Skip to content

Traders da Polymarket lucram com previsões equivocadas de Elon Musk

Jillian Dingwall
Escrito por Jillian Dingwall
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Ame-o ou deteste-o, Elon “no ano que vem” Musk já fez algumas previsões bastante empolgantes ao longo dos anos. Desde 2014, ele afirma que os veículos com direção totalmente autônoma estarão prontos “no próximo ano”. Em 2019, garantiu que haveria um milhão de robotáxis autônomos circulando até o fim de 2020.

Dando sequência a esse histórico, em 2020 Musk tuitou que os novos casos de COVID-19 nos Estados Unidos “provavelmente estariam próximos de zero” até maio daquele ano. E, segundo ele, até o final de 2025 a inteligência artificial seria mais inteligente do que o ser humano mais inteligente — quando, na prática, só recentemente a IA conseguiu entender que a palavra “strawberry” tem três letras “r”, e não duas; uma batalha que parecia travar até as últimas consequências.

Em 2017, Musk afirmou que a SpaceX enviaria duas missões de carga a Marte em 2022, seguidas da primeira missão tripulada em 2024. Em 2019, reiterou que humanos poderiam pousar em Marte até 2024, classificando isso como “um objetivo totalmente alcançável”.

Entre 2024 e 2025, a nave Starship continuou realizando voos de teste, vários deles encerrados em explosões. Nenhuma missão a Marte foi lançada, tripulada ou não.

Enfim, você já entendeu a lógica

Em algum momento, as previsões de Musk deixaram de ser encaradas como projeções e passaram a soar mais como divagações curiosas de alguém que foi educado em casa assistindo ao canal “History”.

Para os traders dos mercados de previsão, porém, os planos excessivamente ambiciosos de Musk se transformaram em algo muito mais lucrativo.

Usuários da Polymarket vêm apostando cada vez mais dinheiro sobre se as promessas mais recentes de Musk realmente se concretizarão dentro do prazo anunciado. Esses mercados não se interessam por intenção, esforço ou visão de longo prazo — o que importa é apenas se um determinado resultado acontece ou não até uma data específica.

Essa estrutura fez de Musk uma fonte incomum e confiável de eventos negociáveis. Cada declaração confiante vira uma proposição de “sim ou não”, despojada de contexto e otimismo e reduzida a um prazo exibido na tela.

Nos últimos meses, vários traders tiveram bons resultados ao adotar sistematicamente a mesma posição:

Não.

Obrigado, Elon

Em um exemplo citado pela NBC News, um trader da Polymarket fez uma aposta de cinco dígitos de que Musk não cumpriria a ameaça de lançar um novo partido político após um rompimento público e bastante midiático com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O partido nunca surgiu.

O mercado foi encerrado. A aposta foi paga.

O mesmo trader assumiu posições semelhantes em relação às previsões tecnológicas de Musk, incluindo as reiteradas promessas de que o software Full Self-Driving da Tesla se tornaria totalmente autônomo, sem supervisão humana, dentro de um prazo definido. Mais uma vez, os prazos expiraram sem grande alarde.

No total, essa estratégia teria gerado mais de US$ 36 mil em lucros.

Como chuva no dia do casamento

Há, inevitavelmente, uma ironia em tudo isso.

Musk é, há muito tempo, um defensor declarado dos mercados de previsão, argumentando que eles oferecem sinais mais claros do que pesquisas de opinião, comentaristas ou modelos tradicionais de projeção. Ele já os descreveu como ferramentas úteis para compreender a realidade.

Sua empresa de inteligência artificial, a xAI, inclusive integra dados tanto da Polymarket quanto da Kalshi em seus sistemas. Ao utilizar probabilidades de mercado como fonte de informação, a xAI incorpora esses dados em seus processos de tomada de decisão, avaliando cenários prováveis e possíveis desdobramentos.

Esses mesmos mercados agora estão sendo usados para precificar a probabilidade de que as próprias declarações de Musk não sejam cumpridas dentro dos prazos anunciados.

O mecanismo não faz distinções. Ele se aplica igualmente a políticos, formuladores de políticas públicas e bilionários com cronogramas extremamente confiantes.

Portanto, esqueça Marte, esqueça os cybercabs, esqueça as ameaças de criar um partido político; ao que tudo indica, “no ano que vem” é o lançamento de produto mais confiável de Elon Musk até hoje.

Junte-se à maior comunidade global de iGaming com o Top 10 notícias da SiGMA. Inscreva-se AQUI para receber atualizações semanais, análises exclusivas e ofertas especiais para assinantes.

This site is registered on wpml.org as a development site. Switch to a production site key to remove this banner.