Regulamentação do iGaming deve se aprofundar com a entrada de mais jurisdições, diz especialista
A indústria global de iGaming continuará avançando rumo a um ambiente cada vez mais regulamentado à medida que novas jurisdições buscam supervisionar e se beneficiar economicamente do setor, segundo Ran David, cofundador da GBO International Financial Services, empresa de serviços corporativos B2B voltada para a indústria de jogos.
Em entrevista exclusiva à SiGMA News durante a SiGMA Asia, realizada nas Filipinas, David afirmou que os reguladores contam hoje com ferramentas e capacidades mais avançadas para monitorar as atividades das operadoras, impulsionando a evolução do setor para um ambiente mais maduro e regulamentado.
“A regulamentação está aumentando, o que significa que há muito mais supervisão regulatória”, afirmou David. “Hoje é mais fácil para os reguladores monitorarem diferentes atividades, algo que talvez fosse mais difícil no passado.”
Apesar da expansão da fiscalização regulatória, David não acredita que o setor caminhe para um modelo global harmonizado de licenciamento.
“Acredito que continuaremos vendo o que vemos hoje”, disse. “Cada jurisdição tem sua própria regulamentação, suas prioridades e os aspectos que considera mais importantes.”
Segundo ele, as mudanças regulatórias tendem a ocorrer de forma gradual, e não por meio de reformas radicais.
“A regulamentação avança passo a passo. É um processo relativamente lento”, explicou. “Não vejo nenhuma mudança disruptiva prestes a acontecer no mercado.”
Em vez disso, ele espera que mais países e territórios lancem seus próprios marcos regulatórios à medida que os governos reconhecem a presença permanente da indústria e seu potencial econômico.
“A indústria dos jogos está aqui para ficar”, afirmou David. “Estamos vendo mais jurisdições entrando nesse mercado e querendo fazer parte dele.”
“Se existe uma atividade desse porte, eu quero participar dela. Quero regulamentá-la. Também quero me beneficiar dela e proteger os jogadores envolvidos.” David destacou a evolução do cenário de licenças offshore, observando que novas jurisdições estão surgindo ao lado dos tradicionais centros de licenciamento. “Agora vemos novas licenças emergentes que querem participar desse mercado e fazer parte desse ecossistema”, disse.
Ele citou Nevis, uma das duas ilhas que compõem a federação caribenha de São Cristóvão e Névis, como uma das jurisdições mais recentes que vêm atraindo a atenção da indústria.
Inovação em pagamentos acompanha as exigências regulatórias
Mesmo diante do aumento das exigências regulatórias, David acredita que a inovação nos meios de pagamento e nos serviços financeiros continua criando novas oportunidades para as operadoras. Segundo ele, empreendedores e fornecedores de tecnologia estão constantemente desenvolvendo soluções para enfrentar os desafios do setor.
“A indústria sempre encontra novas soluções”, afirmou. “Essas soluções de pagamento estão um passo à frente para apoiar as operadoras diante dos desafios que elas enfrentarão.”
David apontou a tecnologia blockchain e as criptomoedas como exemplos de inovações que contribuem para a evolução do mercado. “De um lado, a regulamentação está se tornando muito mais robusta. Do outro, novas soluções, novos empreendedores e novas tecnologias estão surgindo em ritmo acelerado”, disse.
“Hoje existem tantas soluções impressionantes que fica até difícil acompanhar todas elas.”
“A regulamentação existe para proteger todos os envolvidos. Em primeiro lugar, o jogador, mas também as operadoras.”
– Ran David, cofundador da GBO International Financial Services
Inteligência artificial traz oportunidades e incertezas
David afirmou que a inteligência artificial poderá transformar a indústria de maneiras que ainda são difíceis de prever. Embora a IA ofereça oportunidades significativas para operadoras, reguladores e fornecedores de serviços, ele alertou que a velocidade das mudanças tecnológicas também pode gerar novos desafios.
“A IA é uma oportunidade extraordinária para todos, mas também traz riscos”, afirmou. Ele observou que algumas empresas demonstram preocupação com a possibilidade de mudanças inesperadas na dinâmica competitiva do mercado à medida que novas soluções baseadas em inteligência artificial surgem.
“O mercado e a concorrência podem seguir uma direção completamente diferente daquela que hoje parece ser a melhor estratégia.” David também rejeitou a ideia de que os reguladores estejam necessariamente ficando para trás em relação à inovação tecnológica.
Compliance deve ser encarado como uma necessidade estratégica
À medida que as operadoras expandem suas operações para novos mercados, David recomenda que o compliance seja tratado como um elemento central da estratégia de negócios, e não como uma obrigação burocrática. Segundo ele, os reguladores estão cada vez mais focados em proteção ao jogador, integridade dos jogos e processos rigorosos de diligência e verificação.
“As empresas já entendem hoje quais são os requisitos regulatórios”, afirmou. “O importante é garantir que eles sejam cumpridos.”
De acordo com David, as tecnologias modernas de compliance tornaram mais fácil atender às exigências regulatórias.
“Atualmente existem ferramentas avançadas de inteligência artificial que ajudam no cumprimento das exigências regulatórias”, disse. “São recursos impressionantes que não estavam disponíveis no passado.”
David argumenta que as operadoras não devem enxergar a regulamentação como uma ameaça. “A regulamentação existe para proteger todos. Primeiro os jogadores, mas também as próprias operadoras.”
Seu conselho para empresas que pretendem entrar em novas jurisdições é direto. “Basta seguir a regulamentação e tudo ficará bem”, afirmou.
Operadoras precisam se preparar para um futuro mais regulamentado
Olhando para os próximos anos, David acredita que regulamentação e compliance se tornarão fatores cada vez mais relevantes no planejamento estratégico das empresas.
“O mercado está se tornando mais regulamentado”, afirmou. “As empresas precisam prestar mais atenção a isso.”
Ele recomenda que as operadoras avaliem cuidadosamente suas opções de licenciamento e garantam que elas estejam alinhadas aos mercados em que pretendem atuar.
“Escolham as jurisdições corretas nas quais desejam concentrar seus esforços”, disse. “E certifiquem-se de possuir a licença adequada.”David acrescentou que os custos relacionados ao compliance e às exigências regulatórias devem fazer parte do planejamento de longo prazo. “Incluam isso no plano de negócios. É fundamental considerar que a área regulatória e de compliance precisa receber a mesma atenção que as demais áreas da operação.”
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