Limassol vem se transformando rapidamente em um ponto de entrada estratégico para empresas de jogos e apostas interessadas no mercado da CEI (Comunidade de Estados Independentes). Um ambiente de negócios internacional, um ecossistema tecnológico desenvolvido e uma localização geográfica privilegiada fizeram da cidade uma base sólida para expansão e escalabilidade.
Hoje, Limassol se posiciona como o centro de uma nova geração de eventos de iGaming, que unem oportunidades de negócios e um estilo de vida moderno. No dia 8 de agosto, a SiGMA promoveu o iGathering Dine Drink Dance, uma noite em que executivos e representantes do setor compartilharam percepções de mercado, exploraram novos caminhos de crescimento e firmaram parcerias estratégicas. O evento contou com o apoio da Colibrix e da NuxGame, reconhecidas pela inovação no setor de iGaming.
Durante a noite, a SiGMA News conversou com Denis Kosinskiy (NuxGame), Hanna Kartoshkina (Betwinner), Kristina Egorova (BlazeBet) e Tatyana Romanyukha (Techisland) sobre os principais aprendizados do ano.
Denis Kosinskiy e a implementação da IA

Denis Kosinskiy, COO da NuxGame, destacou os resultados surpreendentes da aplicação da inteligência artificial em diferentes frentes da empresa. Segundo ele, a NuxGame começou utilizando IA para configurar funcionalidades da sua plataforma administrativa.
O próximo passo é lançar agentes de IA que auxiliem operadores no uso do painel de administração. A tecnologia também está sendo aplicada na personalização de conteúdo e produtos para os jogadores – desde materiais de jogo até banners de comunicação.
“Por que decidimos adotar IA? Primeiro, porque é uma tendência que gera valor. Mas não é apenas uma moda – ela economiza tempo e aumenta a eficiência da equipe”, disse Denis.
A IA já foi incorporada em processos simples, como gestão de produto, ajudando a gerar ideias, criar protótipos e até redigir comunicações. Com isso, a equipe consegue otimizar fluxos internos e externos: “Nós o usamos para automatizar tarefas tanto em sistemas internos quanto naqueles com os quais os operadores trabalham”, continua Denis.
“Antes, um operador precisava de uma equipe de 20 pessoas para dar conta de um volume de tarefas. Hoje, esse mesmo operador consegue realizar o equivalente ao trabalho de 40 pessoas, graças ao ganho de produtividade”, explica Denis. Segundo ele, todos os times, inclusive os operacionais, passaram a trabalhar de forma mais rápida e eficiente.
“A IA já faz parte integral do nosso dia a dia. E este é apenas o começo.”
Hanna Kartoshkina e o mercado africano

Hanna Kartoshkina, Gerente do Programa de Afiliados da Betwinner, compartilhou a realidade dos programas de afiliados no mercado africano. Ela representa um dos principais operadores da região, presente em diversos países como Gana, Nigéria, Camarões e Moçambique.
Segundo Hanna, a África é um mercado muito particular, que exige compreensão de suas especificidades internas para obter sucesso. Como se trata de países em desenvolvimento, o ticket médio é consideravelmente mais baixo. Empresas iniciantes que chegam com tráfego do Facebook, por exemplo, podem enfrentar dificuldades: o volume é alto, mas a qualidade costuma ser baixa e o retorno sobre o investimento (ROI) geralmente é limitado. “Por isso é necessário testar e se adaptar por bastante tempo”, explica Hanna.
Ela destaca ainda um ponto interessante: enquanto os cassinos online tendem a gerar maior ROI na Europa, na África as apostas esportivas são mais rentáveis devido à enorme popularidade dos eventos esportivos na região.
Trabalhar no mercado africano exige atenção constante e disciplina. É preciso analisar dados diariamente, manter contato próximo com as equipes que geram tráfego, entender quais criativos estão sendo usados e como estão estruturados os funis de conversão. “Um dos meus parceiros, por exemplo, testou 12 criativos sem sucesso. Depois, produziu um vídeo com um jogador africano no Aviator – e funcionou. Esse caso mostra como é essencial escolher o criativo certo”, relata Hanna.
A equipe da Betwinner segue testando ativamente novas fontes de tráfego ano após ano. “O tráfego In-App é um clássico que garante alto LTV na África. Mas, se a necessidade for retorno rápido, é melhor apostar em parceiros diretos, além de canais no Telegram e Twitter, onde as pessoas exibem seus estilos de vida e compartilham códigos promocionais”, continua Hanna. “Esse tipo de comunicação funciona bem para um público amplo.”
Para ela, a principal regra para atuar no continente é o envolvimento constante: “Na África, você não pode simplesmente lançar uma campanha e deixá-la rodando. Se um gerente trabalha assim, não vale a pena manter parceria com ele. É preciso buscar informações, fazer perguntas e encontrar o caminho certo. Esse é o segredo para ter sucesso no mercado africano.”
Khrystyna Ehorova e o fator humano

“Neste verão, o que mais me surpreendeu não foi exatamente a indústria em si, mas a minha própria experiência dentro dela”, começa Khrystyna Ehorova, COO da BlazeBet. Ela não atua há muito tempo no iGaming, e por isso as diferenças desse setor são ainda mais evidentes para ela. “Comparado a outras indústrias, o iGaming parece bastante fechado”, continua Khrystyna.
“Mas quando você começa a trabalhar, a construir sua rede de contatos, quando as pessoas passam a te reconhecer — seja pelo LinkedIn, Instagram ou pela participação em eventos — surgem grandes oportunidades.”
Um ano após trocar a equipe de um provedor de pagamentos por uma startup, Khrystyna já percebeu mudanças importantes: aumento no custo de tráfego, maior pressão regulatória e comissões mais altas dos sistemas de pagamento. “Vejo como está difícil para os operadores hoje, especialmente aqueles que atuam em mercados de Tier-1. De fora, pode parecer que cassinos online giram em torno de muito dinheiro, mas na prática é bem mais complexo.”
Liderando uma equipe de start-up que desenvolveu uma plataforma do zero, ela também notou outra diferença marcante: “Eu sei como as grandes plataformas funcionam de forma lenta e como é difícil conseguir falar com os gestores. Em uma startup, é preciso agir rápido e tomar decisões em tempo real.”
Ao fazer um balanço, Khrystyna descreveu seu primeiro ano no setor como uma experiência transformadora: “O iGaming passa por mudanças significativas o tempo todo, e o mais importante é estar aberto a elas e ter a capacidade de reagir com rapidez.”
Tatyana Romanyukha e o impacto no desenvolvimento do Chipre

Tatyana Romanyukha, CEO da Techisland, ficou surpresa com o crescimento acelerado da indústria de tecnologia no último ano. A Techisland é uma organização sem fins lucrativos, uma associação de TI e uma comunidade que reúne o setor tecnológico no Chipre. A entidade atua como uma ponte entre o governo e diferentes áreas da economia.
Segundo Tatyana, a tecnologia da informação é hoje um dos pilares da economia cipriota. O setor já representa 16% do PIB do país e sua contribuição direta ultrapassa €8 bilhões por ano. Trata-se de uma das indústrias de TI que mais crescem na Europa, com o Chipre ocupando a segunda posição em ritmo de expansão. “A indústria é muito diversa, e vejo que o iGaming também está se desenvolvendo ativamente, em parte graças a organizações como a SiGMA. É realmente impressionante”, observa Tatyana.
Como comunidade e associação, a Techisland integra diferentes setores da economia digital e da inovação. Para a equipe, é fundamental que cada vez mais empresas de iGaming façam parte da rede, criem comitês especializados e tragam suas propostas para o campo legislativo. Tatyana destaca a relevância dessa atuação: “A influência legislativa é crucial para o desenvolvimento da indústria de iGaming e também para que o Chipre crie condições de negócios e jurídicas atraentes para o setor.”
A associação busca unir o maior número possível de áreas, incluindo o iGaming, para gerar mudanças positivas no país. Já atua com sucesso na defesa de iniciativas e demandas da indústria de TI e de seus profissionais. “Sendo uma associação cipriota, é importante para nós começarmos por aquelas áreas onde podemos ter impacto direto”, enfatiza Tatyana.
A Techisland pode se consolidar como uma plataforma estratégica para transmitir as demandas das empresas de iGaming a interlocutores-chave, tanto no governo quanto no mercado. “Nosso objetivo é garantir que tudo aconteça de forma transparente, eficiente e com benefícios reais para a indústria”, conclui Tatyana.
Este artigo foi publicado originalmente em russo em 14 de agosto de 2025.




