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Do fantasy ao free-to-play: plataformas de jogos de prêmios na Índia encerram operações

Anchal Verma
Escrito por Anchal Verma
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A indústria de jogos com dinheiro real (RMG) da Índia parou de forma abrupta na quinta-feira, após o Parlamento aprovar o Projeto de Lei de Promoção e Regulação de Jogos Online, 2025. Principais operadores, como Dream11, Mobile Premier League (MPL), Gameskraft, Zupee e Games24x7, suspenderam todos os jogos com apostas monetárias. Plataformas de opinião de apostas, como Probo e MPL Opinio, também interromperam seus serviços. A paralisação representa a maior reviravolta no mercado de jogos indiano até hoje.

Paralisação massiva no setor

Os bloqueios foram anunciados na quinta-feira à noite, logo após a aprovação da lei pelo Parlamento. A Dream11, plataforma de fantasy sports, informou aos usuários que todos os concursos pagos do aplicativo haviam sido suspensos, garantindo que os saldos em conta permaneceriam seguros e disponíveis para saque.

A Dream Sports, empresa-mãe da Dream11, historicamente obtinha mais de 90% da receita de concursos com dinheiro real. No ano fiscal de 2024, a Dream11 reportou faturamento superior a US$ 1,10 bilhão, impulsionado pelo engajamento recorde durante a Copa do Mundo de Críquete masculina. Com a nova legislação, a empresa pretende agora apostar em outros segmentos, incluindo a plataforma de mídia esportiva FanCode, o negócio de viagens experiencial DreamSetGo e a Dream Game Studios, voltada ao desenvolvimento de jogos.

MPL, Gameskraft e Games24x7 interrompem serviços

A Mobile Premier League (MPL), outra grande plataforma, suspendeu seus jogos com dinheiro, assim como sua divisão de trading de opiniões, MPL Opinio. A Gameskraft Technologies, responsável pelo popular rummy RummyCulture, tomou ação similar.

A Games24x7, conhecida por seus produtos de fantasy sports e rummy, também suspendeu depósitos, mas ainda não divulgou planos detalhados sobre próximos passos. A retirada coletiva desses operadores sinaliza uma mudança significativa no cenário de jogos da Índia, até então dominado por fantasy sports e jogos de cartas com apostas monetárias.

O Projeto de Lei de Promoção e Regulamentação de Jogos Online de 2025 proíbe todos os jogos de habilidade e azar que envolvam apostas monetárias.

George John, especialista em iGaming, disse à SiGMA News: “O Projeto de Lei de Jogos Online introduz o primeiro framework estruturado da Índia para regulamentar jogos com dinheiro real. A legislação enfatiza a conformidade e penalidades mais rigorosas, buscando trazer mais transparência ao setor. O impacto a longo prazo dependerá de quão eficazmente os operadores se adaptarem às novas exigências.”

Zupee adota modelo free-to-play

A Zupee, que opera jogos de habilidade como Ludo Supreme e Snakes & Ladders, anunciou que descontinuará ofertas pagas, mas continuará oferecendo títulos gratuitos. Um porta-voz da empresa afirmou: “A Zupee segue totalmente operacional e nossos jogadores podem continuar aproveitando seus jogos favoritos na plataforma. Em conformidade com o Projeto de Lei de Jogos Online 2025, estamos encerrando jogos pagos, mas nossos títulos gratuitos, altamente populares, continuarão disponíveis para todos os usuários sem custo.”

A empresa possui uma base de mais de 150 milhões de usuários e pretende mantê-los por meio de suas ofertas não monetárias.

Posição do governo sobre o projeto de lei

O Projeto de Lei de Jogos Online, 2025, proíbe jogos de habilidade e azar com dinheiro, mas permite formatos gratuitos e e-sports. O Ministro da Eletrônica e TI, Ashwini Vaishnaw, defendeu a medida, afirmando que o governo deve priorizar o bem-estar da sociedade:

“Quando há um grande problema social afetando jovens e famílias de renda média, o governo precisa escolher as pessoas em vez da indústria.” Vaishnaw acrescentou que os trabalhadores afetados pela proibição receberão apoio estatal.

O Primeiro-Ministro Narendra Modi saudou a aprovação da lei, descrevendo-a como um passo histórico. Em postagem na rede social X, escreveu: “Este Projeto de Lei, aprovado por ambas as Casas do Parlamento, demonstra nosso compromisso em fazer da Índia um hub de jogos, inovação e criatividade. Ele incentivará e-sports e jogos sociais online e, ao mesmo tempo, protegerá nossa sociedade dos efeitos prejudiciais dos jogos com dinheiro online.”

Satyajit Chakraborty, desenvolvedor da Flying Robot Studios, acredita que o projeto de lei prioriza corretamente o bem-estar público, o jogo responsável e o crescimento dos e-sports e jogos sociais.

“No entanto, em vez de uma proibição total, um framework regulatório gradual com fortes proteções ao consumidor poderia ter dado tempo para as empresas diversificarem e se adaptarem. Dito isso, acredito que é um passo positivo para a indústria de videogames indiana. Por muito tempo, o foco esteve equivocado — RMG nunca foi jogo, era jogo de azar. Jogo de azar é fácil, dinheiro sujo, e os investidores deveriam ter percebido a fragilidade desse modelo. O verdadeiro crescimento sustentável vem da inovação criativa e técnica, não de vícios que podem ser proibidos da noite para o dia.” Chakraborty para a SiGMA News.

Gigantes da tecnologia planejam remover apps

Com a lei aguardando notificação formal, as plataformas digitais já se preparam para garantir conformidade. Fontes do setor afirmam que anúncios de plataformas de RMG (jogos com dinheiro real) devem desaparecer em breve das redes do Google e do Meta. Espera-se que Google e Apple retirem todos os aplicativos de RMG das lojas de apps na Índia.

“Start-ups menores e desenvolvedores emergentes podem enfrentar custos de conformidade e pressão financeira devido a penalidades e exigências regulatórias.”

– Ananay Jain, sócio e líder do setor de mídia da Grant Thornton Bharat

O Google havia considerado permitir certos aplicativos de RMG no Google Play para lidar com preocupações anticompetitivas, além de propostas de mudanças nas políticas de Google Ads. No entanto, esses planos dificilmente avançarão dentro do novo marco legal.

Reações jurídicas e do setor

Nem todos os especialistas concordam com a abordagem do governo. Divya Sharma, advogada corporativa, disse à SiGMA News: “Esta legislação é excessivamente restritiva para o setor de jogos online, especialmente o segmento de RMG. Ela ignora a distinção histórica entre jogos de habilidade e jogos de azar, um princípio consistentemente reconhecido na jurisprudência indiana. Uma medida tão ampla não apenas prejudicará empresas legítimas, mas também empurrará usuários para plataformas offshore não reguladas, comprometendo a proteção do consumidor e a arrecadação de receitas.”

Sharma sugeriu que o governo considerasse alternativas, incluindo:

  • Criar frameworks de licenciamento e conformidade para plataformas de RMG, em vez de uma proibição total.
  • Incentivar práticas de jogo responsável, como restrição de idade, limites de gastos e ferramentas de autoexclusão.

Do ponto de vista empresarial, Ananay Jain, da Grant Thornton Bharat, comentou: “Sob a ótica do setor, o Projeto de Lei é uma lâmina de dois gumes. Por um lado, legitima e-sports e jogos de habilidade, permitindo crescimento profissional, criação de conteúdo e iniciativas educativas, além de oferecer um ambiente regulatório claro que reduz incertezas legais e fomenta inovação.”

“As restrições gerais sobre certos jogos com dinheiro podem frear segmentos que antes geravam receitas significativas, especialmente em plataformas móveis e baseadas em torneios. Startups menores e desenvolvedores emergentes podem enfrentar custos de conformidade e pressão financeira devido a penalidades e exigências regulatórias.”

Manisha Kapoor, CEO e Secretária-Geral do Advertising Standards Council of India, afirmou à SiGMA News: “O novo projeto de lei deixa claro que qualquer jogo online envolvendo dinheiro real não é permitido, devido a preocupações com saúde pública e riscos financeiros. No entanto, a lei também permite a promoção e inovação em jogos, desde que não envolvam dinheiro real. Esperamos que a nova autoridade regulatória consiga criar frameworks que equilibrem proteção ao consumidor e crescimento do setor de jogos.”

Setor em transição

O novo projeto divide claramente o mercado. Enquanto e-sports, jogos casuais e plataformas free-to-play são permitidos, todos os concursos com dinheiro e serviços de trading de opinião estão proibidos. Essa mudança obrigou os maiores operadores a reorientarem seus modelos de negócios da noite para o dia.

Plataformas de trading de opinião foram as primeiras a interromper serviços. A Probo, uma das mais relevantes da categoria, anunciou sua saída logo após a aprovação da lei. O segmento de trading de opinião da MPL, Opinio, seguiu o mesmo caminho.

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