Na corrida para conquistar a confiança do jogador e ampliar a visibilidade online, as marcas de iGaming estão produzindo mais conteúdo do que nunca. Mas quantidade não significa qualidade. Segundo Sacha Kinser, fundadora da Kinser Content, essa mentalidade faz parte do problema. Em 2025, ter uma estratégia sólida de conteúdo para iGaming deixou de ser opcional — tornou-se essencial.
A SiGMA News falou exclusivamente com Sacha Kinser para desvendar como seria uma estratégia de conteúdo de iGaming mais inteligente em 2025.
Uma estratégia de conteúdo mais inteligente para o iGaming
Em 2025, o maior desafio do conteúdo no iGaming não é a produção. É o propósito.
Kinser observa repetidamente o mesmo cenário em operadores e afiliados: equipes de conteúdo bem-intencionadas, mas presas a produzir páginas recheadas de palavras-chave que não geram nem confiança, nem resultado.
“O erro mais caro? Buscar volume em vez de valor”, afirma. “Algumas peças bem posicionadas e pensadas costumam ter desempenho muito superior a uma enxurrada de conteúdo genérico.”
Segundo ela, esse excesso gera sites pesados, com arquitetura confusa, concorrência interna entre páginas e desperdício de orçamento. Mas o pior é que quebra a jornada do usuário. Muitas marcas se fixam em ranqueamento e esquecem o motivo pelo qual alguém lê aquele conteúdo. Sem uma estratégia clara, quantidade vira inimiga da conexão. Simon Westbury, conselheiro estratégico da 1XBET, já havia levantado essa questão em entrevista recente à SiGMA News.
E, apesar de seu potencial, a IA não é a solução por si só. “Muitas marcas de iGaming acham que basta usar inteligência artificial para resolver todas as necessidades de conteúdo, mas isso pode sair caro”, alerta Kinser.
Ela é categórica: a estratégia de conteúdo ainda precisa de supervisão humana, voz definida e cuidado editorial. Sem isso, a IA só acelera o trabalho errado.
Retenção: a mina de ouro esquecida
A maioria das empresas de iGaming foca quase exclusivamente na aquisição de novos jogadores. Mas, para Kinser, o verdadeiro poder do conteúdo começa depois da primeira interação. “Existe um esforço intenso para trazer o jogador até a plataforma, mas muito menos investimento em mantê-lo engajado depois que ele chega.”
Ela aponta jornadas de CRM, campanhas de fidelização e conteúdo voltado para a comunidade como alavancas de crescimento críticas, mas frequentemente negligenciadas. “Quando o conteúdo é planejado para gerar confiança, entregar valor e fazer o usuário voltar, ele se torna um poderoso motor de afinidade com a marca.”
Uma estratégia eficiente de conteúdo para iGaming precisa ir além da aquisição e trabalhar para criar lealdade de longo prazo. Não basta converter — é preciso reter.
O tom de voz como sinal de confiança
Conteúdo que ranqueia, mas não ressoa com o público, ainda falha em engajar. No ambiente regulatório rígido do iGaming, o tom de voz vai além da construção de marca: ele influencia a percepção do público e ajuda a conquistar sua confiança.
“O SEO é o motor de distribuição”, explica Kinser. “A voz da marca é a camada de engajamento. E a conformidade é a base inegociável.”
Combinando compliance, criatividade e performance, a Kinser Content desenvolve mensagens que conectam e entregam resultados. Em temas como KYC ou jogo responsável, cada palavra importa — e o tom pode construir ou destruir a confiança.
“Temos obtido bons resultados explicando o porquê das políticas. Algo como: ‘Verificamos sua identidade para manter sua conta segura e cumprir as regulamentações. É um passo rápido, e seus dados estão protegidos’. Esse tipo de abordagem gera confiança e posiciona a marca como comprometida tanto com a conformidade quanto com o usuário.”
A equipe da Kinser criou estruturas para manter tom e empatia em diferentes mercados, especialmente ao tratar de assuntos sensíveis. E a regra de ouro? Estruturar para SEO, mas escrever para um amigo. Uma estratégia refinada prioriza voz e clareza acima de densidade mecânica de palavras-chave.
IA precisa de cérebro humano, não só de botão
Ferramentas de IA estão por toda parte. Mas, usadas sem critério, podem comprometer conformidade, voz da marca e confiança do usuário.
“Todos precisamos de apoio na fase de ideação”, comenta Kinser. “E a IA pode ser ótima para superar bloqueios criativos ou escalar conteúdos padronizados.” No entanto, em mercados regulados como o iGaming, ela reforça: “Eu nunca recomendaria depender apenas da IA.”
A Kinser Content adota processos híbridos, nos quais a IA auxilia, mas o controle é humano. O foco sai da produção de primeiros rascunhos e vai para revisão em múltiplas camadas, checagem de fatos e avaliação regulatória. Não é ser contra IA — é ser a favor do editorial. E qualquer estratégia sustentável de conteúdo no iGaming precisa definir onde a máquina para e onde o humano entra.
Escalar sem perder o controle
Aumentar a produção de conteúdo com rapidez não precisa significar abrir mão da qualidade — mas, sem os sistemas certos, muitas marcas acabam caindo em armadilhas.
“Um dos primeiros sinais de alerta que eu observo é a ausência de briefings detalhados e diretrizes editoriais claras”, explica Sacha Kinser. O resultado? Tom desalinhado com a marca, linguagem genérica ou, pior, textos fora de conformidade que geram riscos reais.
E o problema não está apenas no que é publicado. Está também no que é esquecido.
“Se ninguém acompanha as métricas, páginas antigas ou ineficazes vão se acumulando e começam a prejudicar a saúde geral do site”, alerta.
Por isso, seu método é olhar para todo o ciclo de vida do conteúdo: estratégia, execução e otimização pós-lançamento. Para escalar com eficiência, é preciso começar pela estrutura. Checklists editoriais, guias de voz de marca e revisão de qualidade (QA) em todas as etapas. Essa abordagem vai ao encontro de uma reportagem recente do SiGMA News sobre como a inovação operacional está transformando o setor de iGaming.
“Volume não significa nada se o conteúdo não for realmente útil.”
No fim das contas, o melhor marketing de conteúdo no iGaming se mede por valor, não por velocidade.
O que é, de fato, uma cultura content-first
O setor está se adaptando — mas não no ritmo necessário.
“Sim, eu acredito que a indústria subestima o papel da liderança em conteúdo como ativo estratégico”, afirma Kinser.
Muitas vezes, equipes de conteúdo são colocadas sob o guarda-chuva do SEO, encarregadas apenas de gerar tráfego, mas sem participação nas decisões de produto ou marca. O resultado? Campanhas fragmentadas, textos reativos e oportunidades perdidas.
Para Kinser, uma verdadeira cultura content-first teria um cenário bem diferente:
- O conteúdo participa das decisões de produto e do planejamento de campanhas.
- Os KPIs medem engajamento, retenção e valor ao longo da vida do jogador — não apenas tráfego.
- O tom de voz é documentado, treinado e aplicado de forma consistente em toda a jornada.
- Jurídico, SEO, CRM e Produto atuam em sintonia com a equipe editorial.
“Com a estrutura certa, o conteúdo vira o tecido conectivo entre marca, produto, marketing e compliance”, afirma. “Quando a liderança percebe isso, a conversa sobre orçamento e liberdade criativa começa a mudar.”
Essa integração é exatamente o que uma boa estratégia de conteúdo para iGaming deve buscar, porque, sem alinhamento, o impacto trava.
Do crescimento à mentoria
Para Sacha Kinser, o momento mais gratificante não é lançar uma campanha chamativa — é ver pessoas e ideias crescerem.
“Tive a honra de ajudar a lançar e escalar sites de afiliados em mais de 40 mercados”, conta. “Mas os momentos de que mais me orgulho são aqueles em que realmente fiz diferença. Não apenas para o negócio, mas para o crescimento e a confiança das pessoas que liderei.”
Em um setor que muitas vezes encara o conteúdo como um simples item a ser marcado na lista, a abordagem de Kinser é outra: orientada pela cultura, fundamentada em insights e com a consciência de que o que é humano é o que mais performa.
Quando a cultura sobrevive ao conteúdo
Se a crise de conteúdo do iGaming em 2025 é a homogeneização, a solução não está em escalar mais. Está em ter estratégia — uma lição tão relevante hoje quanto nos primeiros anos da indústria, como destacou a SiGMA News na exclusiva Os Pioneiros do Jogo Online, com Pontus Lindwall.
Da clareza no compliance à construção de confiança no pós-aquisição, Sacha Kinser reforça um ponto: cultura de conteúdo não é enfeite. É crescimento. E as marcas que adotarem essa visão não apenas terão melhor posicionamento — elas vão durar mais.
Uma estratégia forte de conteúdo para iGaming não é sobre barulho. É sobre nuance. E isso começa nos bastidores, com a cultura que molda cada palavra.




