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Opinião de especialista: o desafio da nuvem no iGaming

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Operadores de jogos online estão começando a repensar sua dependência de provedores de nuvem de grande escala à medida que os custos sobem e as preocupações com privacidade se intensificam. James McLeod, CTO da Ilkari, explicou à SiGMA News por que o controle se tornou a nova moeda na infraestrutura de iGaming.

Por mais de uma década, o setor de iGaming se apoiou fortemente em empresas como Amazon, Google e Microsoft para operar suas plataformas. Mas, segundo McLeod, os operadores agora percebem que a promessa da nuvem pública tem um custo que muitos não conseguem mais justificar.

“Nos últimos 10 a 15 anos, houve um grande movimento para que os operadores de iGaming migrassem para a nuvem pública”, disse McLeod à SiGMA News. “E agora eles estão vendo que nem tudo é como prometido. Os custos ocultos muitas vezes se tornam um grande desafio.”

Choques de custos e riscos ocultos

O impacto financeiro causado pelos hiperescaladores (hyperscalers), afirma McLeod, é um dos principais fatores que leva os operadores a reconsiderarem a infraestrutura privada.

“Já estive em projetos em que esperávamos gastar cerca de US$ 25 a 30 mil, e quando recebíamos a fatura mensal, era três ou quatro vezes esse valor”, contou. “É muito difícil controlar os orçamentos.”

Mas os custos são apenas parte da equação. O maior risco, segundo McLeod, está na incerteza sobre onde os dados são armazenados e quem os controla de fato.

“Não há garantia de onde seus dados estão hospedados e onde residem”, explicou. “Frequentemente, cópias desses dados são transferidas para outros locais que podem estar em jurisdições que violam a licença de um regulador de iGaming, ou simplesmente em lugares com os quais você não se sente confortável.”

Ele destacou a legislação dos EUA como uma preocupação específica: “Muitos dos grandes players são todos empresas americanas. Você fica à mercê do governo dos EUA e das leis deles. Leis como o Patriot Act ou o Cloud Act permitem que o governo americano obrigue esses hyperscalers a fornecer detalhes sobre os clientes ou os dados.”

Para operadores cuja sobrevivência depende da proteção das informações dos jogadores, McLeod acredita que o risco é alto demais. “Proteger a privacidade da sua base de jogadores é, geralmente, algo de extrema importância,” disse. “É aí que vemos nosso diferencial. Podemos oferecer garantias que, talvez, um hyperscaler não consiga.”

McLeod, que atua há 25 anos no setor, afirma que o foco da empresa é simples: soberania, privacidade e controle. A Ilkari administra data centers, uma plataforma de nuvem privada e um serviço de registro de domínios com ferramentas de privacidade. “Não miramos especificamente o iGaming, mas a maior parte dos nossos clientes está nesse setor,” explicou. “É aí que reside a experiência da nossa equipe de liderança.”

Soberania, privacidade e controle

McLeod enfatiza que soberania anda de mãos dadas com uma cibersegurança robusta. “Não se trata mais de ‘poderia acontecer’, mas de ‘quando vai acontecer’,” disse ele sobre ataques cibernéticos. “Precisamos mitigar o máximo de ameaças cibernéticas possível e também ajudar nossos clientes a reduzir a superfície de ataque.”

Para McLeod, um dos perigos de usar provedores de nuvem maiores é a complexidade. “Eles têm uma infinidade de produtos, e se você não estiver familiarizado, pode ser tentador marcar a caixinha para habilitá-los,” explicou. “Mas se você não entende completamente como funcionam, isso pode causar mais danos do que benefícios. Pode dar uma falsa sensação de segurança.”

Em vez disso, ele defende que o valor de um provedor de hospedagem especializado está nas pessoas. “Você tem a oportunidade de falar com quem já esteve na linha de frente,” disse. “Eles têm cicatrizes de batalha. Podem trabalhar com suas equipes para construir soluções que funcionem para o seu negócio.”

Ameaças cibernéticas

O setor de iGaming sempre foi alvo de cibercriminosos. Ataques de ransomware e DDoS (distributed denial-of-service) são quase constantes, segundo McLeod:

“Já lido com isso há cerca de 20 anos, então não é novidade. O que oferecemos é a experiência para ajudar os clientes a se prepararem para esses cenários, de modo que, se algo acontecer, eles tenham ao menos uma estratégia definida.”

Pressão regulatória além das fronteiras

A pressão regulatória continua sendo um desafio. Empresas que operam em várias jurisdições frequentemente enfrentam exigências contraditórias sobre o tratamento de dados, obrigando-as a duplicar sistemas e aumentar custos.

“Isso fica caro,” disse McLeod. “Novamente, é aí que provedores de hospedagem especializados podem ajudar, orientando sobre quais partes precisam ser separadas e quais podem ser compartilhadas.”

Questionado sobre se provedores de hospedagem um dia poderiam enfrentar os mesmos requisitos de licenciamento que operadores e fornecedores de software de iGaming, McLeod foi pragmático: “Até onde sei, não há pressão para que fornecedores de infraestrutura obtenham licenças de jogos,” disse. “Mas, se isso fosse necessário, certamente iríamos nessa direção. Muitas pessoas na Ilkari já passaram por processos de licenciamento e certificação antes.”

Ainda não é um argumento de marketing

Embora algumas indústrias vendam a privacidade como um diferencial voltado ao consumidor, McLeod é cético quanto à preocupação dos jogadores sobre onde seus dados são armazenados, pelo menos por enquanto.

“Sinceramente, os jogadores geralmente não se preocupam com onde seus dados são armazenados, desde que o operador siga as leis locais ou regionais de proteção de dados,” afirmou. “Não acredito que o jogador médio se importe se os dados estão na Microsoft, Google ou em um provedor de hospedagem privado.”

Mas ele fez um alerta: “Isso só se tornará um ponto de marketing quando — e não é ‘se’, é ‘quando’ — ocorrer algum grande evento, e os EUA apreenderem dados. Quando isso acontecer, os jogadores vão começar a se importar, e os operadores que já investiram em serviços de proteção de dados personalizados terão uma vantagem clara.”

Controle acima de tudo

Para McLeod, tudo se resume ao controle, seja por meio de colocation, nuvem privada ou modelos híbridos que permitem aos operadores manter a soberania onde ela mais importa.

“Colocation é como um hotel para seus servidores,” explicou. “Você possui a infraestrutura, os servidores. Nós apenas fornecemos energia e um lugar para armazená-los.”

Alguns operadores, explicou, preferem manter servidores especializados em colocation enquanto executam plataformas mais padronizadas na nuvem privada da Ilkari. “Dessa forma, eles têm o melhor dos dois mundos,” disse.

E essa palavra, controle, continua sendo a base da proposta de McLeod. “Estamos falando de controle,” disse. “Ao recorrer a alguns desses hyperscalers, você abre mão de parte desse controle.”

Uma questão de lacunas

Quando perguntado sobre os erros mais comuns dos operadores, McLeod apontou complexidade e comunicação deficiente.

“A infraestrutura é tão complexa que não há mais uma única pessoa que tenha tudo na cabeça,” disse. “É aí que as vulnerabilidades ficam expostas. Você tem equipes que não trabalham juntas, não se comunicam e não identificam as lacunas. Isso é algo que vemos com frequência quando entramos.”

À medida que os reguladores apertam, os ataques evoluem e os custos aumentam, McLeod aposta que os operadores verão valor em retornar para uma infraestrutura que realmente possam possuir e compreender.

“Algumas coisas funcionam muito bem na nuvem pública,” admitiu. “Redes de entrega de conteúdo são ideais. Mas seu histórico de transações, onde apostas são registradas, onde os jogos acontecem — isso realmente deveria estar em um lugar onde você tenha controle total e saiba exatamente quem tem acesso.”

Proteção de domínios

Outra parte do quebra-cabeça da infraestrutura está na gestão de domínios e na questão de manter os dados de propriedade privados. “Ao registrar um domínio, muitas vezes o registrador oferece esconder seus dados para que ninguém possa consultá-los em um registro público,” explicou McLeod. “Mas é muito fácil contornar isso.” Ele disse que a Okens — empresa de registro de domínios adquirida pela Ilkari no ano passado — adota uma abordagem diferente, adicionando uma camada extra de proteção: mesmo que os dados do registro sejam divulgados, eles não remetem ao cliente.

Isso é relevante no mundo do iGaming porque os próprios domínios podem ser ativos valiosos. Afiliados, em particular, dependem de domínios de alta relevância para gerar tráfego, tornando-os alvo de concorrentes ou compradores. Proteger quem possui esses domínios, argumenta McLeod, ajuda a reduzir atenção indesejada e protege as empresas de tentativas de aquisição ou sequestro de suas vitrines digitais.

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