A entrada em novos mercados de iGaming na Ásia está sendo cada vez mais determinada pela infraestrutura de pagamentos disponível, e não apenas pela qualidade do produto oferecido. Essa é a avaliação de Japneet Singh Sethi, consultor de iGaming para mercados globais, que defende que operadores interessados em expandir para novas jurisdições devem, antes de tudo, avaliar se a movimentação financeira pode ocorrer de forma segura e eficiente.
Durante entrevista concedida na SiGMA Asia 2026, Sethi afirmou que o ponto de partida para qualquer estratégia de expansão não deve ser marca, conteúdo ou até mesmo regulamentação, mas sim os sistemas de pagamento. “A primeira coisa que deve ser analisada são os pagamentos”, afirmou. “O mercado está preparado para movimentar dinheiro? Para uma marca, especialmente na Ásia, se não for possível movimentar recursos de forma eficiente para dentro e para fora do mercado, simplesmente não faz sentido lançar o produto naquele país.”
Infraestrutura de pagamentos se torna o principal critério de avaliação
Segundo Sethi, operadores que analisam novos mercados devem concentrar sua atenção em três fatores fundamentais: sistemas de pagamento, penetração mobile e ambiente regulatório. Sem mecanismos estáveis para depósitos e saques, investimentos em aquisição de usuários, marketing e localização do produto tendem a perder relevância.
O segundo aspecto envolve a compatibilidade entre o produto e a realidade tecnológica e econômica do mercado-alvo. “Eu observaria a penetração dos dispositivos móveis e o custo dos planos de dados”, explicou. “Se você possui um produto que não consegue funcionar adequadamente em um plano de dados de US$ 3 por mês, então ele não faz sentido para aquele mercado. Na prática, você não tem um produto adequado para aquela realidade.”
O terceiro critério destacado pelo especialista é a direção que a regulamentação está tomando. Para ele, mercados que caminham para a criação de estruturas regulatórias e regimes de licenciamento representam oportunidades mais interessantes do que aqueles que avançam para restrições mais severas. “Eu olharia para mercados que estão evoluindo em direção à regulamentação, mesmo que ainda operem em áreas cinzentas do ponto de vista jurídico”, afirmou. “Se um mercado já está caminhando para uma proibição, eu não investiria meu dinheiro nele.”
Nova legislação da Índia serve de alerta para operadores do mercado cinza
Questionado sobre a legislação indiana de jogos online aprovada em 2025, Sethi classificou a medida como um divisor de águas para empresas que vinham operando em ambientes regulatórios ambíguos. “Foi um alerta para operadores que acreditavam que poderiam continuar acessando o mercado atuando em zonas cinzentas da regulamentação”, afirmou.
A legislação estabelece distinções claras entre eSports, jogos sociais online e jogos online envolvendo dinheiro real. Além disso, proíbe bancos, instituições financeiras e sistemas de pagamento de processarem transações relacionadas a determinadas categorias de jogos online com dinheiro.
Para operadores de apostas e jogos com premiação em dinheiro real, a medida reduz significativamente as margens para interpretações regulatórias. Nesse contexto, futuros projetos de expansão na Índia deverão depender da adequação às categorias permitidas e da construção de uma infraestrutura operacional compatível com as exigências legais.
Segundo Sethi, empresas que levam o mercado indiano a sério já deveriam estar se preparando para a próxima fase de desenvolvimento regulatório. “Se uma marca deseja entrar na Índia, ela já deveria estar trabalhando na infraestrutura de pagamentos e nos sistemas necessários para operar no futuro”, destacou.
Compliance deve fazer parte do design do produto
Sethi também rejeitou a ideia de que compliance e inovação sejam conceitos opostos dentro do negócio. “Não acredito que equilíbrio seja a forma correta de abordar essa questão”, afirmou. “Compliance e inovação não são forças contrárias.”
Na visão do especialista, operadores devem incorporar requisitos regulatórios e mecanismos de proteção diretamente na experiência do usuário. “Se o usuário não percebe os processos de KYC, se ele não sente interrupções causadas pelos alertas de jogo responsável e se toda a movimentação financeira acontece de forma fluida, então isso é um sinal de sucesso”, explicou. Para Sethi, a conformidade regulatória deve funcionar de maneira integrada e quase invisível ao usuário final, sem comprometer a experiência de navegação e jogo.
Na avaliação do consultor, os sistemas de pagamento continuarão sendo o principal fator de sucesso para operadores interessados em expandir sua presença no continente asiático. À medida que reguladores endurecem exigências e provedores de pagamentos passam a operar sob níveis mais elevados de supervisão, as empresas precisarão demonstrar que seus produtos conseguem funcionar dentro da infraestrutura local antes mesmo de competir pela aquisição de clientes. Nesse cenário, a capacidade de integrar soluções de pagamento seguras, eficientes e compatíveis com as exigências regulatórias de cada país poderá se tornar um diferencial tão importante quanto a própria oferta de jogos e apostas.
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