram volumes de negociação impressionantes, aumentando o debate sobre o futuro das apostas esportivas tradicionais e o papel desses mercados no setor.
Antes mesmo do início da competição, os analistas do banco de investimentos Macquarie projetavam que a Copa do Mundo de 2026 poderia se tornar o maior evento de apostas da história, considerando conjuntamente sportsbooks e mercados de previsão. A expectativa refletia o crescimento acelerado dessas plataformas e a expansão da participação dos mercados de previsão no ecossistema global de apostas. Os números registrados ao longo do torneio indicam que essa previsão pode estar se confirmando.
Embora os principais operadores de apostas esportivas ainda não tenham divulgado o handle consolidado do mês de junho, os mercados de previsão já apresentam números suficientes para demonstrar a dimensão do crescimento. Segundo os dados divulgados pela própria Kalshi mostram que os contratos relacionados à Copa do Mundo ultrapassaram a marca de $1 bilhão em negociações apenas nos mercados do torneio.
No cenário internacional, a Polymarket informou que o volume acumulado de negociações ligadas à Copa já superou $4 bilhões em sua plataforma global. Segundo a empresa, este se tornou o evento individual com maior movimentação financeira de sua história.
Outros levantamentos publicados por veículos como Fortune, Yahoo Finance e Cointelegraph indicam que, ao considerar diferentes tipos de contratos e mercados relacionados ao Mundial, o volume movimentado pelas principais plataformas de mercados de previsão já ultrapassa $5 bilhões, estabelecendo um novo recorde para esse segmento.
Apesar de, na prática, oferecerem ao usuário uma experiência semelhante à das apostas esportivas, os mercados de previsão operam sob uma lógica diferente. Nas casas de apostas convencionais, o jogador aposta contra a operadora, que define as odds e assume parte do risco financeiro da operação.
Nos mercados de previsão, por outro lado, os participantes negociam contratos entre si. Cada contrato representa a probabilidade de determinado evento acontecer e seu preço oscila conforme compradores e vendedores ajustam suas expectativas ao longo do tempo. Na Kalshi, por exemplo, a empresa define seus produtos como contratos de eventos, justificando que se tratam de instrumentos financeiros regulados e não de apostas esportivas tradicionais.
O crescimento observado durante a Copa do Mundo acompanha uma característica típica dos mercados financeiros: a liquidez tende a aumentar conforme novas informações surgem. A cada rodada, novas probabilidades são incorporadas aos preços dos contratos, enquanto os investidores e apostadores compram, vendem ou encerram posições antes mesmo da definição do campeão.
Esse comportamento diferencia os mercados de previsão das apostas convencionais, nas quais normalmente o usuário permanece com a aposta até o resultado final da partida.
Além do mercado para o campeão mundial, as plataformas oferecem contratos para classificação de seleções, resultados de partidas, artilharia, número de gols e diversos outros desdobramentos do torneio, ampliando significativamente o volume negociado.
Concorrência crescente com os sportsbooks
O avanço dos mercados de previsão também amplia a pressão competitiva sobre as casas de apostas tradicionais. Enquanto sportsbooks como DraftKings, FanDuel, BetMGM e bet365 continuam baseando sua operação em odds definidas pela própria casa, as plataformas de mercados de previsão como Kalshi e Polymarket permitem que os próprios usuários determinem os preços dos contratos por meio da oferta e da demanda.
Essa estrutura aproxima os mercados de previsão do funcionamento de bolsas financeiras e atrai um perfil de usuário interessado não apenas em apostar, mas também em negociar posições, realizar hedge e aproveitar oportunidades de arbitragem. Como podemos observar em algumas pesquisas, parte do capital antes destinado exclusivamente às apostas esportivas começa a migrar para esse novo modelo de negociação, especialmente durante grandes eventos esportivos.
A rapidez no crescimento desse setor também aumentou o debate sobre essas plataformas. A Kalshi diz que seus contratos são regulados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), autoridade responsável pelo mercado de derivativos nos Estados Unidos, e por isso não deveriam ser enquadrados como apostas esportivas sujeitas às legislações estaduais.
Diversos estados norte-americanos, porém, contestam esse entendimento e defendem que contratos baseados em resultados esportivos devem seguir as mesmas regras aplicadas às operadoras de apostas licenciadas. A discussão já envolve ações judiciais e manifestações tanto de reguladores quanto da indústria de jogos.
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