ANJL contesta DataFolha sobre pesquisa de apostas em meio ao avanço do debate no Brasil sobre jogos e endividamento
O debate sobre apostas no Brasil voltou ao centro das atenções, com a ANJL questionando formalmente o instituto DataFolha sobre uma pesquisa iminente que, segundo informações, associa apostas ao endividamento e ao debate eleitoral. O comunicado enviado à imprensa ocorre poucos dias após o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, participar do BiS SiGMA América do Sul, em São Paulo, mantendo a entidade próxima do centro das discussões sobre o mercado regulado de jogos no país.
“Os operadores de apostas não estão questionando o papel do DataFolha ou de qualquer outro instituto de pesquisa. O que o setor pede é uma divulgação imparcial, sem distorções e sem equivalências que não fazem sentido, como a comparação entre apostas e empréstimos bancários”, afirmou Plínio Lemos Jorge, presidente da associação.
Segundo a entidade, a questão não é a existência da pesquisa, mas a forma como o tema vem sendo tratado. A ANJL afirma que o levantamento não distingue operadores legais de ilegais, o que, na visão do grupo, pode levar a conclusões distorcidas sobre o setor e seu impacto nos consumidores brasileiros.
A associação também critica a comparação das apostas com produtos tradicionais de crédito, como financiamentos imobiliários, empréstimos consignados e cartões de crédito. Para a ANJL, essa analogia distorce a natureza das apostas como um serviço de entretenimento e pode reforçar, de forma equivocada, a ligação entre jogos e endividamento das famílias.
A preocupação ganha ainda mais relevância porque o mercado brasileiro segue dividido entre o segmento regulado e um grande setor ilegal. A ANJL argumenta que qualquer pesquisa séria deveria separar claramente operadores licenciados de sites clandestinos, especialmente ao analisar comportamento do consumidor, padrões de gasto e o debate social mais amplo sobre jogos.
O momento também é politicamente sensível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recentemente intensificou a pressão sobre o setor de apostas, e a SiGMA News já havia abordado essa mudança no cenário brasileiro: “Presidente Lula volta suas atenções para o setor de apostas”. Nesse contexto, a ANJL afirma que qualquer pesquisa divulgada sem metodologia clara pode influenciar a opinião pública de forma a superestimar o papel das apostas legais, ignorando a dimensão do mercado ilegal.
O que ainda não está claro é se o estudo do DataFolha será divulgado como uma pesquisa independente ou como parte de um ciclo mais amplo de levantamentos políticos e sociais. Referências públicas indicam que o DataFolha tem realizado pesquisas eleitorais recentes em abril, mas o levantamento específico sobre apostas ainda não foi confirmado em sua forma publicada.
Por isso, a principal demanda da ANJL é por transparência. A entidade quer esclarecimentos sobre os critérios técnicos utilizados, a formulação das perguntas e se o estudo faz distinções adequadas entre atividades de apostas reguladas e não reguladas.
Por ora, o caso vai além da divulgação de uma pesquisa: trata-se da disputa sobre como o mercado de apostas no Brasil é retratado. Com o ciclo eleitoral ganhando força e o setor sob escrutínio crescente, a próxima divulgação do DataFolha pode se tornar mais um ponto de tensão no debate regulatório do país.
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