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Operador do teleprompter de Trump lucrou US$ 100 mil com negociações na Kalshi, dizem relatos

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) está conduzindo uma investigação após funcionários da Kalshi admitirem que Gabriel Perez, operador de teleprompter de longa data do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, obteve cerca de US$ 100 mil negociando contratos em mercados de previsão relacionados ao conteúdo dos discursos do presidente.

Diversos veículos de imprensa, incluindo a ABC News, citaram fontes segundo as quais Perez negociou contratos ligados a pelo menos uma dúzia de discursos de Trump ao longo de um período de três meses, incluindo o discurso sobre o Estado da União (State of the Union) realizado em fevereiro de 2026. A CNBC informou ainda que a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que Perez, responsável pelo teleprompter do presidente, foi suspenso enquanto a investigação está em andamento.

O que aconteceu?

A investigação veio a público depois que a ABC News revelou que a CFTC vinha analisando a atividade de negociação de Perez havia vários meses. Segundo as informações divulgadas, Perez, que atuava como operador do teleprompter de Trump, tinha acesso aos rascunhos dos discursos antes de sua apresentação oficial. Agora, os investigadores apuram se esse acesso foi utilizado para negociar contratos da Kalshi relacionados a palavras ou temas específicos que apareceriam nos discursos presidenciais.

Os contratos supostamente envolviam diversos eventos de grande relevância, como o discurso sobre o Estado da União, o Fórum Econômico Mundial e outras cerimônias realizadas pela Casa Branca. O sistema de monitoramento da Kalshi detectou movimentações consideradas irregulares e comunicou imediatamente os órgãos reguladores. Em seguida, a conta do usuário foi bloqueada pela plataforma.

Também estão sendo analisadas negociações que teriam sido alteradas durante os pronunciamentos. Segundo relatos, algumas posições foram revertidas depois que Trump se desviou do texto preparado, levando os reguladores a investigar se as negociações se basearam em informações privilegiadas sobre o conteúdo efetivamente apresentado ou sobre alterações feitas durante o discurso.

Embora promotores federais aparentemente tenham optado por não apresentar acusações criminais, a investigação conduzida pela CFTC continua em andamento. De acordo com as informações divulgadas, as autoridades avaliam a possibilidade de aplicar sanções civis ao envolvido.

Cronologia da suposta atividade de negociação

According to sources, the trading period in question spanned three months, and the contracts were signed in response to a number of important events hosted by US President Donald Trump, including the World Economic Forum, the State of the Union Address, and the Medal of Honour Ceremony.

Segundo fontes ouvidas pela imprensa, o período investigado abrangeu três meses, durante os quais foram negociados contratos relacionados a diversos eventos importantes protagonizados pelo presidente Donald Trump, incluindo o Fórum Econômico Mundial, o discurso sobre o Estado da União e a cerimônia da Medalha de Honra. As investigações indicam que Perez negociava contratos baseados na presença de determinados termos ou temas nos discursos presidenciais. Como ele teria acesso ao conteúdo das falas antes de sua divulgação pública, surgiram questionamentos sobre um possível caso de uso de informação privilegiada (insider trading).

O sistema interno de monitoramento da Kalshi identificou o padrão incomum de negociações e comunicou o caso à CFTC, o que deu início às investigações. As operações envolviam Perez, funcionário da Casa Branca, que apostava em mercados de menções (mention markets), modalidade em que os usuários tentam prever quais palavras ou expressões serão utilizadas por figuras públicas, como Trump, durante discursos e eventos.

Na mesma época, também surgiram relatos de que a Casa Branca orientou seus funcionários a não utilizarem informações confidenciais para realizar negociações pessoais. Segundo as reportagens, os servidores foram instruídos, ainda no início deste ano, a não utilizar informações sigilosas para negociar nesses mercados, após uma série de apostas consideradas suspeitamente bem sincronizadas.

A posição de Trump sobre os mercados de previsão

As declarações públicas de Trump sobre os mercados de previsão têm sido contraditórias. No início deste ano, ele afirmou que “nunca foi muito favorável” às apostas em mercados de previsão. Poucas semanas depois, porém, defendeu que a CFTC continuasse responsável pela supervisão dos contratos baseados em eventos e criticou iniciativas de governos estaduais para restringir determinadas plataformas desse segmento.

O debate ganhou ainda mais repercussão pelo fato de Donald Trump Jr. atuar como conselheiro tanto da Kalshi quanto da Polymarket. Segundo reportagens, ele recebeu uma participação societária na Kalshi ao ingressar na empresa, no início de 2025.

Crescem as preocupações com o uso de informação privilegiada

A investigação envolvendo Perez é o caso mais recente a reforçar as preocupações sobre o uso de informações não públicas em mercados de previsão.

Situações semelhantes já foram relatadas anteriormente, incluindo acusações de que um especialista em inteligência do Exército dos Estados Unidos utilizou informações classificadas para negociar contratos relacionados a acontecimentos políticos na Venezuela; alegações de que um funcionário do Google utilizou dados internos da empresa para operar em mercados de previsão; e denúncias de que o ex-congressista George Santos negociou contratos sobre sua presença em um discurso sobre o Estado da União.

Embora cada caso apresente circunstâncias distintas, todos eles intensificaram o debate sobre como as plataformas de mercados de previsão devem lidar com participantes que possam ter acesso a informações confidenciais em razão de suas atividades profissionais e sobre a necessidade de mecanismos mais rigorosos para evitar o uso indevido de informações privilegiadas.

Alguns estados norte-americanos já adotaram diretrizes éticas que proíbem servidores públicos de participarem de mercados de previsão utilizando informações não públicas ou recursos governamentais. Entre eles estão Nova York, Maryland, Illinois, Califórnia e Carolina do Norte.

Com a rápida expansão dos mercados de previsão, autoridades, legisladores e operadores dessas plataformas tendem a dar cada vez mais atenção à transparência, às políticas de conflito de interesses e aos mecanismos capazes de identificar o uso de informações não públicas. A ação envolvendo Perez segue em andamento, e seu desfecho poderá influenciar os futuros procedimentos de monitoramento adotados pelo setor de mercados de previsão.

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