Receita da loteria de San Juan cresce na Argentina, mas enfrenta pressão diante da alta demanda
Agências de loteria de San Juan, na Argentina, enfrentam desafios crescentes diante da alta demanda por serviços lotéricos, impulsionada pelo interesse cada vez maior em jackpots milionários.
Cenário regulatório fragmentado
Diferentemente do que ocorre no Brasil ou no México, a loteria na Argentina é administrada em nível provincial, e não por uma única autoridade nacional. Cada província — inclusive a cidade de Buenos Aires — é responsável por supervisionar suas próprias loterias, cassinos e operadores de jogos, o que resulta em um sistema fragmentado e com níveis desiguais de fiscalização. Como cada província estabelece suas próprias regras, algumas, como Buenos Aires e Corrientes, já legalizaram o jogo online, enquanto outras optaram por proibi-lo.
A Asociación de Loterías, Quinielas y Casinos Estatales de Argentina (ALEA) foi criada com o objetivo de reunir reguladores provinciais para compartilhar boas práticas e alinhar políticas. No entanto, a entidade não possui autoridade nacional, o que limita sua capacidade de impor padrões uniformes em todo o país.
Pressão sobre a rentabilidade apesar do aumento das receitas
O mercado de loterias argentino movimenta bilhões em receitas, mas ainda fica atrás de líderes regionais como Brasil e México. De acordo com a SCCG Management, o setor de loterias da América Latina como um todo deve alcançar quase US$ 13 bilhões até 2033.
Brasil, México e Colômbia se destacam na região por contarem com estruturas regulatórias mais unificadas e progressivas. Já na Argentina, o aumento dos custos operacionais — que incluem despesas com serviços públicos, aluguel e outros encargos — vem pressionando as margens das operações.
Ernesto Perez, representante da Câmara de Agências de Loteria (CALA), afirmou que as receitas cresceram mais de 50% em relação ao ano anterior. Ainda assim, esse avanço não se traduziu em margens mais saudáveis, o que evidencia a situação financeira delicada do setor.
Além disso, os prêmios das loterias estão sujeitos a uma tributação elevada: há uma retenção de 28,5% sobre grandes prêmios, o que significa que quase um terço dos jackpots vai diretamente para os cofres públicos.
Essa arrecadação tem papel importante nos orçamentos provinciais, embora a forma como os recursos são distribuídos varie entre as regiões, segundo diversos veículos de imprensa.
De modo geral, as receitas tributárias financiam programas sociais, saúde e educação, embora os níveis de transparência e consistência na aplicação desses recursos também variem entre as províncias.
Queda no número de agências
Representantes do setor alertam que o aumento dos custos está forçando muitas agências a fechar as portas. Em San Juan, por exemplo, o número de pontos de venda de loteria caiu de 440 há quatro anos para apenas 390 atualmente, evidenciando a retração do setor, mesmo diante da demanda crescente.
CAOLAB solicita la atención del Gobernador @Kicillofok por la critica situación de las agencias oficiales de @loteriapba pic.twitter.com/LPfRJmxw99
— CAOLAB (@caolabOK) May 19, 2025
Plataformas online surgem como nova ameaça
Outro desafio relevante é a rápida expansão das plataformas de jogos online. Embora o país permita determinados aplicativos provinciais, serviços ilegais operados a partir do exterior continuam se expandindo. Essas plataformas são especialmente populares entre usuários mais jovens, o que representa uma ameaça direta aos negócios tradicionais de loteria.
Os aplicativos legais vinculados às loterias provinciais precisam cumprir regras locais, como verificação de idade, políticas de jogo responsável e pagamento de tributos. Além disso, devem integrar-se a bancos e processadores de pagamento locais para garantir a rastreabilidade das transações. No entanto, a aplicação dessas normas varia entre as províncias, criando brechas que operadores offshore acabam explorando.
Perez defende que os reguladores garantam que os aplicativos legais incluam as agências de loteria em seus modelos operacionais. Especialistas do setor esperam que mais províncias avancem na legalização do jogo online, enquanto a ALEA pressiona por maior coordenação regulatória e iniciativas de jogo responsável.
Segundo a SCCG Management, o mercado de apostas online na Argentina está em rápida expansão. O país registrou 4,3 milhões de apostadores ativos em 2024, número que deve chegar a 4,8 milhões ainda este ano.
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