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O pôquer está entrando em uma nova era de ouro impulsionada por streamers e eventos ao vivo?

Naomi Day
Escrito por Naomi Day
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Durante o BiS SiGMA América do Sul 2026, realizado em São Paulo no Transamerica Expo Center, o Palco Paulista recebeu líderes da indústria e jogadores para o painel “O Novo Boom do Pôquer: Streamers, Pôquer ao Vivo e o Retorno do Jogo Baseado em Habilidade”. À medida que o pôquer experimenta um renascimento em toda a América Latina, a sessão explorou como o jogo está sendo transformado por conteúdos digitais, experiências ao vivo e um foco renovado na habilidade dos jogadores.

O painel contou com Lukas Robinson, jogador profissional de pôquer, Simon Isbäck, Head de Pôquer na Cubeia Sweden AB, Rômulo Dorea, jogador profissional de pôquer e embaixador do WPT, Nikita Akulov, Diretor de Atendimento ao Cliente da EvenBet Gaming, e Anna Colley, Diretora do SiGMA Poker Tour e Conferências no Grupo SiGMA.

Juntos, eles discutiram como transmissões ao vivo, influenciadores e plataformas online estão impulsionando a popularidade do pôquer, reposicionando-o na interseção entre entretenimento, esporte e performance. A conversa também destacou o papel de eventos presenciais e streaming para engajar novos públicos, além do crescente apelo do pôquer como disciplina competitiva e baseada em habilidade no cenário atual de jogos.

Crescimento global

Embora as comparações com o boom do pôquer no início dos anos 2000 sejam inevitáveis, o painel adotou um tom mais equilibrado. “Acho fácil olhar para 2003… e esperar voltar àquele ponto”, disse Isbäck, referindo-se à era iniciada por Chris Moneymaker. “Mas nenhum jogo online… teve um boom e, 20 anos depois, teve um boom maior.”

O consenso apontou, na verdade, para uma mudança no consumo do jogo. O pôquer não está apenas crescendo; está evoluindo para um produto completamente diferente.

Motores do crescimento

Para Dorea, o crescimento em mercados como o Brasil está fortemente ligado a conteúdo e acessibilidade. “Nunca vi o pôquer tão em alta no Brasil nos últimos 16 anos”, afirmou, atribuindo a ascensão a uma mudança de abordagem. “Em vez de focar em falar apenas com os profissionais… estamos focando em conversar com qualquer pessoa que ache o pôquer interessante.”

Esse apelo mais amplo é essencial. “O jogo não pode crescer se não conseguirmos atrair novos jogadores”, acrescentou. Até figuras culturais, como Neymar, têm contribuído para expandir o alcance do pôquer. “Onde quer que o Neymar coloque os olhos… aquilo realmente cresce”, destacou Dorea, mostrando o poder da influência mainstream para despertar curiosidade sobre o jogo.

Enquanto o pôquer sempre foi associado a luxo e altas apostas, o crescimento atual está cada vez mais ligado a acessibilidade e experiência. Robinson apontou os eventos ao vivo como motores importantes desse crescimento: “A experiência é o que importa… Se as pessoas se inscreverem e tiverem uma má experiência… não vão voltar.”

Os eventos estão se transformando em ambientes de entretenimento completos: “Não é só pôquer, é a experiência”, disse, destacando a importância de atmosfera, comunidade e diversão.

Habilidade ou sorte?

O debate clássico sobre se o pôquer é um jogo de habilidade ou de sorte também esteve em evidência. “A longo prazo, eu diria que é 100% habilidade”, disse Dorea. “Mas o fator sorte torna o jogo mais popular porque qualquer um pode ganhar.”

Essa acessibilidade é crucial, pois vitórias iniciais despertam interesse e engajamento emocional, levando os jogadores a se aprofundarem no jogo.

Apesar de influenciadores e streamers serem eficazes em atrair novos públicos, a retenção de jogadores continua sendo o maior desafio da indústria. “Definitivamente há mais jogadores sendo atraídos por influenciadores agora”, disse Akulov.
“Mas… precisamos aprender coletivamente a manter esses jogadores engajados também.”

A responsabilidade recai sobre plataformas e operadores, que devem oferecer experiências de usuário fluídas e estratégias de engajamento a longo prazo. Um fator-chave é a progressão no jogo: “Os jogadores querem sentir evolução… enquanto o teto de habilidade permanece alto.”

O fator dopamina

Outro ponto destacado foi como o pôquer é percebido pelo jogador médio. “Por algum motivo, eu sinto que o pôquer deveria ser visto como um hobby”, disse Robinson.
“Você vai ao cinema… não espera dinheiro de volta, e é assim que o pôquer deveria ser encarado.”

Essa reformulação contribui para um ecossistema mais saudável, onde diversão e experiência prevalecem sobre lucro para a maioria dos jogadores. Estratégias de conteúdo modernas também estão transformando a forma como o pôquer é consumido, especialmente pelo público mais jovem. “Todos nós somos viciados em dopamina”, afirmou Dorea. “Quando faço um short, tento mostrar algo novo a cada dois ou três segundos.”

A estrutura do pôquer, com cartas reveladas em etapas, é ideal para histórias de suspense e formatos curtos de alta interação: “Sempre começa com a sua mão… depois o flop… o turn… e, finalmente, o river”, explicou, mostrando como o jogo se encaixa naturalmente em conteúdos de curta duração e engajamento intenso.

Uma nova era

À medida que o pôquer evolui, o novo boom reflete mais do que um renascimento; é uma transformação em como o jogo é consumido, vivido e compreendido. Com a convergência de eventos ao vivo, plataformas digitais e conteúdo criado por influenciadores, o pôquer está construindo uma nova identidade que combina competição e entretenimento.

Fique ligado para cobertura completa, entrevistas exclusivas e destaques do BiS SiGMA América do Sul 2026, trazendo as maiores novidades do evento.

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