O Uzbequistão emitiu um alerta sobre o crescimento da divulgação de anúncios ilegais de apostas online durante a Copa do Mundo FIFA 2026. Segundo reguladores locais, operadores sem licença estão utilizando redes sociais, sites e canais no Telegram para promover serviços de apostas por meio de promessas de lucros rápidos e ganhos garantidos, de acordo com informações divulgadas pelo veículo local UzDaily.
As autoridades manifestaram preocupação com a proteção dos consumidores, os riscos financeiros e as violações da legislação nacional relacionada aos jogos de azar. Os órgãos reguladores alertaram que indivíduos e organizações envolvidos na criação, distribuição ou promoção de publicidade ilegal de apostas podem ser responsabilizados judicialmente. A ofensiva faz parte de um esforço mais amplo do governo para proteger os consumidores e reforçar a fiscalização contra operadores de apostas online não autorizados.
Por que a Copa do Mundo FIFA 2026 se tornou alvo dos operadores ilegais
A Copa do Mundo FIFA 2026 tem atraído não apenas a atenção dos torcedores, mas também de operadores ilegais de apostas, que enxergam no torneio uma oportunidade estratégica para expandir suas atividades. Com milhões de pessoas ao redor do mundo acompanhando as partidas, é esperado um aumento significativo no interesse por apostas esportivas. Operadores ilegais procuram capitalizar essa atenção utilizando promoções vinculadas aos jogos, celebridades do esporte e resultados das partidas para atrair novos usuários às suas plataformas.
Grandes eventos esportivos costumam abrir espaço para práticas fraudulentas e potencialmente prejudiciais promovidas por operadores não licenciados, que buscam conquistar clientes rapidamente ao associar suas marcas a competições de grande visibilidade e divulgar informações enganosas sobre seus serviços. Entre as estratégias utilizadas estão a contratação de influenciadores digitais para promover plataformas, campanhas publicitárias agressivas e programas de indicação voltados à rápida aquisição de clientes. Os reguladores argumentam que é necessário reforçar as medidas de fiscalização para proteger os consumidores contra práticas enganosas e os prejuízos financeiros que elas podem causar.
Estrutura regulatória do Uzbequistão
A legislação do Uzbequistão adota uma posição rigorosa em relação à publicidade de jogos de azar. O Artigo 46 da Lei de Publicidade do país proíbe qualquer forma de anúncio ou promoção de produtos relacionados a jogos de azar, tanto nos meios de comunicação tradicionais quanto nos canais digitais. A norma abrange diferentes formas de divulgação, incluindo anúncios diretos, recomendações e outros conteúdos que promovam atividades de apostas de maneira indireta.
Empresas de apostas consideram os canais online uma das formas mais eficientes de promover seus produtos e atrair clientes, devido à rapidez e acessibilidade dessas plataformas. Esse cenário também facilita que operações ilegais escapem do radar dos órgãos fiscalizadores. Diante disso, as autoridades vêm intensificando o monitoramento desses ambientes digitais por meio de tecnologias especializadas e procedimentos investigativos.
O Telegram é apontado como uma das principais plataformas utilizadas para a troca de informações de forma anônima, incluindo dicas de apostas e conteúdos relacionados ao jogo. Embora as autoridades reconheçam o desafio imposto pelo anonimato, reforçam que isso não impede a responsabilização dos envolvidos. Investigações digitais podem ser conduzidas para identificar a origem de atividades consideradas suspeitas.
Governo intensifica ações de fiscalização
As autoridades uzbeques estão ampliando as medidas de combate à publicidade ilegal de apostas com o apoio de diferentes órgãos governamentais atuando de forma coordenada. O Comitê de Concorrência é responsável pelo monitoramento de plataformas digitais e pela identificação de possíveis infrações. Paralelamente, unidades de cibersegurança vinculadas ao Ministério do Interior oferecem suporte técnico para rastrear redes suspeitas e reunir provas que subsidiem ações de fiscalização.
As autoridades destacam a importância do cumprimento da legislação vigente e afirmam que qualquer pessoa envolvida na divulgação de publicidade proibida estará sujeita às penalidades previstas em lei. Como o combate a atividades ilícitas no ambiente digital é particularmente complexo, a estratégia governamental combina monitoramento contínuo, inteligência digital e investigações forenses.
Preocupações globais relacionadas à Copa do Mundo FIFA 2026
Com o início da Copa do Mundo FIFA 2026, governos de diversas partes do mundo também reforçaram seus alertas e orientações para proteger torcedores durante o evento, que será realizado conjuntamente no Canadá, México e Estados Unidos. Embora Canadá e Estados Unidos mantenham níveis considerados normais de precaução para viajantes (Nível 1), grande parte dos avisos internacionais concentra-se no México, onde turistas são aconselhados a adotar cuidados adicionais (Nível 2).
Países europeus também começaram a manifestar preocupações relacionadas aos riscos associados aos grandes eventos esportivos internacionais. Na Áustria, por exemplo, autoridades de saúde da cidade de Viena alertaram a população sobre os perigos da chamada “ilusão de controle” nas apostas esportivas — a crença de que o apostador consegue prever ou influenciar resultados de forma consistente. Além disso, defenderam reformas legislativas voltadas à proteção dos consumidores.
Na Ásia, as respostas têm sido ainda mais rigorosas. Em Hong Kong, as forças de segurança alertaram os torcedores sobre os riscos representados por organizações criminosas que operam plataformas ilegais utilizando servidores localizados no exterior e transações realizadas por meio de moedas digitais.
Já em Singapura, o Ministério do Interior está utilizando a Lei de Danos Criminais Online (Online Criminal Harms Act) para congelar rapidamente contas bancárias ligadas a atividades ilícitas e bloquear anúncios ilegais de apostas. A iniciativa é complementada por uma campanha pública de conscientização intitulada “Every Bet Costs Something”(“Toda aposta tem um custo”).
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