O futebol italiano enfrenta uma das crises mais graves de sua história recente, marcada pela renúncia de Gabriele Gravina à presidência da FIGC em 2 de abril e pela apresentação de um amplo plano de recuperação.
Uma das principais propostas prevê a destinação de parte das receitas das apostas esportivas para o desenvolvimento das categorias de base e a modernização da infraestrutura. A medida reabre o debate sobre o uso dos recursos provenientes do setor de betting e evidencia a necessidade de fontes adicionais de financiamento para o futebol.
Três Copas do Mundo fora: sinal de uma crise estrutural profunda
A Itália ficou fora da Copa do Mundo da FIFA pela terceira edição consecutiva — um ponto de ruptura inédito para uma seleção tetracampeã mundial. Segundo Gravina, o resultado não pode ser atribuído a decisões pontuais técnicas ou administrativas, mas sim a fragilidades estruturais de longo prazo.
O sistema do futebol italiano enfrenta desafios amplos e persistentes. Formação de talentos, sustentabilidade financeira dos clubes e competitividade geral seguem como problemas centrais.
Apostas e possível retorno da publicidade
O relatório da FIGC propõe a revisão do “Decreto Dignità” de 2018, que proibiu a publicidade e o patrocínio relacionados a apostas esportivas como forma de conter a expansão do jogo.
Gravina recomenda flexibilizar as restrições atuais para permitir que operadores voltem a patrocinar o futebol e, ao mesmo tempo, direcionar parte dessas receitas para academias de base e projetos de infraestrutura.
Segundo veículos internacionais, incluindo a Reuters, o relatório destaca que as receitas ligadas ao setor de apostas representam um recurso relevante e, se redistribuídas estrategicamente, poderiam desempenhar um papel fundamental na revitalização do futebol italiano.
Jovens italianos cada vez mais limitados na Serie A
O documento da FIGC aponta que jogadores italianos representam apenas 32% do total de minutos disputados na Serie A, enquanto atletas estrangeiros respondem por aproximadamente 68% — uma das maiores proporções da Europa.
Já os jogadores italianos Sub-21 representam menos de 2% do tempo total em campo, evidenciando a dificuldade do sistema em desenvolver talentos locais e garantir a transição geracional.
A federação propõe incentivos financeiros para clubes que utilizem mais jogadores italianos e jovens, além de ampliar investimentos nas categorias de base.
Infraestrutura defasada e necessidade de investimentos
Os problemas de infraestrutura seguem como um dos principais gargalos. Muitos estádios italianos estão ultrapassados e não atendem aos padrões europeus, o que reduz receitas dos clubes e o apelo comercial da liga.
O relatório da FIGC pede que as autoridades acelerem os processos de aprovação para construção e modernização de estádios, apontando essa medida como essencial para modernizar o sistema e elevar sua competitividade econômica.
Um modelo financeiro fragilizado
Além das deficiências técnicas e estruturais, o futebol italiano registra prejuízos anuais superiores a €700 milhões, aumento do endividamento e casos recentes de falências de clubes e exclusões de competições.
Essa instabilidade financeira limita a capacidade de investimento de longo prazo e aumenta a vulnerabilidade do sistema a novas crises recorrentes.
Renúncias e mudança de liderança
A crise também provocou mudanças institucionais. Após a derrota para a Bósnia, o técnico da seleção Gennaro Gattuso e o chefe de delegação Gianluigi Buffon também deixaram seus cargos.
A FIGC deve eleger um novo presidente em junho. O relatório ressalta, porém, que a troca de liderança, por si só, não será suficiente para resolver os problemas estruturais do futebol italiano.
Necessidade de uma reforma coordenada
O documento enfatiza que todos os agentes do setor precisam atuar de forma coordenada para reconstruir o futebol italiano. Reformas isoladas ou medidas pontuais dificilmente serão capazes de reduzir a distância em relação aos principais mercados do futebol europeu.
A FIGC aponta investimentos na formação de atletas, modernização da infraestrutura e reestruturação econômica como pilares essenciais para um futuro mais sustentável e competitivo.
O futebol italiano precisa, agora, agir de forma decisiva: reformar suas categorias de base, investir em infraestrutura moderna e reestruturar sua governança para recuperar credibilidade e competitividade internacional.
Este artigo foi publicado originalmente em italiano em 9 de abril de 2026.
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