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Especialistas: stablecoins miram gargalo global nos pagamentos

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Stablecoins e pagamentos baseados em blockchain estão prestes a solucionar um dos problemas mais persistentes do sistema financeiro: as transações internacionais lentas e caras.

Durante o painel “Scaling the Future of Finance: Payments, Stablecoins & Global Adoption” na Philippine Blockchain Week 2026, realizada em Pasay City, líderes do setor defenderam que, embora a tecnologia já esteja pronta, confiança, educação e clareza regulatória continuam sendo fatores essenciais para impulsionar a adoção em massa.

Raj Nandwani, Diretor Global de Desenvolvimento de Negócios e Acesso ao Mercado Institucional da Binance, afirmou que os consumidores estão cada vez mais questionando quem realmente tem controle sobre o seu dinheiro.

“Em algum momento, todos vão começar a questionar onde realmente armazenam seu patrimônio”, disse Nandwani. “Tenho uma teoria bastante simples: se você não consegue acessar seu dinheiro em menos de um minuto, provavelmente ele não é realmente seu.”

Segundo ele, até mesmo plataformas financeiras modernas frequentemente falham em oferecer acesso imediato aos recursos dos usuários. “Estamos trabalhando para devolver o controle do valor ao indivíduo, permitindo que ele faça o que precisar dentro de um ambiente regulamentado”, afirmou.

Chengyi Ong, Diretora de Políticas para a região Ásia-Pacífico (APAC) da Circle, destacou que as ineficiências nos sistemas de pagamento continuam sendo um desafio global, apesar dos anos de esforços de reguladores e formuladores de políticas públicas.

“De forma geral, a infraestrutura financeira é bastante eficiente, especialmente quando falamos de pagamentos domésticos”, disse Ong. “Mas ela ainda é lenta e cara, dependendo do valor que está sendo enviado.”

Ela citou iniciativas internacionais em andamento para modernizar os sistemas de pagamento. “O G20 possui um roteiro completo voltado para tornar os pagamentos mais eficientes, mas os resultados ainda são limitados”, afirmou. “O avanço anual tem sido lento, principalmente nas transferências de menor valor.”

De acordo com Ong, remessas internacionais e transações B2B de menor porte continuam entre as categorias de pagamento mais difíceis de otimizar.

Educação continua sendo o maior obstáculo

(Da esquerda para a direita) O moderador Benjamin Fletcher, CEO da KODAI, ao lado dos painelistas Raj Nandwani, Diretor Global de Desenvolvimento de Negócios e Acesso ao Mercado Institucional da Binance; Alice Truong, Vice-Presidente da Nuvei; e Chengyi Ong, Diretora de Políticas para APAC da Circle, durante a Philippine Blockchain Week 2026, em Pasay City, Filipinas.

Embora blockchain e stablecoins possam resolver diversos desafios relacionados a pagamentos, os participantes concordaram que a educação do usuário ainda representa um dos maiores obstáculos para o setor. Alice Truong, Vice-Presidente da Nuvei, afirmou que a tecnologia, por si só, não garante adoção.

“O motivo pelo qual começamos a trabalhar com blockchain, criptomoedas e stablecoins foi justamente resolver essas dificuldades”, disse Truong. “No entanto, adotar uma nova tecnologia é algo extremamente desafiador.”

Ela argumentou que os usuários precisam compreender tanto as oportunidades quanto os riscos envolvidos.

“Primeiro, eles precisam saber como utilizar a tecnologia”, afirmou. “E não basta apenas saber usar; também precisam entender quais são as possíveis desvantagens.”

Para Truong, educação, confiança e segurança precisam evoluir no mesmo ritmo das inovações tecnológicas. “A educação é fundamental quando falamos de novas tecnologias, assim como confiança e segurança”, acrescentou.

Nandwani destacou que a educação financeira deve ser encarada como um desafio mais amplo, e não apenas como uma questão ligada às criptomoedas. “A alfabetização financeira é um problema que ainda tentamos resolver no sistema financeiro tradicional”, afirmou. “Precisamos investir em educação para que as pessoas entendam por que os processos de KYC funcionam, como a privacidade é preservada dentro desse contexto e por que é importante conhecer sua própria situação financeira.”

“As criptomoedas são apenas uma das formas de representar valor dentro desse conceito mais amplo de educação financeira”, concluiu.

Compliance e criptomoedas já não são opostos

A discussão também abordou um dos debates mais antigos da indústria: se as exigências de compliance comprometem os princípios originais das criptomoedas. Nandwani rejeitou a ideia de que regulamentação e descentralização sejam incompatíveis.

“Ainda existe essa visão binária de que, se fazemos KYC, estamos indo contra a essência das criptomoedas”, disse. “Hoje isso já não faz sentido.”

Segundo ele, à medida que o setor busca investimentos institucionais e adoção em larga escala, o compliance tornou-se inevitável. “Fomos nós que pedimos investimentos institucionais para esse mercado. Fomos nós que buscamos formalização”, afirmou. “Parte dessa responsabilidade envolve realizar processos de KYC.”

Truong concordou que a regulamentação é necessária diante dos riscos enfrentados pelo setor financeiro. “A indústria de finanças e pagamentos é uma das mais regulamentadas do mundo”, afirmou. “Precisamos falar sobre lavagem de dinheiro. Precisamos abordar diversas formas de financiamento ilícito.”

Ela ressaltou que as medidas de compliance têm como objetivo proteger os usuários, e não coletar informações desnecessárias. “Cada etapa dos processos de KYC e due diligence existe para proteger os usuários, não para explorar seus dados”, afirmou.

Ao mesmo tempo, alertou que burocracias excessivas podem gerar atritos desnecessários.

“Os procedimentos de compliance precisam proteger tanto os usuários quanto as empresas. Mas também devem ser flexíveis e acompanhar a evolução tecnológica”, acrescentou.

Pagamentos B2B em jogos impulsionam o crescimento

The themes discussed at Philippine Blockchain Week mirror a wider shift taking place across the gaming industry, where payments are no longer viewed as a back-office function but as a driver of growth. During a payments panel at SiGMA Central Europe 2025 in Rome, industry executives argued that payment infrastructure now directly affects acquisition, retention and revenue.

Karolis Dula, Head of Payments at Alea, said operators must rethink how they view payments. “Payments are the continuum of acquisition and the start of player retention,” Dula said. “You need to think about how you implement payments within your operations.”

Gil Tal, Founder and CEO of PayConsult, highlighted the commercial impact of payment optimisation. “If a player can’t deposit the first time, they’ll go to another brand,” Tal said. “Payments done right unlock opportunities far beyond the payment aspect.”

Industry leaders also pointed to instant settlements, stablecoin rails and operator-owned wallets as emerging trends. “Cross-border stablecoin settlements are rapidly growing,” Dula said, predicting that instant payments will soon become a standard expectation rather than a premium service.

Rob Reid, fundador e CEO da Everest, defendeu que as operadoras estão cada vez mais precisando assumir o controle da própria infraestrutura de pagamentos. “As maiores já entenderam isso”, afirmou Reid. “Elas querem suas próprias carteiras, seus próprios sistemas de monitoramento e sua própria camada de identidade. É para isso que o mercado está caminhando.”

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