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ASSISTA: Keith Marshall sobre promover mudanças por meio da Fundação SiGMA

Matthew Busuttil
Escrito por Matthew Busuttil

De clínicas de cirurgia ocular na Guatemala a centros musicais nas Filipinas, Keith Marshall, Diretor de Filantropia da Fundação SiGMA, é a prova de que pequenas ações podem gerar transformações extraordinárias. Em uma entrevista recente, ele compartilhou os últimos sucessos da organização, o impacto de suas iniciativas e como passou de apoiador remoto a líder de campo, deixando uma mensagem de esperança e possibilidade para todos.

Projetos transformadores em diferentes continentes

Os últimos meses foram intensos para Marshall, marcados por momentos empolgantes que refletem tanto o crescimento da atuação da Fundação quanto a diversidade das áreas em que ela se concentra. Seu desejo de retribuir à sociedade levou a uma série de ações recentes nas áreas de saúde, esporte e infraestrutura comunitária, sempre com a premissa de que cada projeto deve atender a uma necessidade real.

Para citar alguns exemplos, no ano passado a Fundação realizou cirurgias oftalmológicas gratuitas para pessoas na Guatemala, construiu um centro esportivo no Brasil que hoje atrai jovens atletas e ampliou a capacidade de um hospital no Peru, dobrando suas instalações. Esses projetos transformadores oferecem soluções imediatas para necessidades urgentes e, ao mesmo tempo, geram esperança e novas perspectivas para o futuro das comunidades beneficiadas.

Na Guatemala, foi inaugurada uma clínica de cirurgia ocular para combater a cegueira evitável em uma comunidade carente. Marshall lembra: “Toda a população veio agradecer”, chamando o projeto de algo que salvou e transformou vidas na região.

Em seguida, Marshall viajou ao Brasil, onde fez um discurso principal nos Prêmios SiGMA e inaugurou um centro esportivo na periferia das favelas de São Paulo. Essa expansão também trouxe capacidade muito necessária a uma unidade de saúde remota, e a equipe ficou “agradavelmente surpresa” com a grande participação da comunidade local. A jornada foi concluída com uma caminhada física e mentalmente desafiadora — mas inspiradora — pela Trilha Inca até Machu Picchu: 35 horas de subida em ar rarefeito. “Foi puxado, mas foi lindo”, resume Marshall, misturando exaustão e gratidão.

Sem muito descanso, ele logo embarcou no Caminho de Santiago, na Espanha, percorrendo 125 quilômetros por fazendas e florestas, seguido quase imediatamente pela escalada do Monte Toubkal, o pico mais alto do norte da África. O centro esportivo oferece aos jovens um espaço seguro para praticar esportes e desenvolver disciplina e orgulho comunitário em um momento desafiador.

No Peru, o trabalho da Fundação incluiu a abertura de um anexo hospitalar na Amazônia, administrado por um padre gozitan.

“O que é veneno para uns é alimento para outros — e isso é o meu alimento.”

Uma filosofia de engajamento

A filosofia de Marshall parte da crença de que mudanças significativas não exigem gestos grandiosos de todos, mas sim participação. O lema da Fundação, “We aspire to inspire” (“Queremos inspirar”), reflete esse pensamento: mostrar ações para que outros ajam à sua maneira.

“Não se trata da Fundação SiGMA. É sobre pessoas se aproximando, vendo o que fazemos e dizendo: ‘Posso fazer parte disso’. Muitas mãos tornam o trabalho leve.”

Para Marshall, engajamento é multiplicador. Uma escola ou clínica construída pela Fundação não é um ponto final, mas sim um catalisador para mais envolvimento da comunidade. Ele acredita que as dificuldades geralmente nascem das circunstâncias, e não de falhas pessoais, e que oferecer oportunidades é um imperativo moral.

Do primeiro contato com a Etiópia à expansão global

Essa convicção remonta ao seu primeiro contato com a realidade da Etiópia. Antes disso, Marshall apoiava causas beneficentes à distância, organizando apenas eventos pontuais de arrecadação de fundos. Foi um padre gozitan que o convenceu a viajar para a Etiópia por seis semanas — uma decisão tomada “por impulso” que acabou mudando sua vida.

Lá, Marshall testemunhou a resiliência de comunidades enfrentando pobreza extrema e, ao mesmo tempo, as duras consequências da falta de acesso a necessidades básicas. Foi, segundo ele, seu “santo graal” — o momento em que percebeu que esse trabalho definiria o resto de sua vida. Ao longo dos anos, sua iniciativa do Desafio Kilimanjaro arrecadou €1,5 milhão para projetos que vão desde escolas e clínicas até sistemas de abastecimento de água e moinhos de grãos.

Desde que cofundou a Fundação SiGMA, há seis anos, a missão da organização se expandiu para oito países: Etiópia, Filipinas, Colômbia, Marrocos, Brasil, Peru, Guatemala e Gozo. A meta é alcançar pelo menos 20 territórios nos próximos dois anos, um objetivo que exigirá apoio financeiro contínuo e novos voluntários dispostos a abraçar a causa. Marshall enfatiza que o trabalho da Fundação só é possível graças à dedicação de seus voluntários e à generosidade de seus doadores, convidando outros a fazer parte da equipe. Esse crescimento e as metas ambiciosas para o futuro devem motivar e inspirar todos que já participam ou pensam em se engajar na missão da Fundação.

Impacto comunitário nas Filipinas

A colaboração com o Padre Joseph Cremona é um dos projetos mais notáveis e contínuos da Fundação. Após um tufão danificar o telhado de uma igreja em Bataan, a Fundação financiou a reconstrução e instalou painéis solares para reduzir o calor local.

O projeto evoluiu para um centro de música para jovens, combinando educação musical e desenvolvimento pessoal. O centro formou uma orquestra que se apresenta para a comunidade, promovendo união e orgulho cultural. Marshall descreve a experiência como “muito emocionante”, reforçando que educação vai além do que imaginamos.

O centro comunitário de Bataan, a 45 minutos da província, é visto por Marshall como um ponto de partida para novos investimentos sociais, destacando a energia e dedicação do Padre Cremona, mesmo aos 70 anos.

O lado humano da filantropia

Para Marshall, a Fundação SiGMA faz parte de um ecossistema maior de organizações solidárias. Ele acredita que uma caridade bem gerida, independentemente da origem, pode dar às pessoas o “empurrão gentil” necessário para aproveitar oportunidades que, de outra forma, poderiam não surgir.

“Poderia ter sido você. É apenas a sorte de uma carta desfavorável. Eu pego um Ás, você pega um Quatro.”

Sua mensagem aos céticos é de humildade e perspectiva: a desventura muitas vezes é arbitrária, e quem pode ajudar tem a responsabilidade de fazê-lo. Cada projeto — reconstruir uma igreja, construir um centro esportivo ou abrir uma clínica — busca não apenas atender necessidades imediatas, mas gerar um movimento duradouro dentro da comunidade.

De montanhas no Marrocos a vilarejos nas Filipinas, o trabalho de Marshall é guiado por uma crença na humanidade compartilhada, uma recusa à indiferença e a convicção de que até mesmo pequenas contribuições podem desencadear grandes transformações.

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