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Filipinas traçam novo rumo para o setor de jogos após o encerramento dos POGOs

Rami Gabriel
Escrito por Rami Gabriel
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A SiGMA Asia 2026 iniciou seu primeiro dia de conferências no SMX Convention Center, em Manila, nas Filipinas, com um debate focado em uma das transformações mais acompanhadas pela indústria local: o futuro do setor de jogos após o encerramento das operações dos Philippine Offshore Gaming Operators (POGOs).

O painel, intitulado After POGOs: Rebuilding the Philippine Gaming Equation (“Após os POGOs: Reconstruindo o Cenário do Setor de Jogos nas Filipinas”), contou com a moderação de Keith McDonnell, do KMI Group, e reuniu Evan Spytma, da Casino Plus, Peter Williams, da Continent 8 Technologies, e Harmen Brenninkmeijer, da NYCE International. Os participantes discutiram como as Filipinas podem manter um mercado de jogos equilibrado, reconquistar a confiança dos investidores e estabelecer regras claras para o crescimento do setor após o fim do modelo POGO.

McDonnell abriu a discussão perguntando aos painelistas o que mudou desde a era dos POGOs. Brenninkmeijer explicou que os operadores utilizavam infraestrutura local, escritórios e mão de obra filipina, mas direcionavam suas atividades principalmente para mercados fora das Filipinas. Segundo ele, problemas relacionados à documentação, imigração e criminalidade acabaram levando a PAGCOR e o governo filipino a encerrar o modelo POGO.

Evan Spytma compartilha suas perspectivas durante o painel de discussão.

Spytma abordou os impactos econômicos mais amplos da medida, observando que o encerramento das operações provocou uma queda perceptível no mercado imobiliário, na demanda por escritórios e em diversos setores correlatos. “Assim que os POGOs foram encerrados, vimos um impacto imediato sobre o mercado de bens de luxo, o fechamento de casas de KTV e prejuízos para todos os negócios que dependiam desse ecossistema”, afirmou. Ele acredita que a PAGCOR administrou bem a transição e destacou que o novo modelo de Philippine Inland Gaming Operators (PIGOs) está começando a preencher esse espaço deixado pelos POGOs.

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Os participantes do painel concordaram que as Filipinas continuam contando com vantagens competitivas importantes, como mão de obra qualificada, experiência consolidada na indústria de jogos e uma localização estratégica próxima de outros mercados asiáticos. No entanto, também destacaram que os investidores precisam de maior previsibilidade antes de comprometer grandes volumes de capital.

“A dificuldade é que o capital segue a certeza e a previsibilidade”, afirmou Williams. Ele acrescentou que as Filipinas podem continuar apoiando a indústria global de jogos por meio da oferta de serviços como CRM, contabilidade, administração, hospedagem tecnológica e cibersegurança, mesmo que atividades ligadas diretamente a apostas e movimentação de fundos de jogadores não façam parte desse modelo.

Brenninkmeijer concordou e afirmou que o país tem potencial para se tornar um importante centro de suporte para empresas globais de jogos, desde que o ambiente regulatório se torne mais claro e consistente. Segundo ele, a proposta de uma categoria especial para empresas de BPO (Business Process Outsourcing) pode funcionar, mas apenas se as regras forem viáveis tanto para grandes quanto para pequenos operadores.

O debate também abordou temas relacionados à regulamentação, tributação e políticas públicas. Spytma destacou que a PAGCOR avançou ao reduzir a carga tributária e incentivar operadores e fornecedores a integrarem o mercado regulamentado. No entanto, observou que investidores estrangeiros buscam leis claras e estáveis, e não apenas políticas que possam mudar a cada nova administração governamental.

Spytma também explicou que as restrições envolvendo as plataformas GCash e Maya foram determinadas pelo Banco Central das Filipinas (BSP) e pelo Senado, e não pela PAGCOR. Segundo ele, os chamados super apps podem desempenhar um papel importante na proteção dos jogadores por meio de mecanismos como registro obrigatório de SIM card, verificações bancárias, processos de KYC (Conheça Seu Cliente) dos operadores e limites para depósitos e apostas. “Eu realmente acredito que GCash e Maya representam o futuro da indústria de jogos”, afirmou.

Ao encerrar a sessão, McDonnell resumiu o debate destacando que as Filipinas continuam tendo uma oportunidade significativa de crescimento, tanto no mercado doméstico quanto como porta de entrada para outros mercados asiáticos regulamentados. Segundo ele, a principal questão agora é saber se reguladores, governo e indústria conseguirão trabalhar de forma alinhada para transformar esse potencial em realidade.

Leitores e participantes podem consultar a programação completa da SiGMA Asia 2026 para acompanhar todos os painéis, palestras e eventos de networking realizados durante a conferência. A agenda oferece uma visão detalhada das discussões que estão moldando o futuro dos jogos, da regulamentação, dos investimentos e da tecnologia em toda a Ásia.

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