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Desafios do mercado asiático de iGaming: insights do CEO da Bettorify

Rajashree Seal
Escrito por Rajashree Seal
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O mercado de iGaming na Ásia deve apresentar crescimento contínuo, com a Statista estimando uma receita de US$ 66,79 bilhões em 2025 e prevendo uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 2,0% até 2029, quando o mercado deve atingir cerca de US$ 72,42 bilhões. Especificamente, as receitas de jogos de azar online na região devem chegar a US$ 12,97 bilhões em 2025, subindo para aproximadamente US$ 14,73 bilhões em 2028.

Apesar dos números indicarem crescimento, eles também evidenciam obstáculos significativos para operadores. A indústria de apostas na Ásia é extremamente fragmentada, com cada país possuindo suas próprias leis, costumes e métodos de pagamento. Isso significa que os operadores frequentemente enfrentam desafios como sistemas de pagamento pouco confiáveis, expectativas de jogadores em constante mudança e a necessidade de adaptar-se a mercados locais muito distintos, sem poder depender de um modelo global único. Movimentos regulatórios recentes nas Filipinas e debates em outros países mostram o quão rápido e imprevisível esse ambiente pode ser.

Para entender melhor como os operadores podem navegar por esses desafios, a SiGMA News conversou com Hanna Rai, CEO da Bettorify, durante o SiGMA Euro-Med em Malta, abordando temas como localização, particularidades do mercado e estratégias de sucesso na Ásia.

Localização e expertise de mercado

SiGMA News: Quais são os maiores desafios que os operadores enfrentam ao usar plataformas genéricas ou com modelos globais na Ásia, e como uma abordagem personalizada e localizada pode transformar o engajamento e a retenção de jogadores?

Hanna Rai, CEO da Bettorify: Todos os desafios que você puder imaginar. Já analisamos muitos sites. Um site ocidental normalmente tem layout sofisticado, tema escuro e elementos de design que agradam aos jogadores. Porém, na Ásia, os valores que as pessoas têm além do jogo são bem diferentes. Experiências de vida, cultura, cores, economia e preferências gerais variam bastante. Até a culinária é diferente, com sabores e tradições próprias.

Se você quer que seu produto atraia um público específico, precisa demonstrar que fez sua pesquisa. Temas claros ou a cor vermelha, por exemplo, são mais atrativos em certos países do Sudeste Asiático. Ferramentas de gamificação, produtos de sportsbook e jogos também diferem bastante dos encontrados na Europa. Operadores que estudam os principais jogos verão que os provedores líderes na Ásia são completamente diferentes dos sites ocidentais. Do básico aos detalhes, tudo é diferente.

SiGMA News: Considerando sua experiência nos mercados asiáticos, quão crítica é a expertise local para lidar com essas nuances regionais, comparada a uma estratégia global “one-size-fits-all”? 

Rai: É muito difícil se você tentar fazer tudo sozinho. Na Bettorify, por exemplo, em vez de tentar descobrir tudo por conta própria, nos conectamos com profissionais locais — especialistas que trabalham diretamente com operadores, usuários e retenção. Eles sabem exatamente o que funciona e o que não funciona. A maneira mais fácil sempre é contar com expertise local antes de entrar em um mercado. Não há necessidade de reinventar a roda; o conhecimento já existe..

Pagamentos, tecnologia e desafios operacionais

SiGMA News: Como riscos geopolíticos e a diversidade regulatória na Ásia e no Oriente Médio moldam as escolhas estratégicas dos operadores ao lançar e escalar plataformas de iGaming?

Rai: Essa é uma pergunta muito relevante, não só para a Ásia, mas globalmente. Mudanças regulatórias estão acontecendo rapidamente; o cenário é bem diferente de antes. Por exemplo, vimos recentes desenvolvimentos nas Filipinas com os POGOs (Operadores de Jogos Offshore das Filipinas). Operadores e plataformas precisam ser flexíveis e preparados para gerenciar riscos. Pesquisas extensivas são essenciais, mas não garantem total segurança. Tempo, recursos e investimento precisam ser alocados para antecipar e cumprir regulações futuras.

SiGMA News: P Pagamentos continuam sendo um desafio chave no iGaming. Quais tendências ou tecnologias emergentes em carteiras digitais e mitigação de risco via PSP você vê como mais promissoras para melhorar sucesso e segurança de transações na região?

Rai: Sou bastante otimista em relação à região. Na Europa, cartões de crédito e débito ainda são os principais métodos de pagamento, mas na Ásia são usados muito menos, o que reduz alguns problemas. Contudo, preocupações permanecem, pois golpes ainda são comuns, tanto em bancos quanto no setor de apostas, e a confiança nos cassinos pode ser baixa.

Por isso, é responsabilidade de operadores e plataformas garantir segurança e facilidade de uso nas transações. Olhando para o futuro, criptomoedas reguladas têm grande potencial. Elas facilitam o gerenciamento de dinheiro pelos jogadores e oferecem mais liberdade, embora ainda não sejam totalmente adotadas nos países do Sudeste Asiático. Estamos vendo uma tendência clara nessa direção.

SiGMA News: Como plataformas personalizadas transformam a complexidade dos mercados asiáticos em vantagens competitivas, com maior conversão, processamento de pagamentos mais eficiente e fidelidade mais sólida dos jogadores?

Rai: Uma plataforma dedicada a um mercado específico é exatamente o que fazemos. Nosso objetivo é tornar processos complexos simples. Esses sistemas são complexos, mas os operadores já gerenciam tráfego, canais de aquisição e investimentos, então não podemos sobrecarregá-los. Queremos que a plataforma seja plug-and-play. Fornecemos pagamentos, jogos e toda infraestrutura necessária, para que o operador não precise se preocupar com funcionamento em diferentes regiões. Basta funcionar.

SiGMA News:  Na sua visão, quais vantagens os operadores obtêm ao se associar a plataformas que oferecem serviço dedicado, estilo VIP, e suporte operacional específico de mercado, em vez de modelos genéricos voltados a volume?

Rai: Tenho conversado com muitos operadores recentemente, especialmente aqui na SiGMA Euro-Med. Existem muitas plataformas de iGaming, mas quando um operador investe tempo, dinheiro, esforço, conhecimento e energia em um projeto, ele busca mais que um prestador de serviços; busca um parceiro.

Muitas plataformas ainda operam com uma mentalidade antiga. Há cinco a sete anos, operadores tinham menos conhecimento sobre funcionamento das plataformas e frequentemente se contentavam apenas em ter um parceiro para cuidar do lado técnico. Hoje, os operadores estão muito mais informados e exigentes. Eles entendem os sistemas, sabem o que querem e identificam rapidamente ineficiências.

Em 2025, com o crescimento da IA e da automação, o toque humano continua sendo crítico. Serviço estilo VIP, suporte personalizado e orientação operacional adaptada ao mercado fazem diferença real para operadores, muito mais do que modelos genéricos voltados a volume.

Inovação, IA e novas oportunidades

SiGMA News: Em um setor onde a inovação é constante, quão importante é a capacidade de evoluir continuamente os recursos e operações de uma plataforma para acompanhar o ritmo das mudanças nas preferências dos jogadores e nas demandas do mercado?

Rai: Não há outro caminho. Diariamente ajustamos nossos backlogs e roadmaps para responder a novas tendências, necessidades dos operadores e recursos exigidos. Nesse setor, você não pode simplesmente criar algo, lançar e esquecer. É preciso pesquisa, desenvolvimento e inovação constantes — testar novas abordagens e integrar novos parceiros.

Mesmo aqui, na conferência SiGMA Euro-Med, vejo muitas empresas fazendo trabalhos inovadores. Algumas estão utilizando IA, outras exploram tecnologias emergentes, e algumas aplicam abordagens criativas em gamificação e ferramentas de retenção. Você não pode ignorar essas mudanças. A indústria exige que você esteja presente, observe as tendências de perto e evolua todos os dias.

SiGMA News: Como insights de ciberpsicologia e IA podem ser aproveitados para personalizar experiências de jogo que ressoem culturalmente na Ásia, ao mesmo tempo em que promovem práticas de jogo responsável?

Rai: Idealmente, todos os esforços devem focar na retenção do jogador. Mas não se trata apenas de dinheiro ou métricas, e sim de engajamento, emoções e da experiência psicológica do jogador. Ainda assim, o jogo responsável e o combate ao vício permanecem como as principais prioridades da indústria.

É responsabilidade de operadores, plataformas e provedores de pagamento agir de forma proativa. Precisamos criar medidas preventivas, como uma “vacina” para reduzir possíveis danos. Ao projetar ferramentas de entretenimento, gamificação e retenção, também precisamos estar preparados para as possíveis consequências, já que cada jogador é diferente. O foco deve ser sempre em proteção, prevenção e práticas de jogo responsável.

SiGMA News: Que conselho estratégico você daria a operadores da Europa, CIS ou América Latina que queiram entrar no mercado asiático, considerando os ciclos rápidos de inovação e os desafios regulatórios específicos da região?

Rai: Comece antes que seja tarde. O mercado está crescendo, não apenas no Sudeste Asiático, mas também em regiões como Filipinas, América Latina e além. A adoção da internet, IA e criptomoedas impulsiona o crescimento do iGaming nesses países. Não dá para depender dos mesmos mercados conhecidos por anos — muitos operadores, especialmente da Europa, ainda veem o Sudeste Asiático como exótico e subestimam o desenvolvimento econômico e tecnológico da região.

Para ter sucesso, é preciso explorar e testar novos mercados com uma abordagem local. Parcerias com plataformas que entendem a região são essenciais. Uma plataforma genérica pode funcionar, mas é um risco, e operadores não devem arriscar seus investimentos dessa forma.

SiGMA News: Olhando para o futuro, quais mudanças regulatórias ou tecnológicas você prevê como mais transformadoras para operadores de iGaming que buscam crescimento em mercados emergentes e diversificados?

Rai: A IA já impacta todos os aspectos das nossas vidas — desde suporte e software até gamificação, marketing, psicologia, bancos de dados e conhecimento. Ela é o maior motor de crescimento atualmente. Assim como quando a internet se popularizou, algumas pessoas se preocupavam com consequências negativas, enquanto outras viam que tudo depende do uso, e que era possível acessar informação e conhecimento muito mais rápido. O mesmo vale para IA. Haverá obstáculos à medida que o setor a adotar, especialmente no iGaming, que é de alto risco e sensível, mas a IA continuará sendo um motor essencial de crescimento, sobretudo em mercados emergentes.

A Ásia continua sendo um mercado desafiador para operadores ocidentais, europeus e latino-americanos, com muitos lutando para replicar sucessos de mercados consolidados. A CEO da Bettorify, Hanna Rai, destacou que depender de plataformas genéricas e abordagens “one-size-fits-all” frequentemente leva ao fracasso. Apesar dos desafios, a Ásia — incluindo Sudeste Asiático, Sul da Ásia e Ásia Central — oferece oportunidades. O sucesso requer mente aberta, atenção cuidadosa às estratégias de aquisição, retenção e tecnologia, e parcerias com plataformas que compreendam os mercados locais. Operadores que adaptam suas abordagens e aproveitam expertise local estão melhor posicionados para desbloquear o potencial do iGaming na região.

O estopim está aceso. Colombo lidera o futuro do iGaming. SiGMA Sul da Ásia, 30 de novembro a 2 de dezembro de 2025, onde novos mercados abrem novos horizontes. Você vai ficar de fora?

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