A Meta teria analisado a possibilidade de adquirir a operadora de mercados preditivos Kalshi antes de optar pelo desenvolvimento de sua própria plataforma de previsões.
Fontes familiarizadas com as negociações informaram à NPR que o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, se reuniu com o fundador e diretor-executivo da Kalshi, Tarek Mansour, em 2025 para discutir uma possível aquisição da empresa. No entanto, as conversas não teriam avançado além de uma fase inicial, e versões diferentes surgiram sobre os motivos que impediram a concretização do negócio.
As negociações ocorreram em um momento de forte expansão dos mercados preditivos, segmento que vem movimentando bilhões de dólares em volume de negociações e atraindo cada vez mais atenção de investidores, reguladores e grandes empresas de tecnologia.
Meta aposta na Arena após negociações com a Kalshi não avançarem
Embora as conversas para aquisição da Kalshi não tenham prosperado, a Meta seguiu adiante com seus planos para o setor de mercados preditivos por meio do desenvolvimento de um aplicativo independente chamado Arena.
De acordo com documentos internos analisados pela NPR, a Arena está sendo concebida como uma plataforma de previsões que permitirá aos usuários fazer prognósticos sobre eventos futuros utilizando pontos virtuais, e não apostas com dinheiro real.
Diferentemente da Kalshi e da plataforma concorrente Polymarket, a Arena não deverá oferecer apostas financeiras. Em vez disso, os usuários poderão fazer previsões sobre acontecimentos noticiosos, tendências culturais, entretenimento, debates online e outros temas de interesse público.
Os sistemas de inteligência artificial da Meta devem desempenhar um papel central no funcionamento da plataforma, sendo responsáveis por criar os mercados de previsão, formular perguntas, administrar as previsões e determinar os resultados após a conclusão dos eventos analisados. Nem a Meta nem a Kalshi comentaram publicamente as informações relacionadas às negociações de aquisição.
Aplicativo Arena faz parte da estratégia mais ampla da Meta
Nos últimos anos, a Meta tem ampliado seus investimentos em inteligência artificial, produtos por assinatura e novas plataformas digitais como forma de diversificar suas fontes de crescimento. A Arena é apenas um dos vários aplicativos independentes que estão sendo desenvolvidos e testados fora do ecossistema principal da companhia, composto por Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.
Segundo dados divulgados pela própria empresa, a Meta registrou 3,566 bilhões de usuários ativos diários no trimestre compreendido entre janeiro e março. Analistas do setor acreditam que a empresa poderá utilizar esse enorme alcance global para impulsionar rapidamente a adoção da Arena quando a plataforma for oficialmente lançada.
Mercados preditivos se transformam em uma indústria bilionária
O interesse da Meta surge em um momento em que os mercados preditivos deixam de ser um produto financeiro de nicho para se consolidarem como uma indústria global de grande porte. Dados da empresa de análise The Block mostram que o volume mensal combinado de negociações das plataformas Kalshi e Polymarket atingiu aproximadamente US$ 28 bilhões em maio de 2026.
Grande parte desse crescimento foi impulsionada por contratos relacionados a eventos esportivos. No entanto, os participantes desses mercados vêm utilizando cada vez mais essas plataformas para especular sobre temas como política, economia, tecnologia e acontecimentos globais.
A confiança dos investidores também aumentou significativamente. Em sua rodada mais recente de captação de recursos, realizada em maio de 2026, a Kalshi alcançou uma avaliação de mercado estimada em US$ 22 bilhões, um salto expressivo em relação aos US$ 2 bilhões registrados apenas um ano antes.
Analistas projetam que os mercados preditivos possam movimentar até US$ 1 trilhão em volume anual de negociações até 2030, tornando o setor cada vez mais atraente para gigantes da tecnologia em busca de novas oportunidades de crescimento.
Pressão regulatória continua aumentando
Apesar da rápida expansão, os mercados preditivos seguem sob intenso escrutínio regulatório. Órgãos reguladores estaduais de jogos nos Estados Unidos continuam argumentando que muitos contratos baseados em eventos possuem características muito semelhantes às de produtos de apostas. Paralelamente, reguladores federais trabalham para estabelecer regras mais claras para o funcionamento desse mercado.
A Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência responsável pela supervisão dos mercados de derivativos nos Estados Unidos, propôs medidas destinadas a esclarecer quais tipos de contratos baseados em eventos podem ser oferecidos legalmente, ao mesmo tempo em que reforça a supervisão federal sobre o setor.
Entre os principais temas em debate estão a integridade dos mercados, a proteção dos investidores de varejo e a divisão de competências regulatórias entre autoridades estaduais e federais.
Além dos desafios regulatórios, o setor também tem lidado com questões reputacionais. Recentemente, a Polymarket passou a ser alvo de atenção após uma reportagem do Wall Street Journal alegar que influenciadores teriam sido pagos para criar conteúdos promocionais enganosos envolvendo operações e ganhos supostamente fictícios. Como resposta, a plataforma iniciou uma auditoria interna sobre seus materiais promocionais ativos.
Apesar do aumento do escrutínio, a Polymarket informou ter ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão em receita anualizada, um marco alcançado apenas seis semanas após abrir ao público sua exchange regulamentada nos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pela CNBC, esse desempenho foi impulsionado pelo forte volume de negociações tanto em sua nova plataforma regulamentada para o mercado norte-americano quanto em sua exchange descentralizada internacional.
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