O Google passará a permitir anúncios de mercados de previsão nos Estados Unidos a partir de 21 de janeiro, conforme uma nova política que restringe a elegibilidade a operadores regulamentados em nível federal.
De acordo com uma comunicação do Google Ads enviada aos anunciantes, apenas plataformas autorizadas pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) como Designated Contract Markets ou corretoras registradas junto à National Futures Association (NFA) poderão veicular anúncios. A empresa informou que isso inclui operadores consolidados como Kalshi, DraftKings, Fanatics e Robinhood, desde que os mercados de previsão sejam parte central de seus negócios.
Nevada fica de fora em meio a disputas judiciais
No entanto, o Google Ads deixou claro que a política exclui o estado de Nevada, onde tribunais federais têm confirmado ações de fiscalização estadual contra alguns mercados de previsão. Operadores como a Crypto.com interromperam suas atividades no estado, enquanto a Kalshi busca uma suspensão (stay) junto à Corte de Apelações do Nono Circuito. Outros estados, como Maryland, permanecem elegíveis, apesar de enfrentarem desafios legais distintos.
Certificação obrigatória para anunciar
A empresa também informou que os anunciantes elegíveis deverão concluir o processo de certificação do Google antes de lançar campanhas. Esse procedimento garante total conformidade com regulamentações financeiras, legislações locais e as políticas do Google Ads.
O Google destacou ainda que os anúncios poderão ser direcionados apenas a jurisdições aprovadas, sendo necessária uma solicitação separada para cada local. Plataformas não regulamentadas que ofereçam previsões tokenizadas ou apenas serviços informativos ou de aconselhamento estão excluídas da publicidade.
Integração com o Google Finance
Recentemente, o Google anunciou que sua plataforma Google Finance passará a integrar dados de mercados de previsão da Kalshi e da Polymarket. Segundo a empresa, os usuários poderão consultar resultados de eventos — como crescimento do PIB ou probabilidades eleitorais — por meio de ferramentas baseadas em inteligência artificial.
O Google continua excluindo opções binárias, contratos de retorno fixo e jogos de azar online, conforme a legislação local. Sites educacionais ou informativos que ofereçam análises, sinais de negociação ou orientações também permanecem proibidos de anunciar.
Fusões, aquisições e parcerias impulsionam a expansão em 2025
Em um relatório exclusivo da SiGMA News, o setor de mercados de previsão passou por um processo de consolidação e crescimento estratégico ao longo de 2025. Segundo os dados, fusões, aquisições e parcerias entre empresas de fintech, plataformas cripto e de apostas fortaleceram a conformidade federal do setor e sua inserção no mercado tradicional. Entre os acordos de destaque, a Kalshi firmou parceria com a Webull em fevereiro para oferecer contratos regulamentados pela CFTC por meio de uma interface de corretora voltada ao varejo. Já em julho, a Polymarket adquiriu a QCEX, uma bolsa de derivativos com câmara de compensação.
Em agosto, FanDuel e CME Group anunciaram uma parceria para desenvolver uma plataforma regulamentada de contratos baseados em eventos, enquanto a Robinhood lançou mercados de previsão relacionados ao futebol dentro de seu aplicativo de negociação de ações. Em outubro, novas movimentações reforçaram a consolidação do setor, com a Intercontinental Exchange investindo na Polymarket e a DraftKings adquirindo a Railbird Technologies, estabelecendo bases regulatórias para contratos de eventos em conformidade com normas federais.
Até novembro de 2025, os operadores passaram da fase de planejamento para a execução. A PrizePicks integrou a infraestrutura da Polymarket, a FanDuel Predicts foi lançada em parceria com o CME Group, e a Polymarket obteve aprovação da CFTC, além de fechar parceria com a TKO Group Holdings, controladora do UFC. As tensões regulatórias, no entanto, continuaram, com Nevada mantendo sua posição contrária a produtos de previsão vinculados a apostas.
Os dados de mercados de previsão também avançaram para áreas como mídia e advocacy. A Kalshi firmou parceria com a CNN para integrar dados às suas coberturas, a Moon Intelligence se associou à 55 Tech para iniciativas de market-making baseadas em IA, e a Gemini recebeu aprovação da CFTC.
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