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Presidente da loteria do Senegal comenta desafios do mercado de iGaming na África

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O setor de iGaming na África é um dos que mais crescem no mundo, e o segmento de loterias no Senegal reflete bem esse avanço, com receita de XOF 20,7 bilhões (US$ 37,28 milhões) no primeiro semestre de 2025. Diante desse cenário, a necessidade de uma regulação adequada ganha ainda mais relevância — algo reforçado por Moustapha Camara, presidente da Loterie Nationale Sénégalaise (LONASE). “Meu foco é criar uma ‘linguagem’ regulatória unificada para o continente”, afirma.

A LONASE é a operadora estatal responsável pela loteria nacional do Senegal, administrando uma ampla gama de atividades de jogos e apostas em todo o país. Em entrevista à SiGMA News, Moustapha Camara explica como as autoridades equilibram o crescimento do setor, os avanços tecnológicos e a expansão do mercado com a necessidade de conformidade regulatória e proteção ao jogador.

SiGMA: Como presidente da LONASE, como você garante o equilíbrio entre uma supervisão regulatória robusta e a necessidade de impulsionar inovação e crescimento?

M. Camara: O equilíbrio está em enxergar a governança não como um freio, mas como os trilhos pelos quais a inovação pode avançar com segurança. Minha abordagem é o “compliance desde a concepção”. Ao estabelecer estruturas rigorosas e transparentes desde o início, criamos um ambiente estável onde a inovação tecnológica pode prosperar sem comprometer a integridade institucional. Uma supervisão eficaz garante que cada iniciativa de crescimento seja sustentável e alinhada aos padrões internacionais, o que também atrai parceiros globais de alto nível para o mercado de iGaming do Senegal.

SiGMA: Você já mencionou blockchain e tecnologias emergentes. Como a LONASE está conduzindo sua transformação digital para se manter competitiva em um ambiente cada vez mais orientado por tecnologia?

M. Camara: Estamos migrando de uma operadora tradicional para uma organização orientada por tecnologia. Com base na minha experiência em arquitetura de plataformas de jogos em larga escala, estamos explorando o uso de blockchain por sua capacidade de registro imutável, o que pode aumentar a transparência dos sistemas de RNG (geração de números aleatórios) e a segurança dos pagamentos. Nosso objetivo é construir um ecossistema “mobile first”, totalmente integrado a soluções de pagamento locais, como o mobile money, garantindo que acompanhemos o comportamento do jogador moderno.

SiGMA: A LONASE é uma operadora estatal. Como lidar com a concorrência de operadores privados e internacionais mantendo, ao mesmo tempo, seu papel público e suas responsabilidades regulatórias?

M. Camara: Enfrentamos a concorrência oferecendo um produto de iGaming mais seguro, mais qualificado e com forte adaptação ao contexto local. Operadores internacionais trazem escala, mas a LONASE oferece confiança e proximidade cultural. Utilizamos nosso papel regulador para garantir condições equilibradas, em que todos os operadores — públicos ou privados — sigam padrões elevados de conformidade, como AML (prevenção à lavagem de dinheiro) e KYC (conheça seu cliente). Ao mesmo tempo, nossa evolução digital nos permite competir em experiência do usuário e confiabilidade tecnológica.

SiGMA: Como a LONASE, sendo uma operadora estatal, aborda seu compromisso com o jogo responsável e a proteção ao jogador?

M. Camara: O jogo responsável é um dos pilares centrais da nossa transformação. Estamos implementando ferramentas digitais avançadas para promover a proteção proativa dos jogadores, incluindo sistemas de autoexclusão e alertas automatizados para identificar padrões de apostas de alto risco.

SiGMA: No seu papel junto à Associação Africana de Loterias e Jogos, como você tem trabalhado para harmonizar os padrões regulatórios entre mercados tão diversos?

M. Camara: Meu foco é justamente criar uma “linguagem” regulatória comum para o continente. Por meio do fórum de CEOs da Associação Africana de Loterias e Jogos (ALGA), estamos trabalhando para aproximar as jurisdições francófonas — sob a Organização para a Harmonização do Direito Empresarial na África (OHADA) — das jurisdições anglófonas. Estamos priorizando padrões compartilhados em monitoramento digital, liquidez de jackpots transfronteiriços e governança ética. O objetivo é tornar a África um destino unificado, atrativo e seguro para investimentos globais.

A partir das análises de Moustapha Camara, fica claro que o crescimento acelerado, sem as devidas salvaguardas, pode comprometer o desenvolvimento do iGaming na África. A LONASE, como uma das operadoras estatais do continente, tem atuado ativamente na promoção da harmonização regulatória. Com colaboração entre mercados, adoção de novas tecnologias e foco consistente na proteção ao jogador, os reguladores podem fortalecer ainda mais a posição da África no cenário global do iGaming.

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