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Revista SiGMA: como ética, defesa de interesses e regulação moldam o mercado de iGaming nos EUA?

Naomi Day
Escrito por Naomi Day
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A edição 35 da Revista SiGMA, lançada durante a SiGMA Europa Central em novembro, traz um perfil aprofundado de Bill Pascrell III, Esq., sócio do Princeton Public Affairs Group. O conteúdo revisita a evolução do iGaming nos Estados Unidos, explorando décadas de marcos regulatórios, articulações políticas e dilemas éticos que moldaram o setor.

A matéria completa — reproduzida a seguir — analisa por que navegar no complexo ecossistema de jogos nos EUA exige persistência, integridade e visão estratégica, e como esses elementos podem posicionar operadores e formuladores de políticas à frente em um mercado cada vez mais digital e competitivo.

O jogo de longo prazo

Advogado, especialista regulatório e sócio do Princeton Public Affairs Group, Bill Pascrell passou mais de três décadas na linha de frente das negociações políticas do setor de jogos. Ao longo desse período, assessorou governadores, orientou operadores e colaborou na elaboração de legislações que marcaram o início do mercado de apostas online nos Estados Unidos.

De corridas de cavalos a loterias, de mercados preditivos ao iGaming, sua trajetória acompanha a própria transformação da indústria. Em 2009, o fundador do PokerStars, Isai Scheinberg, o procurou após anos de lobby sem resultados. “Ele gastava US$ 40 milhões por ano fazendo lobby no Congresso. Eu disse: ‘Vou fazer um acordo com você. Me dê 10% desses US$ 40 milhões e dois anos. Eu entrego um projeto de lei de iGaming aprovado.’ Em 2011, aprovamos a lei e lançamos a operação 18 meses depois. O resto é história.”

O caminho, porém, cobrou seu preço: “Quando fui contratado pelo PokerStars, todos os meus clientes de cassinos físicos me demitiram. Perdi milhões. Mas eu acreditava no que estava fazendo. Era Davi contra Golias — e vencemos.”

Presença onde importa

Apesar da fama dos EUA como potência global do setor de jogos, Pascrell reforça que o mercado digital ainda está engatinhando. “O mercado de jogos americano, muito maduro no varejo e no físico, ainda está na infância no ambiente digital.” Embora as apostas esportivas tenham avançado rapidamente, ele afirma que o caminho do iGaming ainda é longo: “Estados importantes, como Texas e Califórnia, não vão avançar tão cedo”, afirma, citando pressões políticas e interesses tribais.

E alerta para um problema crescente: a falta de conscientização. “Muitos políticos não percebem que, nos estados onde o iGaming ainda não é autorizado, as pessoas já estão apostando online — só que no setor ilegal.”

Para ele, a solução começa com uma defesa institucional mais forte: “A indústria tem uma história extremamente poderosa para contar — mas ninguém está contando. O iGaming gera empregos. Gera impostos. Ajuda a combater o setor ilegal.”

Mas transmitir essa mensagem exige presença física, não apenas mensagens remotas: “Não existe lobby virtual. Se você tentar fazer isso, você já começa derrotado”, afirma. “Ajuste sua mensagem, seja sincero, tenha paixão. Reúna documentos, bata nas portas e seja persistente. Fale com as pessoas cara a cara, com respeito.” Ele reforça também a importância de resultados concretos: “Pergunte ao seu lobista o que ele já conquistou no setor de jogos. Se não tiver entregado nada, não está agregando valor.” Na visão de Pascrell, o avanço do iGaming não acontece em chamadas no Zoom ou relatórios de gabinete — mas em conversas diretas, apertos de mão e presença constante junto aos legisladores.

Integridade como moeda

Para Pascrell, o sucesso no setor de jogos depende, antes de tudo, de ética. “Ética e integridade são reflexo da liderança de cada organização. Não é a lei que cria ética. Se você não for íntegro, sempre encontrará uma forma de contornar qualquer regra.”

Ele elogia operadores que investem em ferramentas de monitoramento de integridade em tempo real e soluções de jogo responsável. “Porque sabe o que muita gente pensa? Se existe um político corrupto, então todos devem ser. Se você não enfrenta isso de forma rigorosa, não vejo espaço para brechas éticas.”

Sua visão vai além do compliance. “Fui convidado pela Universidade Faulkner, no Alabama, para debater com o decano da faculdade de teologia sobre a ética do jogo. A Bíblia não diz em nenhum momento que apostar é pecado ou imoral. Se for conduzido com responsabilidade, tudo bem. O problema surge quando vira jogo irresponsável, vício, dano ao jogador.”

Essa distinção revela um princípio essencial: ética e responsabilidade precisam nascer dentro da indústria. Não cabe apenas aos reguladores definir o comportamento. Criar uma cultura de responsabilidade e prestação de contas é vital para manter a confiança e garantir crescimento sustentável.

O próximo nível

Mentor e pai de quatro filhos, Pascrell observa com atenção os desafios enfrentados pelas novas gerações no setor. “Habilidades clássicas são mais importantes do que nunca: redação, análise, pensamento crítico. E ética de trabalho”, habilidades essenciais em uma indústria de crescimento acelerado e regulamentação complexa.

Mesmo com obstáculos no horizonte, Pascrell se mantém otimista. “O mercado americano está evoluindo, e as empresas que vão prosperar são aquelas que combinarem estratégia, integridade e capacidade de adaptação.” Seu conselho vale para profissionais de todas as idades: conte bem sua história, aja com ética, escolha seus lobistas com inteligência e mantenha o foco no trabalho que realmente move a indústria adiante.

Fique de olho na edição 36 da Revista SiGMA. A próxima edição será lançada durante a SiGMA Sul da Ásia, no Sri Lanka, entre 30 de novembro e 2 de dezembro de 2025.

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