A manipulação de partidas em Counter-Strike é uma questão antiga, tão grave que chegou a ser investigada pelo FBI. Com o crescimento da popularidade do jogo e o aumento das premiações, a integridade nunca foi tão crucial. Para entender melhor o cenário, conversamos com Kelly Sanders, Diretora de Estratégia da Thunderpick, uma das principais plataformas de apostas em esports.
Recentemente, a Thunderpick entrou para a Esports Integrity Commission (ESIC) Anti-Corruption Supporter Network, comprometendo-se a ajudar na prevenção, detecção e investigação de práticas de corrupção em esports. Sanders compartilhou sua visão sobre a luta contra a manipulação de partidas, o papel de fãs e jogadores, e por que o fair play é a base do futuro do competitivo.
P. O que é a ESIC Anti-Corruption Supporter Network e o que significa fazer parte dela?
Kelly Sanders: A ESIC é a principal autoridade em integridade nos esports. Estar nesse network significa apoiar a visão de um ecossistema livre de corrupção. Como plataforma de apostas e patrocinadora de torneios, integridade e autenticidade estão no centro do nosso trabalho. Nosso papel na rede envolve fornecer informações e dados à ESIC para reconhecer, penalizar e prevenir a corrupção nos e-sports.
P. Qual é o estado atual da manipulação de partidas nos esports? Ainda é comum ou tem diminuído?
Kelly Sanders: Sempre haverá um jogo de gato e rato com pessoas de má fé. Mas os esports estão muito mais maduros do que no início. Cada vez mais jogos são pensados para o ecossistema competitivo, e ter um caminho real para o profissionalismo, especialmente com streaming tão difundido, impede que potenciais manipuladores sequer se aproximem. Os jogadores estão cada vez mais conscientes dos riscos e da ameaça ao seu futuro por ganhos de curto prazo.
P. Como jogadores e fãs estão reagindo contra a corrupção nos esports?
Kelly Sanders: Hoje, os jogos são amplamente monitorados. Não só por profissionais como a ESIC e organizadores de torneios, mas também pelos próprios fãs. Com tanta cobertura e acesso a replays, tanto espectadores casuais quanto aspirantes a profissionais têm ferramentas para identificar comportamentos suspeitos. Isso torna muito mais difícil que a manipulação passe despercebida.
P. Que mecanismos funcionam contra a manipulação de partidas, e quão otimista você está quanto ao futuro?
Kelly Sanders: O apoio de detentores de direitos fortalece um ambiente autêntico e idealmente livre de corrupção, não só nos torneios de alto nível, mas também nos menores. O caminho para se tornar profissional, com as oportunidades financeiras que surgem, apoiado por direitos e grandes organizações, desestimula potenciais manipuladores antes mesmo de serem abordados.
P. O que significa fair play para você e por que é importante?
Kelly Sanders: Esports é melhor quando cada partida importa. Para fãs e jogadores, jogos decididos no momento certo mantêm o engajamento. Fair play também é importante para nós, como provedores. Queremos um produto emocionante que os fãs se lembrem nos grandes momentos, e que os apostadores tenham confiança de que cada clutch ou ace vem da habilidade dos jogadores — nada mais.
P. De torneios online a finais LAN, como manter a integridade em todos os formatos?
Kelly Sanders: LAN é único: os setups são fornecidos pelo organizador, árbitros estão presentes e tudo pode ser fiscalizado em tempo real. Eventos online trazem desafios diferentes; os jogadores estão em seus próprios setups, e fatores como ping podem influenciar o desempenho.
Para manter os padrões, usamos árbitros adicionais que monitoram remotamente, com comunicação adequada no idioma nativo. Até detalhes como barreiras linguísticas podem criar vantagens injustas. Corrigir isso ajuda a garantir igualdade de condições para todas as equipes.
P. Você acha que os fãs às vezes assumem rapidamente que houve manipulação quando seu time perde?
Kelly Sanders: Vivemos na era da informação. Mesmo fãs casuais conhecem mais sobre mecânicas de jogo e hábitos dos jogadores do que os apostadores do passado. Esports ainda é jovem, mas a tendência é positiva. O ceticismo sempre existirá, especialmente online, mas é importante lembrar que jogadores não são máquinas. Às vezes, um time simplesmente tem um dia ruim, e isso não significa que algo suspeito ocorreu.
Esports prospera quando o fair play é prioridade
A luta contra a manipulação de partidas nos esports está longe de acabar, mas os avanços são claros. Com a ESIC, organizadores de torneios, detentores de direitos e plataformas de apostas como a Thunderpick promovendo padrões mais altos, a indústria está criando barreiras mais fortes contra a corrupção. Como Sanders destaca, os esports prosperam quando o fair play está no centro, porque é nesse momento que cada round, cada clutch e cada vitória realmente importam.
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