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O que está impulsionando a rápida ascensão do Brasil como potência em apostas online?

Naomi Day
Escrito por Naomi Day
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Durante o primeiro dia do BiS SiGMA América do Sul 2026, no Transamerica Expo Center em São Paulo, o painel “Um Ano de Regulação e o Quinto Maior Mercado Global em Receita de Apostas Online” reuniu especialistas da indústria para discutir como as apostas esportivas online se consolidaram como uma realidade econômica, social e cultural no Brasil.

Entre os participantes estavam Plínio Lemos Jorge, Presidente da ANJL – Associação Nacional de Jogos e Loterias, Fabio Macorin, Secretário Adjunto de Supervisão e Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Giovanni Rocco Neto, Secretário Nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério do Esporte, e Bárbara Teles, Head de Legal & Compliance e fundadora da PlayTech Brasil e da AMIG. O debate abordou as forças que impulsionaram a ascensão meteórica do Brasil no setor de apostas online, desde os marcos regulatórios e a confiança do mercado até a adoção pelos consumidores e o impacto econômico. Os painelistas também exploraram o equilíbrio entre crescimento e fiscalização, ressaltando a importância do jogo responsável, da transparência e da sustentabilidade de longo prazo em um dos mercados de mais rápida evolução do mundo.

Construindo uma base regulada

Um tema recorrente foi a importância da regulação para estruturar o crescimento das apostas no Brasil. Após anos operando em um mercado cinzento, 2024 marcou um ponto de virada, e 2025 iniciou um ambiente totalmente regulado.

Giovanni Rocco Neto destacou as consequências da lacuna anterior: “Passamos por um hiato de seis anos sem regulamentação… e isso prejudicou o setor, inclusive sua imagem.” A ausência de fiscalização permitiu que atividades ilegais prosperassem, criando o que ele descreveu como um “problema gigantesco” que as autoridades agora trabalham para conter.

O esforço central envolve uma resposta coordenada do governo. Neto detalhou como múltiplos ministérios, incluindo Justiça e Fazenda, uniram forças para criar uma política nacional de combate à manipulação de resultados e fraudes. “Não é uma iniciativa individual, é uma ação do Estado”, enfatizou, reforçando a seriedade e a escala da abordagem.

O treinamento das forças de segurança também tem sido fundamental. Como Neto explicou: “Não podemos pedir à polícia que investigue manipulação de resultados… se eles não entendem como funciona o mercado de apostas.”

Combate ao mercado ilegal

Embora a regulamentação tenha trazido legitimidade, a batalha contra operadores ilegais continua sendo um dos maiores desafios do setor. Fabio Macorin detalhou uma estratégia multissetorial, abrangendo frentes cibernética, financeira, publicitária e regulatória.

No ambiente digital, as autoridades identificam e bloqueiam sites de apostas ilegais, com apoio de parcerias com órgãos reguladores de telecomunicações. “A capacidade de identificar e bloquear esses sites praticamente dobrou”, observou Macorin, destacando o impacto dos novos sistemas de monitoramento.

O combate financeiro também é crucial. Acompanhando fluxos de pagamento e aplicando regras mais rigorosas às instituições financeiras, os reguladores cortam o suporte econômico dos operadores ilegais. “Seremos mais eficazes… se atuarmos nesse aspecto financeiro”, disse Macorin, ressaltando o papel do PIX, usado amplamente no Brasil, como desafio e oportunidade.

A escala da fiscalização já é significativa: mais de 27 mil sites de apostas foram bloqueados, evidenciando tanto o tamanho do mercado ilegal quanto a intensidade da resposta.

Integridade e sustentabilidade

Além da fiscalização, manter a integridade das apostas é essencial para o sucesso de longo prazo. Neto explicou como o Brasil adota melhores práticas internacionais, incluindo sistemas de monitoramento em tempo real para detectar padrões suspeitos. “Quando há uma queda súbita nas odds… é um sinal de manipulação.”

Essa abordagem tecnológica é combinada com colaboração internacional e inovação local, incluindo parcerias com instituições acadêmicas para desenvolver ferramentas avançadas de monitoramento.

Para representantes do setor, como Bárbara Teles, a sustentabilidade vai além da regulação e fiscalização. Ela destacou a crescente contribuição econômica do setor — cerca de 15 bilhões de reais em arrecadação tributária — como fator-chave para garantir apoio governamental de longo prazo. “O governo não pode fechar os olhos para este setor hoje”, afirmou.

Ela também alertou para desafios emergentes, especialmente em anos eleitorais, quando narrativas políticas podem influenciar a percepção pública. “Precisamos comunicar isso a outros setores… e também ao governo.”

Um caminho colaborativo

O que mais se destacou no painel foi o alinhamento crescente entre stakeholders públicos e privados. Teles apontou que, onde antes a indústria era fragmentada, hoje associações trabalham juntas para enfrentar desafios comuns.

Essa colaboração, combinada com regulamentação e fiscalização mais fortes, ajuda o Brasil a transitar de um crescimento rápido para uma maturidade sustentável. Como Neto resumiu: “Não podemos resolver um problema de seis anos… em um ano.”

O boom das apostas no Brasil

À medida que o Brasil consolida sua posição como líder global em apostas online, os insights compartilhados no painel evidenciam tanto o potencial de crescimento quanto a complexidade de manter um ecossistema regulado e sustentável. Com stakeholders do governo e da indústria alinhados para fomentar crescimento responsável, a próxima fase desse mercado será fundamental para acompanhar.

Fique atento para mais cobertura exclusiva, insights do setor e principais aprendizados do BiS SiGMA América do Sul 2026.

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