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Pensilvânia propõe ampla reforma das regras de jogo responsável

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Parlamentares da Pensilvânia e o Pennsylvania Gaming Control Board (PGCB) apresentaram um amplo pacote de reformas voltadas ao jogo responsável após a divulgação do relatório da Joint State Government Commission, Sports Betting and Related Interactive Gambling in Pennsylvania.

O relatório, elaborado a partir da House Resolution 60, recomenda medidas imediatas e de longo prazo para reduzir os danos relacionados ao jogo. Paralelamente, o PGCB propôs mudanças regulatórias que abrangem programas de jogo responsável, proteção dos jogadores, padrões de publicidade e mecanismos de autoexclusão.

As propostas representam uma revisão abrangente do mercado regulamentado de jogos da Pensilvânia e podem redefinir as exigências relacionadas ao jogo responsável para as operadoras licenciadas.

Leis sobre jogos passam por revisão

Um estudo recente realizado pela Joint State Government Commission identificou diversos impactos sociais associados aos jogos de azar. De acordo com as pesquisas, o jogo excessivo está relacionado ao endividamento, transtornos mentais, problemas conjugais, violência doméstica, possíveis ameaças à integridade de atletas universitários e maiores índices de suicídio em determinados grupos da população.

Embora a pesquisa da Comissão não altere diretamente a legislação da Pensilvânia, ela serve como referência para os formuladores de políticas públicas do estado. Em especial, o estudo propõe duas linhas de atuação: medidas imediatas para ajudar pessoas com problemas relacionados ao jogo e estratégias de longo prazo baseadas na utilização de dados dos jogadores para compreender melhor seu comportamento.

Os legisladores têm autoridade para promover mudanças fundamentadas em evidências. Ao mesmo tempo, a coleta de dados comportamentais pode tornar as regras mais direcionadas às pessoas em situação de risco, sem impor restrições desnecessárias aos demais jogadores.

Recomendações legislativas

O relatório da Comissão apresenta propostas que podem transformar a legislação sobre jogos na Pensilvânia, transferindo parte da responsabilidade das operadoras para os legisladores e colocando a proteção do consumidor como prioridade.

Entre as recomendações estão a proibição das apostas ao vivo durante os eventos esportivos para reduzir apostas impulsivas; a proibição do uso de cartões de crédito para evitar o endividamento; a criação de limites obrigatórios de apostas para incentivar práticas responsáveis; restrições à publicidade de jogos para reduzir a exposição do público; limitações aos programas VIP para eliminar incentivos excessivos; proibição do uso de marketing baseado em inteligência artificial para impedir a personalização de ofertas direcionadas a pessoas vulneráveis; e a proibição do envio de notificações push para usuários desconectados, evitando comunicações não solicitadas.

Embora algumas dessas medidas possam reduzir a receita do setor, seus defensores argumentam que priorizar a redução de danos traz benefícios para toda a sociedade.

Uma das propostas mais inovadoras trata justamente do uso da inteligência artificial em ações promocionais. À medida que a IA se torna mais capaz de analisar o comportamento dos jogadores, ela também pode ser utilizada para oferecer promoções altamente personalizadas. Os legisladores demonstram preocupação de que essa tecnologia possa direcionar ofertas a pessoas vulneráveis e estimular comportamentos de risco.

Ao agir de forma preventiva, a Pensilvânia pretende evitar o uso inadequado da inteligência artificial no marketing de jogos. O objetivo não é proibir completamente a IA, mas restringir seu uso quando houver potencial para explorar jogadores de maior risco.

Mudanças regulatórias propostas pelo PGCB

Enquanto os parlamentares discutem reformas mais amplas, o PGCB apresentou suas próprias atualizações regulatórias voltadas às operadoras licenciadas. Publicadas para consulta pública em julho de 2026, as propostas buscam fortalecer os padrões de jogo responsável nas plataformas online.

O PGCB destaca a importância de oferecer aos jogadores maior controle sobre sua atividade. As operadoras seriam obrigadas a disponibilizar ferramentas mais simples para definir limites de depósito, gastos e apostas. Além disso, os jogadores poderiam suspender suas contas por um período de até um ano.

Também seriam exigidos relatórios mensais sobre mecanismos de autolimitação e autoexclusão, permitindo que as autoridades acompanhem tendências e aprimorem a fiscalização. Outra proposta prevê que os usuários possam optar por não receber comunicações diretas, garantindo que pessoas que estejam tentando reduzir ou interromper sua atividade de jogo não sejam alvo de ofertas promocionais.

O PGCB também recomenda proibir ações de marketing direcionadas a pessoas inscritas em programas de autoexclusão e limitar a publicidade de produtos de jogos voltada a indivíduos ou grupos reconhecidamente mais vulneráveis aos danos relacionados ao jogo. Além disso, a linguagem utilizada nas campanhas publicitárias passaria a ser regulamentada. Expressões como “free bet” e “risk free” poderão ser proibidas quando o dinheiro do próprio jogador continuar em risco.

Tendência de fortalecimento do jogo responsável

A revisão conduzida na Pensilvânia reflete uma tendência mais ampla observada nos Estados Unidos. Embora o principal objetivo da regulamentação tenha sido combater o mercado ilegal e aumentar a arrecadação tributária, tornou-se evidente que medidas preventivas são necessárias para evitar consequências negativas.

O Colorado foi o primeiro estado a proibir casas de apostas esportivas de enviarem ofertas por meio de notificações push ou permitirem que jogadores utilizem cartões de crédito para apostar online. O estado também proibiu o uso de termos como “bonus bet” e “no sweat”, que poderiam ser interpretados de forma enganosa pelos consumidores.

Nova York aprovou leis que obrigam as operadoras a fornecer extratos mensais detalhando o histórico de apostas, ganhos e perdas, oferecendo aos jogadores uma visão mais clara de sua atividade.

Nova Jersey e outros estados também avaliam reformas nas regras de publicidade, sinalizando um entendimento crescente de que a proteção ao consumidor precisa evoluir à medida que os mercados regulamentados de jogos amadurecem.

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