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Artem Skrypnyk analisa a maturidade digital da Europa

Kateryna Skrypnyk
Escrito por Kateryna Skrypnyk
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

As principais tendências do setor de iGaming em 2025 incluem a personalização da experiência do usuário, o fortalecimento das exigências de conformidade regulatória e cibersegurança, além da integração de soluções baseadas em inteligência artificial (IA). As empresas que conseguem se adaptar a esses desafios estão estabelecendo novos padrões de qualidade e sustentabilidade no mercado.

A Favbet Tech é uma empresa de produtos de TI sediada na Ucrânia e integrante do grupo Favbet. A companhia investe ativamente no desenvolvimento de soluções inovadoras, processos automatizados e especialização em IA aplicada ao iGaming. Além disso, promove uma cultura de responsabilidade tecnológica por meio da colaboração com órgãos governamentais e instituições educacionais.

Artem Skrypnyk, CEO da Favbet Tech, falou sobre a maturidade digital dos mercados europeus, a implementação da IA no iGaming, a cibersegurança e o futuro da tecnologia em uma entrevista exclusiva à SiGMA News.

A prontidão do público europeu para a inovação

Você percebe diferenças na maturidade digital entre os mercados da Europa Ocidental e Oriental? Como isso afeta a implementação de produtos baseados em IA?

Sem dúvida, existem diferenças claras. Se falarmos de jurisdições como Portugal, Espanha, Itália e Reino Unido, os jogadores são mais conservadores. Estão acostumados à estabilidade e nem sempre se mostram abertos à inovação. Na Croácia, por exemplo, o público esportivo também permanece mais tradicional: muitos cresceram em um ambiente de apostas presenciais, e a transição para o online é mais lenta para as gerações mais velhas. A introdução de inovações nesses mercados leva mais tempo.

Já os mercados do Leste Europeu, como Romênia, Bulgária e Ucrânia, são muito mais flexíveis e rápidos na adoção de novas tecnologias. Os jogadores demonstram interesse por soluções modernas, e a Favbet Tech vem desenvolvendo ativamente sua plataforma nessas regiões.

A Ucrânia é um caso particular. A guerra praticamente destruiu o varejo físico, e toda a atividade migrou para o ambiente online. Os usuários ucranianos são jovens, familiarizados com tecnologia e abertos a novidades. O nível de digitalização do país é elevado: desde serviços públicos online até neobancos e soluções fintech. As pessoas estão acostumadas à conveniência e esperam inovação por parte dos operadores e provedores de software — como personalização, ferramentas de IA e gamificação.

A Europa Ocidental é mais fortemente regulamentada. Muitas soluções enfrentam barreiras técnicas ou legais para serem implementadas. Já a Europa Oriental avança mais rapidamente do ponto de vista tecnológico.

Quais formatos de parceria podem acelerar a introdução de inovações e aumentar a confiança na tecnologia?

Parcerias com operadores, plataformas, reguladores e instituições educacionais desempenham um papel fundamental. A indústria do jogo é, por natureza, tecnológica e altamente competitiva, semelhante aos setores de fintech e criptomoedas.

Ao mesmo tempo, o sistema educacional ucraniano forma profissionais na interseção entre tecnologia e negócios, permitindo que eles estabeleçam tendências de inovação. A Favbet Tech se juntou a esse movimento ao se tornar parceira do primeiro comitê de IA da Ucrânia, criado no âmbito de uma associação nacional relevante. O comitê reúne líderes do mercado, promove o desenvolvimento estratégico do setor e enfrenta seus principais desafios.

Esse comitê realiza sessões estratégicas e mesas-redondas, pesquisa o mercado e desenvolve um roteiro de evolução da IA na Ucrânia. Ele atua como uma ponte entre negócios, tecnologia e educação: desenvolvemos departamentos, colaboramos com universidades e mantemos diálogo com reguladores, incluindo o Ministério da Transformação Digital.

A Favbet Tech mantém seu centro de P&D na Ucrânia, concentrando ali a maior parte de sua expertise técnica. A empresa desenvolve talentos localmente e atrai novos profissionais por meio das universidades, que trazem métodos modernos para a indústria.

Também mantemos diálogo contínuo com reguladores de diferentes países sobre certificação de produtos. A norma ISO 27001 de segurança da informação vem se tornando gradualmente obrigatória. A participação em associações setoriais e grupos de trabalho nos permite não apenas nos adaptar, mas também influenciar a formação de abordagens regulatórias.

Liderança no desenvolvimento de IA para iGaming

Quais fatores determinam a liderança entre os provedores de IA no iGaming?

Atualmente, a liderança é definida por três fatores principais:

  1. Eficiência econômica. Avaliamos os modelos de IA com base em ROI, rentabilidade e eficiência de tráfego. Toda implementação é analisada sob a ótica da viabilidade financeira: quanto custa a funcionalidade e quanto de receita ela gera.
  2. Transparência dos algoritmos. A IA muitas vezes funciona como uma “caixa-preta”, por isso buscamos compreender a lógica por trás das decisões, validar os dados de treinamento e garantir o uso ético da tecnologia.
  3. Flexibilidade e adaptabilidade. É essencial responder rapidamente às mudanças tecnológicas e regulatórias. Garantimos que cada decisão seja transparente e esteja em conformidade com as exigências legais.

Quais soluções de IA têm maior potencial na Europa em 2026?

Modelos preditivos e IA generativa apresentam o maior potencial para aprimorar a experiência do cliente. Um exemplo é o projeto da FanDuel com a Amazon: um modelo baseado em estatísticas ajuda os usuários a tomar decisões em tempo real.

Chatbots e agentes virtuais podem fornecer estatísticas, resultados de partidas e recomendações personalizadas. No futuro, eles também poderão automatizar ações dos jogadores, como a realização de apostas ao vivo.

Soluções nativamente integradas, que aprimoram a interação com a plataforma, serão a principal direção do desenvolvimento da IA nos próximos anos.

A cibersegurança na Europa ainda é insuficiente

Como você avalia o nível de cibersegurança no iGaming europeu e quais tecnologias são utilizadas para proteção?

A cibersegurança é crítica para o setor de iGaming, que figura entre os três mais atacados por hackers, ao lado dos setores bancário e de criptomoedas. O nível de proteção na Europa ainda é insuficiente, como demonstram os inúmeros casos de vazamento de dados.

É necessária uma abordagem abrangente para elevar o nível de segurança:

  • Arquitetura Zero Trust;
  • Sistemas SIEM e SOAR;
  • SOC com uso de IA e machine learning para detecção precoce de ameaças;
  • Segurança em nuvem (Amazon, Microsoft, Google);
  • Sistemas MDM para proteção dos dispositivos dos colaboradores.

As principais ameaças ao iGaming incluem phishing, roubo de dados e ataques de ransomware. Para proteger as informações corporativas, sistemas modernos de IA analisam milhões de eventos, identificam anomalias, preveem ataques e apontam vulnerabilidades. Ferramentas de análise estática de código, como Code Rabbit, SonarQube e BlackDuck, também são utilizadas para identificar bibliotecas inseguras e atualizar sistemas.

Quais são os esquemas de fraude mais frequentes no iGaming e como combatê-los?

Entre as fraudes mais comuns estão o abuso de bônus, a criação de múltiplas contas (multi-accounting) e fraudes em pagamentos. Isso também inclui fraudes esportivas, como apostas em partidas manipuladas (match-fixing), arbitrage betting e front-running.

Para combater essas práticas, são utilizadas bases de dados em grafo, tecnologias de device fingerprinting para identificação de dispositivos e modelos comportamentais que analisam as ações dos usuários. Todas essas ferramentas são integradas em sistemas completos de prevenção a fraudes e soluções de gestão de riscos, especialmente relevantes em mercados regulamentados.

Quais são os riscos de não regular a IA e a cibersegurança no iGaming, e quais mecanismos de autorregulação são possíveis?

Atualmente, não existe uma regulação específica para IA no iGaming nem na União Europeia nem na Ucrânia. A UE está desenvolvendo o AI Act; iniciativas semelhantes estão em andamento nos Estados Unidos, enquanto na Ucrânia as abordagens ainda estão em fase inicial.

Na ausência de um marco legal claro para regular a IA no iGaming, a Favbet Tech adota os princípios do uso responsável da tecnologia (Responsible AI). A empresa prioriza a transparência dos algoritmos, a proteção de dados pessoais conforme o GDPR e a ética dos modelos.

Como parte de sua estratégia de autorregulação, a Favbet Tech implementa padrões éticos internos (AI Ethics Guidelines), audita seus modelos e utiliza a IA como ferramenta de apoio, e não como tomadora de decisão autônoma.

A empresa mantém interação ativa com órgãos governamentais e participa do desenvolvimento de diretrizes para a regulação da IA.

Com o tempo, cada país deverá criar suas próprias leis para garantir o desenvolvimento transparente, seguro e sustentável das tecnologias no setor de jogos online.

Conclusão

A Favbet Tech, empresa ucraniana de produtos de TI e integrante do ecossistema da marca Favbet, vem fortalecendo sua posição no setor de iGaming ao apostar em inovação, escalabilidade e segurança. Como centro independente de P&D, a companhia desenvolve soluções tecnológicas completas para apostas online e cassinos, aplicando IA e big data à personalização, prevenção a fraudes e gestão de riscos.

A Favbet Tech também integra ativamente ferramentas fintech — como gateways de pagamento, módulos de AML/KYC e suporte a criptomoedas. A cibersegurança recebe atenção especial: a empresa implementa arquiteturas modernas de proteção, incluindo Zero Trust, soluções em nuvem e sistemas de monitoramento de ameaças.

A equipe da Favbet Tech conta com mais de 300 especialistas na Ucrânia e em países da União Europeia. O principal centro de P&D está localizado em Kiev, onde se concentra o núcleo técnico da empresa. A companhia coopera ativamente com universidades, associações do setor e órgãos governamentais, incluindo o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia, formando um ecossistema tecnológico sustentável e desenvolvendo capital humano no país.

Na entrevista, Artem Skrypnyk destacou três pilares fundamentais: a maturidade digital dos mercados europeus, o papel da autorregulação e a cibersegurança. Para ele, a sustentabilidade e a liderança tecnológica no iGaming dependem do equilíbrio entre inovação, responsabilidade e diálogo estratégico entre Estado, empresas e academia.

Este artigo foi publicado originalmente em russo em 26 de janeiro de 2026.

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