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Como as entidades esportivas transformam dados de fãs em receitas recorrentes?

Rami Gabriel
Escrito por Rami Gabriel
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

No segundo dia da conferência SiGMA Europa Central 2025, realizada na Fiera Roma, líderes do setor se reuniram no palco Frontier Tech & Payment Expert para discutir como a inteligência de dados, as finanças integradas e as tecnologias Web3 estão transformando a monetização no esporte. O painel, moderado por Samir Ceric, sócio-gerente da SportingThinking, reuniu quatro especialistas que estão redefinindo a forma como os clubes geram valor a partir do relacionamento com os torcedores, ao mesmo tempo em que fortalecem a fidelização dos fãs.

Ceric conduziu a conversa ao lado de Stefan Lavén, fundador da Data Talks, uma plataforma de dados voltada ao público esportivo que trabalha com mais de 200 organizações do setor; Emir Bursa, fundador e CEO da Delta3 Technologies, cuja parceria com o Galatasaray gerou mais de €2 milhões em novas receitas; Patrick Seguev, fundador da Andaria Financial Services e da Intercash, empreendedor de fintechs com licenças no Reino Unido, Europa e Canadá; e Alessandro Ciacchini, diretor da KEO WORLD, especialista em finanças corporativas e investidor atuante nos segmentos de esportes e tecnologia financeira.

“Os que mais se destacam são aqueles que sabem lidar com as mudanças de forma eficaz.”
  Stefan Lavén, fundador da Data Talks

Perfis unificados de fãs geram impacto direto nos resultados

Lavén iniciou o debate destacando o principal desafio dos detentores de direitos esportivos: monetizar dados requer uma visão única do torcedor. “O grande desafio para qualquer detentor de direitos é conseguir monetizar dados — e isso só é possível com uma visão unificada do torcedor, que conecte os pontos entre todos os canais de interação. Sem essa base, nada mais funciona”, explicou.

Ele reforçou que o sucesso depende menos da tecnologia e mais da gestão da mudança. “O fator decisivo não é a tecnologia, e sim a capacidade de adaptação. Para gerar mais valor, as organizações precisam mudar sua forma de operar. Os que se destacam são os que gerenciam bem o processo de mudança”, destacou. A plataforma da Data Talks permite que clubes ofereçam personalização em escala, usando dados como histórico de compras, presença em jogos e comportamento digital para criar ofertas direcionadas — desde pacotes de ingressos com hospitalidade até recomendações de produtos oficiais baseadas no perfil de navegação.

Receita recorrente

Emir Bursa, fundador e CEO da Delta3 Technologies, compartilhou como sua empresa ajudou o Galatasaray a transformar a celebração do 20º título nacional em uma fonte de receita sustentável. O evento, que reuniu 1,2 milhão de pessoas, foi explorado de maneira estratégica. “O clube optou por não vender ingressos para o evento, mas sim promover assinaturas premium, criando uma receita recorrente ao longo de 12 meses e além. Assim, conseguimos capturar dados valiosos e conquistar usuários pagantes”, contou Bursa.

As estratégias de retenção incluíram transmissões exclusivas de amistosos para assinantes premium durante a pré-temporada e acesso antecipado a ingressos durante o campeonato. “O sucesso veio da união do clube em torno do programa premium, da aquisição de usuários em vários canais digitais e da adição constante de benefícios que realmente interessam aos fãs”, completou.

Samir Ceric (moderador, sentado à esquerda) e Stefan Lavén (palestrante convidado, sentado à direita).

Finanças integradas fortalecem o vínculo com o torcedor

Patrick Seguev, fundador da Andaria Financial Services e da Intercash, questionou o modelo tradicional adotado por muitas fintechs em clubes de futebol ingleses, argumentando que os modelos bancários genéricos falham em oferecer o verdadeiro valor que as fintechs poderiam proporcionar. “O diferencial não está em mais um cartão genérico, mas em serviços financeiros inteligentes que aprofundam a lealdade e o relacionamento, ajudando os clubes a conhecer melhor seus torcedores e personalizar o engajamento”, afirmou.

A abordagem da Andaria consiste em integrar soluções regulatórias e tecnológicas diretamente nos ecossistemas dos clubes, conectando sistemas de pagamento como Visa, Mastercard e Discover — mas mantendo a relação com o torcedor sob controle do próprio clube. “Não tomamos posse da relação com o fã; integramos para gerar valor organizacional, permitindo que os clubes usem dados mais ricos do que apenas o lucro no fim da temporada. É uma parceria de longo prazo, em que as finanças são incorporadas ao relacionamento com o torcedor, e não apenas representadas por um logotipo na camisa”, ressaltou Seguev.

Monetização de fãs como uma economia de duas vias

Alessandro Ciacchini, diretor da KEO WORLD, apresentou a convergência entre insights de torcedores, fintech e jogos como um ponto de virada que transforma o vínculo entre clubes e fãs — antes emocional e unilateral — em uma economia de duas vias. “Com o tempo, dados e fintech mudaram a relação entre clube e torcedor. Hoje, os clubes podem recompensar com cashback, tokens e ativos digitais; quando o fã vê retorno tangível por sua paixão, o engajamento se torna sustentável”, explicou.

A personalização — viabilizada por plataformas como a de Lavén — permite otimizar preços, ofertas e experiências, capturando dados de consumo sem exigir gasto adicional do torcedor. Bursa complementou, destacando que as fintechs oferecem integração fluida, dados transacionais detalhados e novas fontes de receita a partir do uso de cartões, além de conectar o consumo a programas de fidelidade com experiências exclusivas.

O que vem a seguir

Em uma rodada de previsões rápidas, Lavén afirmou que, até 2026, agentes de IA atuarão lado a lado com as equipes dos clubes, monitorando lacunas de desempenho e sugerindo campanhas proativas diariamente. Bursa previu que o primeiro clube a alcançar US$ 100 bilhões em valor contará com finanças integradas, infraestrutura de dados sólida e plataforma unificada. Seguev destacou seu compromisso de que dez clubes implementarão soluções financeiras completas até setembro de 2026, enquanto Ciacchini observou que o mercado global de análise de dados esportivos deve ultrapassar US$ 20 bilhões até 2026, com crescimento anual de cerca de 25% — e que um torcedor engajado gasta mais de seis vezes o valor de um fã não engajado.

Para mais insights de líderes que estão moldando a intersecção entre esportes, fintech e Web3, confira a programação completa da SiGMA Europa Central.

O conteúdo desta página tem caráter exclusivamente informativo e destina-se ao público B2B. O Grupo SiGMA não se responsabiliza por decisões comerciais, acordos ou atividades conduzidas por participantes, expositores ou terceiros durante ou após o evento. Todos os participantes são responsáveis por garantir a conformidade com as leis e licenças aplicáveis, incluindo as da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli (ADM) na Itália. A participação é restrita a maiores de 18 anos.

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